Recorde as incidências do encontro
Com os pais e irmã mais nova na bancada, a vibrar e a sofrer com cada ponto ganho, cada erro não forçado, Tiago Torres, de 24 anos, apesar de condicionado pelos nervos, eliminou na primeira ronda o georgiano, vencedor de cinco títulos ATP, em apenas dois sets, por 6-4 e 6-2.
“Nunca estivemos nestas situações, é normal que ele esteja nervoso e tenha sido um arranque lento. Mas, depois aos poucos, foi-se adaptando, descobrindo o caminho, conseguiu jogar melhor o princípio do ponto, recorrer a bolas altas, abrandando o ritmo e fazendo o outro jogar mais o ponto”, comentou Vasco Martins, um dos treinadores da equipa técnica do lisboeta.
O suspiro profundo e visível, aquando da entrada no court central, denunciava a tensão e ansiedade do jovem tenista português (427.º ATP), que entrou em jogo muito preso de movimentos e a cometer vários erros não forçados, especialmente ao nível do serviço.
Ultrapassados o nervosismo e devolvido um dos dois ‘breaks’ sofridos logo de entrada, Tiago Torres soltou-se, ganhou novo fôlego e, de acordo com o treinador, “em alguns momentos oportunos, até conseguiu pegar no ponto e também ser ele a dominar a linha de fundo".
“É um jogo bastante emotivo, aqui em casa. O primeiro no ATP Tour e no melhor torneio em Portugal. A nossa estratégia era que o jogo não ficasse muito rápido. Tirar as bolas ao nível da cintura, tentar não deixar o adversário muito parado, porque ele tem muito fogo de disparo, e começar bem cada ponto. Este também ponto-chave para conseguir entrar na troca de bolas, além de prolongar as jogadas, porque é onde nós também somos mais fortes”, revelou o técnico, auxiliado na bancada pelos colegas João Zanatti e Daniel Sualehe.
Além de “melhorar um bocadinho o serviço, que também ajudou”, Vasco Martins afirma que Torres começou a “ler melhor o serviço do adversário, mudou um pouco o posicionamento, respondendo a alguns momentos”, o que fez com que “conseguisse desbloquear e tirar proveito".
“O outro (Basilashvili) sempre muito inconstante e nós basicamente fomos aproveitando os erros ao longo do encontro. Enquanto ele andava a oscilar, nós tentámos nos manter regulares e conseguimos. Creio que no 4-2, que é quando ele já começa a deixar de estar tão nervoso, começa a sentir melhor o jogo, a conseguir disputar as jogadas e acho que isso também o tranquilizou”, acrescentou o treinador.
Visivelmente feliz com o feito do seu jogador, Vasco Martins confessa que o triunfo na abertura do 11.º Estoril Open “é a valorização do trabalho de equipa, muito unida nisto, e é mais um passinho” rumo aos principais circuitos.
“O caminho ainda é longo, ele está a fazer um grande ano e é mais um passo apenas. Acho que ainda há uma transição dos torneios Future para os Challengers, que vamos começar a fazer agora, mas acredito que as coisas possam correr bem, porque o trabalho também está a ser bem feito (3:10) e ele também está a corresponder a isso e é um competidor”, sublinhou o responsável da equipa técnica do Ace Team.
