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Ténis: Oliynykova, o duro contraste entre viver em Kyiv e jogar no circuito WTA

Oliynykova, pensativa durante um encontro
Oliynykova, pensativa durante um encontroYU CHUN CHRISTOPHER WONG / GETTY IMAGES ASIAPAC / GETTY IMAGES VIA AFP

A tenista ucraniana Oleksandra Oliynykova (25 anos), que vive o contraste entre residir em Kyiv e viajar constantemente pelo mundo, declarou esta terça-feira à AFP que o facto de o mundo do desporto voltar a integrar a Rússia é uma "vitória propagandística" para Moscovo.

A jogadora, residente na capital, Kyiv, lançou também um sentido apelo ao presidente norte-americano Donald Trump para que entregue à Ucrânia os mísseis interceptores de que necessita para se defender.

Oliynykova falou com a AFP durante o Open de Hong Kong, apenas algumas horas depois de a Rússia voltar a castigar a Ucrânia com mortíferos ataques noturnos.

Pai e namorado no exército

A guerra é especialmente pessoal para Oliynykova — que alcançou em setembro o melhor ranking da sua carreira, o 41.º lugar mundial do circuito WTA — porque o seu pai e o seu namorado estão nas forças armadas.

Também viu em primeira mão a dimensão da destruição causada na Ucrânia desde a invasão lançada pelo presidente russo Vladimir Putin em fevereiro de 2022.

Oleksandra, que este ano se tornou numa das desportistas ucranianas mais reivindicativas, emociona-se ao explicar o que sente: "Quando vejo as notícias, sinto muita empatia e, para mim, é muito doloroso ver isto. Além disso, é algo muito pessoal".

Além disso, explicou que muitas vezes fica impressionada com o contraste entre a vida no circuito de ténis e a realidade no seu país: "Quando volto a casa, vivo sob ataques e vejo edifícios destruídos", afirmou, com a voz prestes a quebrar-se devido à emoção.

Números de carreira de Oliynykova
Números de carreira de OliynykovaFlashscore

"Por vezes, não estou apenas em Kyiv. Já estive em cidades que ficam perto da frente de batalha e que sofrem imenso", comentou.

A tenista contou que acorda frequentemente devido às explosões em Kyiv, onde também há cortes de eletricidade. "Acordas e ouves aquele som, o apartamento treme", afirmou depois de perder o seu encontro inaugural em Hong Kong em dois sets.

"Digamos que chegas a casa depois do treino, não há eletricidade, tens de subir a pé até ao 20.º andar, já estás cansada e queres descansar. E nem sequer podes tomar banho. Além disso, o inverno na Ucrânia é frio".

"Precisamos de Patriot para salvar vidas"

Apesar de a guerra se prolongar, o desporto internacional está a suavizar a sua posição em relação aos desportistas russos.

As seleções masculina e feminina de hóquei no gelo da Rússia poderão regressar ao campeonato do mundo em 2027, depois de uma ausência de cinco anos.

Além disso, a Rússia acolherá o campeonato do mundo de halterofilismo de 2030.

Em julho, o Comité Olímpico Internacional (COI) aliviou as restrições aos atletas russos e abriu uma via para que possam competir em provas de qualificação para os Jogos Olímpicos de verão de 2028, em Los Angeles.

Oliynykova, que este ano disputou os quatro torneios do Grand Slam, num grande salto na sua carreira, levanta a voz porque quer que o mundo saiba aquilo por que estão a passar o seu país e o seu povo.

"Isto é horrível porque estas pessoas fazem parte da propaganda russa", afirmou.

Últimas partidas de Oliynykova
Últimas partidas de OliynykovaFlashscore

"É uma vitória para a propaganda russa, como se tivessem aceitado as pessoas. São os símbolos do país que mata pessoas todos os dias. Aceitaram as pessoas que apoiam estas coisas horríveis", expôs.

Questionada sobre se tinha uma mensagem para Trump, que na altura prometeu acabar com a guerra em 24 horas, a tenista repetiu o pedido do Governo da Ucrânia por mísseis Patriot, um dos mais importantes sistemas de armas de que a Ucrânia dispõe para intercetar os ataques russos.

"Precisamos de Patriot para defender as nossas cidades, garantir a defesa antiaérea e salvar vidas", afirmou.

"Neste momento, os russos estão a aterrorizar-nos, estão a aterrorizar Kyiv. Há mais ataques do que nunca e estão a morrer muitos civis", concluiu.

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