Candidatos confirmados
Gianni Infantino (titular)
Não está a enfrentar-se a si próprio, mas está a disputar um quarto mandato como presidente da FIFA: Gianni Infantino é o homem mais poderoso do futebol há mais de 10 anos. Depois de inicialmente ter substituído o desacreditado Sepp Blatter, Infantino foi reeleito duas vezes e ambiciona um terceiro mandato, apesar das fortes críticas externas.

O atual presidente da FIFA conseguiu convencer o Conselho da FIFA de que o seu primeiro mandato não foi um mandato completo, uma vez que completou um mandato interrompido. Por conseguinte, não conta para o limite de três mandatos, confirmou o Conselho da FIFA após uma votação unânime. O grupo de direitos humanos FairSquare escreveu às federações-membro instando-as a declará-lo inelegível, enquanto o português Miguel Poaires Maduro, antigo presidente da comissão de governação da FIFA, argumentou que "o texto da disposição é claro; refere-se a três mandatos. Não faz qualquer distinção entre mandatos completos ou incompletos, mandatos de quatro anos ou mandatos que possam ser mais curtos do que os quatro anos".
A presidência de Infantino tem sido marcada por controvérsias, sendo a mais recente a proposta FIFA Forward Enterprise, que custou ao italiano-suíço uma grande perda de apoio - quase 100 membros da FIFA retiraram publicamente o seu apoio a Infantino desde agosto de 2026.
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Ramon Vega
O ex-jogador suíço Ramon Vega foi o primeiro a anunciar formalmente a sua candidatura às eleições presidenciais da FIFA. Vega, de 55 anos, declarou a sua intenção de concorrer à presidência da FIFA em outubro e anunciou formalmente a sua candidatura a 4 de novembro.
Depois de Sepp Blatter se ter demitido em 2015, o antigo defesa dos Spurs e do Celtic, Vega, considerou também concorrer, mas acabou por decidir não o fazer. Agora, concorre com um programa que «serve o futebol e as pessoas que dão vida ao desporto».
Numa entrevista exclusiva ao Flashscore, Vega explicou o que está errado no mandato de Infantino.
"Há vários aspetos, mas o período recente é claramente o pior capítulo de todos. As questões fundamentais são a honestidade, a transparência e a integridade do futebol. Estes são pilares essenciais que não podem simplesmente ser postos de lado. Mas o passado é passado; temos de olhar para a frente. A realidade é que tudo aquilo de que falamos agora é dinheiro, e não o próprio futebol, que precisa desesperadamente de ser reformado", vincou.
Como presidente da FIFA, Vega acolheria de bom grado o diálogo para pôr fim à autocracia da FIFA, ao mesmo tempo que exigiria responsabilização por parte do presidente.
"O ponto principal é reestruturar e restabelecer o diálogo, a par de uma profunda reforma na governação da FIFA, com foco na implementação adequada e na consulta. Nos primeiros 100 dias, precisamos de reunir todas as partes interessadas à mesa — jogadores, ligas, todos — porque tem de haver um diálogo democrático. Também precisamos de discutir o calendário internacional de jogos para estabelecer uma base sólida para o formato do jogo".
Até 5 de novembro, ainda não tinha sido confirmado que Vega contasse com o apoio necessário de cinco membros da FIFA, embora Vega tenha assegurado ao Flashscore que "o apoio existe".
Kozo Tashima
O presidente honorário da Federação Japonesa de Futebol (JFA), Kozo Tashima, anunciou formalmente a sua candidatura à presidência da FIFA a 5 de novembro. Tashima, de 68 anos, é membro de longa data do Conselho da FIFA, o órgão decisório máximo da instituição, tendo-se juntado a este em 2015.
Tashima, que disputou sete jogos pela seleção japonesa, formou-se na Universidade Alemã do Desporto de Colónia e integrou o Comité Executivo da Confederação Asiática de Futebol (AFC). Tashima demitiu-se recentemente do cargo de vice-presidente da JFA depois de a AFC ter anunciado o seu apoio ao atual presidente da FIFA, Gianni Infantino.
"Não se trata de ganhar ou perder, mas sim de transmitir ao mundo a atitude honesta, sólida e íntegra que o futebol japonês construiu. O que a FIFA precisa agora são estes valores que temos protegido. Decidi candidatar-me para fazer este apelo ao mundo", afirmou Tashima após o seu anúncio.
Tashima conta com o apoio total da JFA, mas precisa do apoio de mais quatro membros da FIFA.

Candidatos em especulação
Arsène Wenger
Com a UEFA ainda à procura ansiosa do seu candidato preferido para a eleição presidencial da FIFA, o The Times e o L’Équipe noticiaram em outubro que o órgão regulador do futebol europeu está a considerar apresentar Arsène Wenger, que atualmente trabalha como diretor de desenvolvimento global do futebol da FIFA.
O francês de 77 anos não hesitou em condenar, em agosto, o esquema falhado de Infantino para a venda do Campeonato do Mundo - a proposta FIFA Forward Enterprise -, afirmando que "a decisão de retirar o projeto foi absolutamente necessária e inquestionável, porque acredito firmemente numa FIFA independente que sirva o nosso desporto com empenho, transparência e integridade".

O antigo treinador do Arsenal conta com o apoio da Federação Francesa de Futebol (FFF), cujo presidente, Philippe Diallo, destacou as qualidades de Wenger numa entrevista ao Ouest-France.
"As suas qualidades são inquestionáveis. Além disso, goza de renome internacional, o que pode muito bem ser outro fator importante. Por isso, cumpre claramente muitos dos critérios exigidos para ser considerado candidato. No entanto, em assuntos como estes, trata-se acima de tudo de uma decisão pessoal: estará alguém disposto a comprometer-se com algo que, inevitavelmente, exigirá muito da sua parte? Em última análise, trata-se, portanto, de uma decisão que cabe a ele", afirmou Diallo, que revelou que a UEFA tinha contactado vários candidatos.
Michele Kang
O segundo nome que se diz constar da lista de candidatos preferidos da UEFA é o de Michele Kang, a empresária norte-americana de 67 anos, proprietária e presidente do OL Lyonnes, do London City Lionesses, do Washington Spirit e do Olympique Lyon. Kang entrou no futebol feminino em 2020, tornando-se a proprietária maioritária do Spirit, da WNSL, três anos antes de adquirir a equipa feminina do Olympique Lyon e as Lionesses, da WSL.
A empresária nascida na Coreia do Sul reconheceu que não sabia muito sobre o desporto antes da vitória dos EUA no Mundial de 2019: "Nem sequer sabia quem era o (Lionel) Messi. Se a seleção feminina dos EUA não tivesse vencido o Mundial em 2019, não teria havido uma celebração no Capitólio e eu não teria sido convidada para a receção. Foi aí que tomei conhecimento pela primeira vez da liga profissional feminina, bem como de uma equipa chamada Washington Spirit".

A chave do seu sucesso é ter a equipa certa à sua volta, disse ela ao Financial Times: "Não sabia nada sobre futebol. Mas se existe algo como a minha fórmula secreta, é rodear-me das melhores pessoas, que são mais inteligentes do que eu. Contrato o melhor treinador, o melhor diretor-geral e o melhor diretor técnico. Se vou interferir nas suas decisões, para que é que os contrato?".
Kang é frequentemente criticada, na qualidade de proprietária de clubes, pelos gastos exorbitantes com taxas e salários, que distorcem o mercado, e pela propriedade de vários clubes ao mais alto nível. É também uma doadora frequente do futebol norte-americano, tendo doado mais de 50 milhões de dólares para apoiar os programas femininos e infantis da U.S. Soccer.
Lise Klaveness
O terceiro nome na suposta lista da UEFA é Lise Klaveness, a atual presidente da Federação Norueguesa de Futebol (NFF). Klaveness foi a primeira mulher eleita presidente da NFF em 2022 e é uma opositora de longa data de Infantino.
Antes de se tornar presidente da NFF, Klaveness foi durante muito tempo internacional norueguesa, tendo disputado 73 jogos pela antiga campeã do Mundo. Klaveness é também especialista em direito do trabalho, juíza adjunta no tribunal de Oslo e ex-membro do conselho de administração da Associação Norueguesa de Jogadores.

Klaveness criticou a FIFA e Infantino pela Organização do Mundial de Futebol de 2022 no Catar e pelo tratamento dispensado aos trabalhadores migrantes e aos adeptos LGBTQ+ nesse país do Golfo; questionou o processo de candidatura para o Mundial de Futebol de 2034, que, segundo ela, favoreceu fortemente a Arábia Saudita; apelou à abolição do Prémio da Paz da FIFA em abril de 2026, liderou a indignação generalizada face à decisão da FIFA de anular a suspensão do avançado norte-americano Folarin Balogun para os oitavos-de-final do Mundial e assumiu a liderança na oposição da UEFA à proposta FIFA Forward Enterprise.
O The Times e o L’Équipe revelaram que Klaveness constava da lista da UEFA, mas a própria presidente da NFF ainda não tinha a certeza se se iria candidatar à presidência da FIFA, como afirmou ao The Guardian.
"O meu nome surgiu algumas vezes, e interpreto isso como um sinal de que as pessoas estão preocupadas com a governação, porque temos sido muito francos sobre esta questão. Temos desempenhado um papel a nível internacional que não é a forma mais eficiente de angariar votos. Penso que temos sido muito francos, por isso, desta vez, não creio que isso seja uma possibilidade para mim, e também não tem sido um tema que me tenha ocupado verdadeiramente".
Perguntas frequentes
Qual é o prazo para os potenciais candidatos à presidência da FIFA?
O prazo para os candidatos à presidência da FIFA apresentarem oficialmente a sua candidatura, apoiada por cinco membros da FIFA, termina às 21:59 (hora de Portugal Continental) de quarta-feira, 18 de novembro.
O que é que os candidatos à presidência da FIFA precisam para uma candidatura oficial?
De acordo com os Estatutos da FIFA, os candidatos à eleição presidencial da FIFA precisam do apoio de cinco dos 211 membros da FIFA antes de poderem candidatar-se oficialmente.
Quando é a eleição presidencial da FIFA?
A eleição presidencial da FIFA terá lugar durante o 77.º Congresso da FIFA, na quinta-feira, 18 de março.
Quem são os candidatos confirmados para a eleição presidencial da FIFA?
A 5 de novembro, o atual presidente da FIFA, Gianni Infantino, o antigo defesa suíço Ramon Vega e o antigo presidente da JFA, Kozo Tashima, eram os únicos candidatos com candidaturas confirmadas.
Será que Gianni Infantino pode perder a eleição presidencial da FIFA?
Gianni Infantino poderia perder a eleição, embora isso pareça improvável, uma vez que a AFC, a CAF, a CONMEBOL e a OFC confirmaram o seu apoio ao atual presidente. A 5 de novembro, mais de 120 dos 211 membros da FIFA tinham confirmado o seu apoio a Infantino.
