“Taticamente, correu muito bem. Guardei-me para um grande sprint final. Claro que notámos ali que o Matthew Hauser fez um bocadinho de jogo sujo, mandou-se para cima de mim, mas no fim, no fim, o campeonato estava a ganho”, congratulou-se, valorizando a conquista global de 2026.
Vasco Vilaça precisava de classificar-se até quinto lugar para garantir de imediato o cetro, numa luta com o campeão do Mundo de 2025, Matthew Hauser, que ganhou em Espanha, embora com o mesmo tempo de 1:39.31 horas.
“Este ano sonhava ganhar uma etapa do campeonato do mundo. Não só ganhei uma, como foram duas. E sou campeão do mundo! Há muito trabalho por trás disto. A minha equipa é incrível. Agradeço a quem me ajudou a chegar aqui, quem tornou possível aguentar esta pressão”, elogiou.
Vasco Vilaça, 26 anos, admitiu que foi uma prova “muito dura sob uma pressão que nunca tinha sentido”, agradecendo a ajuda em prova de Ricardo Batista, que foi quarto e terminou o Mundial com o bronze, e Miguel Tiago Silva, que esteve no grupo da frente até ao início da corrida, finalizando em 19.º.
“Dá sempre uma confiança extra ter outros portugueses à minha volta nos quais posso confiar. Estou muito contente pelo Ricardo, que momento incrível, não? Portugal nunca teve um pódio masculino, o ano passado fiquei em terceiro e este ano temos dois homens, o campeão do Mundo e o terceiro”, sublinhou.
Deixou igualmente elogio para o jovem João Nuno Batista, 11.º, e Miguel Tiago Silva, 19.º, com o quarteto português a integrar o top 20 da finalíssima, que contou com 69 triatletas.
Vasco Vilaça destacou o “incrível” apoio dos portugueses, elogiou as muitas bandeiras que viu em Pontevedra, contrastando com a superfinal de 2025, na Austrália, em casa de Matthew Hauser.
Na prova reconheceu que não fez uma boa primeira volta de natação, saindo em 33.º, mas no fim dos 1.500 metros já era 13.º, fechando o número de fugitivos do primeiro pelotão para os 40 quilómetros do ciclismo.
Lamentou o “antijogo” de Hauser, que se colocou no lado oposto do pontão “para não conseguir nadar ao lado dele, que é o seu ponto mais forte”.
“Sabia que estava em boa forma, saí sozinho. Claro que me atrasei um bocadinho, mas a prova é longa e na segunda volta continuei a trabalhar, continuei a acreditar para chegar o mais perto possível. Recuperei as forças no início da bicicleta, depois foi meter ritmo e ir para a frente, ajudar a abrir espaço para os grandes corredores que vinham atrás”, relatou.
Admitiu que na corrida “estava tudo controlado”, pois confia no seu valor e tinha Ricardo Batista consigo: destacou ainda a “corrida incrível” do britânico Alex Yee, campeão olímpico em Paris-2024, que recuperou 35 segundos para apanhar o trio da frente.
“Neste momento ainda não tive tempo para processar as emoções. Só tive para estar abraçado à minha família. Quase que a lágrima veio… Sem dúvida que estou ansioso de chegar a casa, poder acalmar um bocadinho e realmente pensar no que acabei de fazer”, resumiu.
Descartou falar da ambição para os Jogos Olímpicos Los Angeles-2028, depois do quinto em Paris-2024, assegurando que agora a prioridade é “uma bela noite de celebrações”.
Além do ouro de Vasco Vilaça e do bronze de Ricardo Batista, Portugal conquistou ainda a prata pelo júnior Dinis Ferreira e o bronze por Filipe Marques, na classe adaptada PTS5.
