Ir para o conteúdo principal

Taranto-2026: A emoção de Camila Rebelo por voltar a levar dois ouros para casa

Camila Rebelo renovou o título nos 100 metros costas
Camila Rebelo renovou o título nos 100 metros costasComité Olímpico de Portugal

Camila Rebelo fez esta terça-feira soar "A Portuguesa" pela segunda vez no Estádio de Natação Torre d’Ayala, ao renovar o título nos 100 metros costas, com novo recorde dos Jogos do Mediterrâneo, mostrando-se emocionada e orgulhosa.

“Poder fechar o campeonato, a época longa que foi, com dois ouros no Jogos Mediterrâneos e uma (medalha) de bronze, acho que só tenho de estar orgulhosa do trabalho que tenho feito nos últimos anos”, resumiu, em declarações à agência Lusa.

Tal como há quatro anos, em Oran, na Argélia, a nadadora olímpica de 23 anos juntou o título nos 100 costas ao dos 200, despedindo-se de Taranto-2026 novamente com dois ouros, aos quais somou o bronze conquistado na estafeta mista 4x100 estilos.

É uma emoção poder levar mais dois ouros para casa. A estafeta no segundo dia também foi algo muito importante. Para mim, especial, porque dividi com colegas de equipa, colegas de trabalho, colegas de treinos, estágios, a comitiva”, enumerou.

Camila Rebelo nadou hoje os 100 costas em 1.00,37 minutos, estabelecendo um novo recorde dos campeonatos e impedindo que o hino italiano soasse pela enésima vez esta tarde no Estádio de Natação Torre d’Ayala, uma vez que superou as locais Federica Toma (1.00,74) e Martina Biasioli (1.01,12), respetivamente segunda e terceira.

Acho que só reparei que havia recordes no campeonato depois de nadar os 200 costas, e fui ver qual é que era o recorde dos 200 e dos 100, e percebi que, se calhar, os 100 era ‘fazível’, mas, sobretudo, era desfrutar da prova e chegar o mais à frente possível. Se fosse o recorde do campeonato, era um extra”, revelou.

Vice-campeã europeia dos 200 costas, a nadadora lusa aterrou na cidade italiana sem saber como o seu corpo ia reagir ao desgaste da participação nos Europeus Aquáticos de Paris.

Em natação, nós sentimos muito que o ‘taper’ é naquela altura, e o ‘taper’ é feito para um determinado dia, um determinado curto período de tempo. E, depois, quando chegamos para uma competição um bocadinho depois daquilo que é o nosso habitual ‘taper’, ficamos com a sensação de que não sabemos muito bem o que é que vai acontecer”, assumiu.

No entanto, Rebelo continuou a acreditar “o mais possível”, lembrando-se de que a sua época estava feita com a prata no Europeu, que “era um objetivo”.

Em Taranto-2026, a agora novamente bicampeã só queria desfrutar de uma competição muito acarinhada por si, ou não tivesse sido nos Jogos do Mediterrâneo que conquistou as suas primeiras medalhas internacionais.

Se conseguisse ouro, prata, bronze ou até uma final, um recorde pessoal já era excelente”, pontuou, considerando que a sua passagem pela ‘cidade dos dois mares’ foi perfeita.

A nadadora lusa disse ter-se sentido inspirada pelos resultados dos seus colegas, nomeando Francisca Martins, a sua amiga e colega de quarto na ‘Vila dos Atletas’, que se sagrou campeã nos 400 livres e conquistou bronzes nos 200 e 800 livres e na estafeta 4x100 estilos.

“Abrir o campeonato com duas medalhas de ouro, a minha e a da Kika. Depois tivemos muitos quartos lugares, o pódio na estafeta. De dia para dia fomo-nos motivando e espero que isso seja também a ideia dos outros, não só a minha. Mas, sem dúvida alguma, ver colegas de equipa a chegar ao mais alto nível é um motivo de orgulho”, afirmou.

Rebelo elogiou ainda Ana Pinho Rodrigues, que renovou em Taranto o estatuto de vice-campeã mediterrânica dos 50 bruços.

“Ver a Pinho, que é a mais velha do grupo, a poder também superar-se a si mesmo... acho que é um sinal de longevidade e também quero poder chegar a essa altura com tanta força como ela tem. Força de vontade e de trabalho”, salientou.

Agora, a olímpica portuguesa, que hoje chorou ao abraçar-se à comitiva da natação nacional após subir ao pódio, vai de férias, tendo um plano simples para os próximos tempos: “Descansar o corpo e a mente”.

Esta época foi muito comprida, já não tinha uma época tão longa há muito tempo. Mas, sem dúvida alguma, saber que estava a treinar bem e ter bons resultados, deu-me vontade ainda mais para continuar e chegar ao final da época com a força toda”, concluiu.


Menções