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Estoril Open: Tiago Torres não quis passar vergonha e deu show na sua estreia

Tenista português Tiago Torres no Estoril Open
Tenista português Tiago Torres no Estoril OpenZUMA Press Wire / Shutterstock Editorial / Profimedia

O tenista português Tiago Torres temeu passar uma vergonha na sua estreia no Estoril Open, mas o objetivo de dar um show acabou por colocá-lo na segunda ronda depois de vencer o georgiano Nikoloz Basilashvili.

Recorde as incidências do encontro

“Eu disse ao (treinador) Vasco (Martins): 'Estou aqui a passar uma vergonha'. Dezoito minutos e estava 4-1, não estava a conseguir jogar, ele jogava muito rápido e estava a custar-me muito a habituar-me ao estilo de jogo dele. E só pensei para mim, tenho que tentar dar aqui um bocadinho de show a esta malta que veio ver. Não quero estar a jogar a primeira vez no Estoril Open e perder em 40 minutos. Portanto, deu o meu melhor e no final deu”, assumiu.

O campeão nacional e 430.º do ranking mundial venceu Basilashvili (135.º), por 6-4 e 6-2, e admitiu que houve algum demérito do adversário no arranque da sua reviravolta, depois de o georgiano cometer “três, quatro erros básicos de quem estava meio desligado”.

“Eu consegui meter-me e quando ele tentou ligar já foi muito tarde, basicamente foi isso. Acho que foi mais no início demérito dele do que mérito meu. Depois obviamente meti-me no jogo e correu lindamente, mas no início foi claramente para mim demérito dele”, assumiu.

Confessando que o seu diabrete lhe diz ao ouvido para ir festejar e o anjinho que “há jogo na quarta”, frente ao chileno Alejandro Tabillo, e tem de se acalmar, Torres confessou que “não é nada fácil” gerir as emoções num encontro destes.

“Eu ganhei o primeiro set e eu assim, e agora? Será que dá para ganhar dois? Vou ganhar dois? Passa muita coisa. Uma coisa é estar a jogar os torneios que eu estou habituado a jogar, em que eu já estou habituado a ganhar vários jogos e habituado a perder, é vida. Mas nestes torneios, claramente, quando fiz o 4-4 no primeiro set, pensei, dá para ganhar? Se calhar dá, não sei. Muitas emoções, consegui gerir bem, felizmente”, afirmou.

Torres, de 24 anos, assumiu que não foi fácil gerir a emoção durante o encontro e até antes, encontrando-se “num turbilhão de emoções”.

“Não estou em mim sequer que entrei no Estoril Open, o quanto mais ganhar uma ronda. Foi brutal, nunca tinha jogado com tanta gente, já tinha jogado com 200, 300 pessoas. Nunca com um estádio basicamente cheio. No início foi muito complicado, estava muito nervoso, mas com o andar do jogo consegui mostrar bom ténis e conseguir ganhar. Estou muito feliz”, afirmou.

Convidado da organização, quando pensava apenas em poder jogar a qualificação, Tiago Torres confessou que teve “dois dias a digerir isto tudo” e que domingo nem treinou “nada de especial”, por estar “tão nervoso”.

“Estou emocionado, aqui à vossa frente não, mas mais ali atrás, hei de chorar, não sei. É o trabalho de muitos anos, de pessoas, muitas pessoas que acreditaram em mim, que deram tudo por mim, do meu pai, que viaja sempre para me ver jogar, a federação tem-me ajudado muito também”, referiu.

Depois de ter disputado o campeonato universitário norte-americano, Tiago Torres tornou-se profissional a tempo inteiro há um ano e tinha como objetivo entrar agora no top 500, algo que já conseguiu, com a vitória desta segunda-feira a garantir a entrada no top 400.

“Tem sido um ano acima das expectativas. Não só em termos de ranking, até podia não ser em termos de ranking, podia ser em termos de trabalho, em termos de nível que estou a jogar. Às vezes o ranking não condiz bem com o nível que estás a jogar, mas felizmente eu acho que estou a jogar melhor do que o meu ranking, e isso é muito importante, mas tenho de mostrar dentro do campo, não é só nos treinos, portanto é dia a dia e continuar”, concluiu.