Com um treinador ambicioso como Fabio Grosso e um avançado sedento de redenção como Moise Kean, é possível dar o salto.
O som é forte, como um avião reparado depois de um período em que não conseguia subir o suficiente para ver o mundo lá do alto. Na verdade, o ruído em torno da nova Fiorentina é um verdadeiro rugido, que irrompe no ar durante uma pré-época de verão pensada para afastar as más sensações da temporada 2025/26. Depois de lutar para evitar a descida, a Viola decidiu recomeçar com um dirigente experiente e internacional como Fabio Paratici. Mas não ficou por aí.
O seu homónimo Fabio Grosso é um treinador que gosta de dar à sua equipa uma identidade virtuosa. Não se trata apenas de posse de bola levada ao extremo, mas sim de uma utilização mais prática de vários elementos. Sempre, no entanto, com a beleza alcançada através da circulação rápida da bola. Com ele no banco, a mensagem é clara: a Viola quer levantar a cabeça e fazê-lo da forma mais divertida e agradável possível.
Criatividade e explosividade
Arthur Atta e Franco Mastantuono são dois artistas. Representam duas escolas: a francesa, com raízes magrebinas, e a argentina, ambas com um espírito semelhante, abertas a expressar todo o seu talento. Ambos chegaram ao Artemio Franchi por decisão expressa da direção, que optou por investir 40 milhões no francês e dar uma oportunidade ao jovem de 18 anos que, no Real Madrid, arriscava-se a queimar com o fogo sempre intenso do Santiago Bernabéu.
Se no ano passado, no Sassuolo, Grosso encontrou em Laurienté e Berardi os dois extremos invertidos necessários para tecer uma teia de passes rápidos das alas para o centro da área, agora, com o francês e o argentino, pode elevar ainda mais o nível. O talento destas duas novas contratações é inegável, como se viu nos primeiros lampejos do futebol de verão, e quem mais pode beneficiar é um avançado que, mais do que nunca este ano, pode revelar-se uma força devastadora no ataque.

Aos 26 anos, Moise Kean é chamado a assumir como nunca antes na sua carreira. O seu poder físico é bem conhecido, tal como a capacidade para ser tanto criador como finalizador. Com Atta, Mastantuono e, possivelmente, Gudmundsson - outro jogador de quem se espera o melhor - esta pode mesmo ser a sua época. Tudo isto com um Mateo Pellegrino pronto a entrar a qualquer momento para acrescentar consistência e eficácia no jogo aéreo.
Resistência e qualidade
Um médio todo-o-terreno como Oulai, que surpreendeu todos no Mundial-2026 pela sua polivalência, trouxe ainda mais garra a um meio-campo que já era de grande qualidade antes da sua chegada. Mandragora é uma peça fiável, enquanto Fagioli pode realmente estar a entrar na época da sua afirmação como criador capaz de inventar algo do nada. O médio costa-marfinense permitirá a Grosso ter um excelente tampão à frente da defesa, com os seus 20 anos a evidenciarem o seu dinamismo.
As chegadas de um lateral-direito como o ex-FC Porto João Mario, de um defesa como Dragusin e de um médio box-to-box como Brescianini dão variedade ao plantel de Grosso, permitindo-lhe encarar a nova época com confiança. Não disputar competições europeias pode ser uma enorme vantagem na Liga, onde o objetivo é terminar entre os seis primeiros.
A Viola está pronta para voar, desta vez a sério. E o rugido do seu motor ecoa por toda a Itália. A sua primeira tentativa de descolar será na jornada inaugural da Serie A, fora, frente à Roma, uma das equipas mais sólidas da competição. Um teste duro e exigente para um clube que há demasiado tempo anseia por reconhecimento.
