Aconteceu. Kimi Antonelli tornou-se campeão do mundo de Fórmula 1. 73 anos depois de Alberto Ascari, a Itália tem um novo piloto campeão do mundo, o terceiro de sempre na história transalpina, tendo em conta Giuseppe "Nino" Farina, vencedor da primeira edição, em 1950, ao volante de um Alfa Romeo.
Um triunfo categórico, que deslumbra mas não surpreende, porque Andrea Kimi Antonelli tem os motores no sangue, depois de uma infância passada entre as tendas dos kartódromos e marcada pelo rugido dos escapes, graças ao pai, Marco, antigo piloto e proprietário da equipa Antonelli Motorsport.
Dos primeiros êxitos nos karts à chamada de Wolff
A primeira vez que Kimi pega num volante é com apenas 1 ano, com o pai a segurá-lo ao colo em Sarno, na província de Salerno, para uma volta ao circuito num kart. Aos 6 anos começa a fazê-lo sozinho e, com apenas 9, conquista, em 2015, o Trofeo Italiano Easykart 60cc. Aos 10 já conduz um Lamborghini em Adria, com uma perfeição nas curvas que rapazes mais velhos não conseguem igualar. Nos anos seguintes, acumula prémios nas várias categorias, entre os quais a WSK Super Master Series (2017), a Winter Cup e a WSK Champion Cup (2018).

Andrea, Andy para os amigos e familiares, estava prestes a tornar-se Kimi para o mundo inteiro. Tudo acontece quando Toto Wolff fica deslumbrado com o seu talento e decide levá-lo para a Mercedes.
O mérito é de Giovanni Minardi, que convenceu o dirigente a enviar um dos seus homens a Itália para observar aquele miúdo que passava a toda a velocidade pelos karts. O relatório de Gwen Lagrue, responsável pela Mercedes Academy, é entusiástico. Seguem-se mais alguns anos de observação, até que Kimi, ainda sem ter feito 13 anos, assina contrato e entra no programa de jovens da Mercedes AMG Petronas F1 Team.
A ascensão com a Prema e a chegada à Mercedes
Antonelli inicia assim o seu período de crescimento. Em 2022, conquista o Campeonato Italiano de Fórmula 4 e o ADAC F4 com a Prema. No ano seguinte, triunfa na Formula Regional Middle East com os Mumbai Falcons e no Campeonato Europeu de Formula Regional com a Prema Racing.
O seu talento precoce é tão evidente que queima etapas e salta diretamente para a Fórmula 2 com a equipa Prema, pela qual vencerá a Sprint em Silverstone e triunfará em Budapeste.

A 30 de agosto de 2024, acabado de completar os 18 anos, estreia-se na Fórmula 1 na primeira sessão de treinos livres do Grande Prémio de Itália, no circuito de Monza, e é oficializado como piloto principal da Mercedes para 2025, onde terá de substituir nada menos do que sua majestade Lewis Hamilton. Uma escolha que gera discussão, mas Wolff não tem dúvidas: "Conhecemos o Kimi desde que era muito pequeno e o risco que corremos com ele é calculado".
Da estreia ao título, a bater recordes
À velocidade e à agressividade na entrada em curva, Kimi alia uma precisão e uma consistência que fazem a diferença, também graças à sua capacidade de análise e adaptação aos monolugares. Acima de tudo, sabe gerir a pressão como um veterano.
É por isso que não acusa a mudança de escalão e mostra logo em pista aquilo de que é feito: estreia-se oficialmente no GP da Austrália com um 4.º lugar e, no Canadá, conquista o primeiro pódio da carreira, com um 3.º lugar.
É, contudo, em 2026, graças a um monolugar extremamente competitivo, que Kimi deslumbra o mundo inteiro, relegando para segundo plano o companheiro de equipa Russell.
Com o Mercedes n.º 12, vence os três primeiros GP em Xangai, Suzuka e Miami, depois de três poles consecutivas. Em Montreal, triunfa a partir do segundo lugar; em Monte Carlo, consegue mesmo o Grand Chelem, com pole, vitória, volta mais rápida e liderança desde a 1.ª até à última volta. Em Spa-Francorchamps, torna-se o mais jovem de sempre a triunfar, mas é em Monza que realiza a verdadeira obra-prima, deixando todos para trás depois de arrancar da 19.ª posição, antes de inaugurar com outro primeiro lugar o novo circuito do Madring de Madrid e triunfar também em Austin.

Uma cavalgada imparável, repleta de recordes: é o piloto mais jovem de sempre a conquistar uma pole position, aos 19 anos, no GP da China; o mais jovem a conseguir um Grand Chelem; o mais jovem a liderar um GP e a fazer a volta mais rápida, no GP do Japão de 2025; o mais jovem a vencer uma Sprint, no GP da Grã-Bretanha; o poleman mais jovem da história de Silverstone e Spa, e o único a vencer as cinco primeiras corridas a partir das três primeiras posições da grelha.
Depois, a 1 de novembro de 2026, no Autódromo Hermanos Rodríguez, no México, escreve história: pulveriza o recorde de Sebastian Vettel, que tinha 23 anos, e torna-se o mais jovem campeão do mundo de Fórmula 1.
E isto é apenas o início...
