“É uma pressão positiva que nos orgulha e que resulta do sucesso da canoagem portuguesa nos últimos anos. Três medalhas em distâncias olímpicas revelam um desempenho que qualquer potência, como nós, assinaria por baixo”, destacou Ricardo Machado, em declarações à agência Lusa, referindo-se à competição que decorre em Poznan entre quarta-feira e domingo.
Em 2025, nos Mundiais de Milão, Itália, Portugal conquistou inédito título mundial em K4 500 metros, com Gustavo Gonçalves, João Ribeiro, Messias Baptista e Pedro Casinha, João e Messias foram posteriormente prata em K2 500 e Fernando Pimenta bronze em K1 1.000 metros.
“São feitos que estão ao alcance somente das melhores seleções do mundo, entre as quais, felizmente, nos podemos incluir", reforçou.
As esperanças de pódio de Ricardo Machado são depositadas sobretudo na equipa masculina, uma vez que a feminina atravessa uma fase de renovação, sendo que apenas a olímpica Teresa Portela tem verdadeiro traquejo internacional ao mais alto nível.
“O setor feminino é uma das nossas grandes apostas, com a experiente Teresa Portela a liderar um grupo de jovens atletas, maioritariamente sub-23. Em Poznan, vai competir unicamente em K1 500 metros, após testes em outras embarcações”, disse, nomeadamente em K2 e K4 500 metros, sem que tivesse atingido finais, tanto nos Europeus quanto nas três Taças do Mundo.
A aposta federativa na “renovação” traduz-se em oito canoístas femininas em Poznan contra cinco homens, enquanto na paracanoagem Matilde Nunes estreia-se, juntando-se aos tradicionais Norberto Mourão e Alex Santos, no que é a “maior delegação de sempre portuguesa em mundiais seniores de regatas em linha”.
Com um novo sistema de apuramento, no qual contam as melhores quatro de cinco provas em cada uma das duas épocas do processo – campeonatos da Europa e do Mundo e três Taças do Mundo, em 2026 e 2027 –, os portugueses estão em posição de apuramento em K1 1.000, K2 500 e K4 500 masculinos, enquanto em femininos esse objetivo está longe nos caiaques, ao contrário das canoas, em que Beatriz Fernandes alimenta esperanças em C1 500 e em C2 500 com Inês Penetra.
"É uma caminhada longa. Estamos a meio do processo. Temos barcos bem classificados, nomeadamente nos homens, e, num sistema com cotas muito limitadas, queremos perceber até que ponto é que podemos lutar nas mulheres. Por isso, estamos em Poznan também para melhorar nos rankings”, detalhou.
Na paracanoagem, destaque para a estreia de Matilde Nunes, a primeira atleta feminina integrada no projeto paralímpico.
"É um investimento a médio e longo prazo", assumiu o presidente, que espera sair da Polónia com "mais um resultado histórico para a canoagem e para o desporto nacional".
Acima de tudo, Ricardo Machado tem “consciência das expectativas altas” em torno da seleção de canoagem, porém, acredita que, “com humildade, foco e o bom trabalho interno feito”, atingirá os objetivos nos Mundiais, a melhor forma de ficar igualmente mais perto de Los Angeles-2028.
“Não controlamos o desempenho dos nossos adversários, mas o nosso trabalho está feito”, sentenciou.
