Dificilmente alguém destronará ‘Kika’ como a grande figura da Missão portuguesa nesta edição dos Jogos do Mediterrâneo, uma vez que a nadadora de 23 anos ganhou medalhas em todas as provas em que competiu, nomeadamente hoje nos 800 metros livres.
Campeã nos 400 livres, Martins somou o terceiro bronze, após os conquistados nos 200 livres e na estafeta mista dos 4x100 estilos, ao nadar a distância em 8.30,33 minutos, sendo 68 centésimos mais lenta do que a campeã, a italiana Noemi Cesarano.
“Foi muito bom. Era a expectativa que eu tinha, lutar pelas medalhas nestes campeonatos. Consegui realizá-lo, o que nem sempre acontece, por isso estou muito feliz”, resumiu, antes de ir “finalmente” de férias após uma época “muito longa, muito positiva e de muito trabalho”.
O feito da quatro vezes medalhada ofuscou a proeza de Ana Pinho Rodrigues, novamente vice-campeã dos 50 bruços quatro anos depois de Oran-2022.
“Acho que demonstra a consistência do trabalho que tenho vindo a fazer. São quatro anos de diferença e conseguir estar sempre bem e chegar a este nível aqui, conseguir corresponder, que acho que é o mais importante, não dá para explicar”, disse a olímpica, de 32 anos, que perdeu apenas para a italiana Lisa Angiolini.
Igualmente de prata foi a segunda medalha conquistada por Tiago Antunes, que foi batido na prova de fundo pelo local Tommaso Dati.
Campeão no crono há dois dias, o ciclista português esteve hoje na origem do ataque que decidiu o pódio, recompensando o extraordinário trabalho da equipa nacional no final dos 133,3 quilómetros da corrida masculina.
“Todos vestiram o espírito do que é representar a bandeira de Portugal, todos corremos por um objetivo e, no final, conseguimos uma medalha”, elogiou Antunes, vice-campeão numa prova em que Pedro Silva foi sétimo.
Com um pelotão de apenas três dezenas de ciclistas, a prova de fundo feminina percorreu 77,7 quilómetros em Taranto e arredores e foi discutida ao sprint, com Raquel Queirós a ser 13.ª e Beatriz Roxo 17.ª, com o mesmo tempo de Rachele Barbieri, a italiana que encabeçou um pódio 100% nacional.
“Sabíamos que hoje a corrida ia ser mais tática do que física, tentámos estar em todos os cortes e conseguimos. Infelizmente, nenhum deu certo”, lamentou Queirós, notando que a chegada ao sprint não favorecia as portuguesas.
No badminton, Diogo Glória entrou em competição no torneio de singulares com uma vitória clara frente ao grego Stamatis Tsigkirdakis, por 21-13 e 21-12, num jogo em que teve o apoio dos esgrimistas Miguel e Filipe Frazão, os irmãos que conquistaram na véspera dois bronzes na prova individual de espada em Taranto-2026.
“As condições aqui não são fáceis, é muito difícil controlar o volante. Eu sei que era mais forte do que o meu adversário, portanto tentei meter o volante sempre em jogo, sempre para ele fazer mais uma pancada e ser ele a errar”, descreveu à agência Lusa.
A organização decidiu ligar o ar condicionado no Palazzetto dello Sport di Francavilla, o que faz com que haja sempre “vento para o volante”, explicou o jogador português.
Depois de “entrar com o pé direito” no torneio e até ser abordado por um voluntário que lhe pediu a camisola, Glória defrontou o argelino Adel Hamek, um jogador “com muita experiência internacional”, e venceu por 21-18 e 21-10 para avançar para os ‘quartos’.
Já Mafalda Avelino, ficou-se pela primeira ronda, ao cair diante da primeira cabeça de série do quadro feminino, a turca Neslihan Arin, por 21-10 e 21-14.
“É sempre uma experiência boa. A verdade é que ela é top 30 mundial e não é todos os dias que temos a oportunidade de jogar com o topo do mundo. É sempre bom jogar com atletas com tanta experiência, também para perceber quão longe estamos desse nível e ver o que é preciso fazer para lá chegar”, disse a portuguesa, considerando que lhe falta “mais consistência”.
Numa jornada em que a agenda da Missão portuguesa em Taranto-2026 foi consideravelmente menos sobrecarregada do que nos dois dias anteriores, Sofia Araújo e Ana Catarina Nogueira estrearam-se com uma vitória no torneio de pares femininos de pares.
A dupla portuguesa, que teve entrada direta na terceira ronda, venceu as turcas Zeynep Kocak e Didenaz Polat, por com um claríssimo duplo 6-0, e avançou para os quartos de final.
Pelo contrário, na petanca, Hugo Dores e Márcio Araújo terminaram a sua participação no doublete masculino, ao perderem na terceira e última ronda da qualificação por 11-2 com a França.
