O país procura acolher um Grande Prémio há vários anos, depois de já ter recorrido ao futebol, ao basquetebol e a outras modalidades para melhorar a sua imagem e atrair investimento.
O Ruanda e a FIA ainda não anunciaram formalmente a decisão, mas uma fonte do Governo do país disse à AFP: "A candidatura do Ruanda para acolher a corrida de Fórmula 1 recebeu luz verde, foi alcançado um acordo."
Uma fonte próxima da FIA afirmou que o anúncio oficial será feito na capital ruandesa, Kigali, na próxima semana, com o Catar a apoiar o projeto.
O presidente Paul Kagame anunciou formalmente a candidatura quando o Ruanda acolheu um encontro da FIA, em dezembro de 2024.
"Tudo se resume ao respeito e a dar a todos a oportunidade de contribuir, na medida das suas possibilidades", afirmou na altura.
O anúncio vai deixar radiante uma das maiores superestrelas da modalidade, Lewis Hamilton.
O campeão mundial por sete vezes há muito que defende a inclusão de uma etapa africana no calendário da F1. Em 2024, apoiou os planos do Ruanda e descreveu o país como "um dos meus lugares preferidos".
Investimento avultado
País pobre e sem litoral na África Oriental, ainda amplamente associado ao horrível genocídio de 1994, o Ruanda tem recorrido ao desporto para renovar a sua imagem, atrair turistas e impressionar investidores com a sua eficiência organizativa.
O país gastou avultadas quantias em acordos de patrocínio no futebol com clubes como o Arsenal e o Paris Saint-Germain, estabeleceu uma parceria com a NBA para ser o principal centro da liga africana de basquetebol e acolheu os campeonatos mundiais de ciclismo do ano passado.
Os críticos classificaram esta estratégia como "lavagem desportiva" - o recurso a eventos vistosos para desviar as atenções de acusações de graves violações dos direitos humanos, incluindo uma repressão brutal de qualquer oposição ou dissidência.
Outros consideram que essa crítica revela hipocrisia ocidental, argumentando que ninguém descreveu o Mundial deste ano nos Estados Unidos como "lavagem desportiva", apesar das violações dos direitos humanos naquele país.
A fonte do Governo do Ruanda afirmou que havia receios de que a decisão não fosse totalmente bem recebida no país, onde um quarto da população vive abaixo do limiar da pobreza e pouco beneficiou das parcerias com figuras e eventos desportivos de grande visibilidade.
"No caso do acordo com o Arsenal, os responsáveis do Governo fizeram uma digressão pelos meios de comunicação social para falar sobre o assunto, mas desta vez o ambiente no país é diferente e, por isso, estão a agir de forma diferente. A economia está a atravessar dificuldades", afirmou a fonte.
A África do Sul também apresentou uma candidatura para acolher uma corrida de F1, e o seu ministro do Desporto sublinhou que o país não deve ser excluído apenas porque o Ruanda foi selecionado.
"(O Ruanda) trabalha nisto há mais tempo do que (a África do Sul) e merece consegui-lo", escreveu no X o ministro sul-africano do Desporto, Gayton McKenzie.
"Não se esqueçam, porém, de que um país, a Itália, já teve dois Grandes Prémios de F1 por ano, e há quem reaja como se um continente com 55 países só pudesse receber um. A África do Sul vai ter F1, ainda antes de 2030".
