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Qualidade e ambição: Fiorentina, de João Mário, quer recuperar após um ano devastador

Moise Kean
Moise KeanGABRIELE MALTINTI / GETTY IMAGES EUROPE / GETTY IMAGES VIA AFP

Após uma campanha de transferências impressionante, a equipa toscana parece pronta para compensar o fraco desempenho da época passada.

Com um treinador ambicioso como Fabio Grosso e um avançado sedento de redenção como Moise Kean, é possível dar o salto.

O som é forte, como um avião reparado depois de um período em que não conseguia subir o suficiente para ver o mundo lá do alto. Na verdade, o ruído em torno da nova Fiorentina é um verdadeiro rugido, que irrompe no ar durante uma pré-época de verão pensada para afastar as más sensações da temporada 2025/26. Depois de lutar para evitar a descida, a Viola decidiu recomeçar com um dirigente experiente e internacional como Fabio Paratici. Mas não ficou por aí.

O seu homónimo Fabio Grosso é um treinador que gosta de dar à sua equipa uma identidade virtuosa. Não se trata apenas de posse de bola levada ao extremo, mas sim de uma utilização mais prática de vários elementos. Sempre, no entanto, com a beleza alcançada através da circulação rápida da bola. Com ele no banco, a mensagem é clara: a Viola quer levantar a cabeça e fazê-lo da forma mais divertida e agradável possível.

Criatividade e explosividade

Arthur Atta e Franco Mastantuono são dois artistas. Representam duas escolas: a francesa, com raízes magrebinas, e a argentina, ambas com um espírito semelhante, abertas a expressar todo o seu talento. Ambos chegaram ao Artemio Franchi por decisão expressa da direção, que optou por investir 40 milhões no francês e dar uma oportunidade ao jovem de 18 anos que, no Real Madrid, arriscava-se a queimar com o fogo sempre intenso do Santiago Bernabéu.

Se no ano passado, no Sassuolo, Grosso encontrou em LaurientéBerardi os dois extremos invertidos necessários para tecer uma teia de passes rápidos das alas para o centro da área, agora, com o francês e o argentino, pode elevar ainda mais o nível. O talento destas duas novas contratações é inegável, como se viu nos primeiros lampejos do futebol de verão, e quem mais pode beneficiar é um avançado que, mais do que nunca este ano, pode revelar-se uma força devastadora no ataque.

As últimas épocas de Moise Kean
As últimas épocas de Moise KeanFlashscore

Aos 26 anos, Moise Kean é chamado a assumir como nunca antes na sua carreira. O seu poder físico é bem conhecido, tal como a capacidade para ser tanto criador como finalizador. Com Atta, Mastantuono e, possivelmente, Gudmundsson - outro jogador de quem se espera o melhor - esta pode mesmo ser a sua época. Tudo isto com um Mateo Pellegrino pronto a entrar a qualquer momento para acrescentar consistência e eficácia no jogo aéreo.

Resistência e qualidade

Um médio todo-o-terreno como Oulai, que surpreendeu todos no Mundial-2026 pela sua polivalência, trouxe ainda mais garra a um meio-campo que já era de grande qualidade antes da sua chegada. Mandragora é uma peça fiável, enquanto Fagioli pode realmente estar a entrar na época da sua afirmação como criador capaz de inventar algo do nada. O médio costa-marfinense permitirá a Grosso ter um excelente tampão à frente da defesa, com os seus 20 anos a evidenciarem o seu dinamismo.

As chegadas de um lateral-direito como o ex-FC Porto João Mario, de um defesa como Dragusin e de um médio box-to-box como Brescianini dão variedade ao plantel de Grosso, permitindo-lhe encarar a nova época com confiança. Não disputar competições europeias pode ser uma enorme vantagem na Liga, onde o objetivo é terminar entre os seis primeiros.

A Viola está pronta para voar, desta vez a sério. E o rugido do seu motor ecoa por toda a Itália. A sua primeira tentativa de descolar será na jornada inaugural da Serie A, fora, frente à Roma, uma das equipas mais sólidas da competição. Um teste duro e exigente para um clube que há demasiado tempo anseia por reconhecimento.