As coisas complicaram-se há alguns dias, quando a UEFA anunciou que os seus 55 membros tinham acordado, de forma unânime, boicotar as competições organizadas pela FIFA até que a associação presidida por Gianni Infantino pusesse fim aos seus planos de privatizar o Mundial.
Agora, com a confirmação de que a FIFA recua, o organismo regulador do desporto-rei na Europa não demorou a celebrá-lo, emitindo um comunicado publicado no seu site oficial e nas redes sociais.
"A UEFA congratula-se com a decisão da FIFA de retirar o seu plano de vender uma participação nas suas competições — incluindo o Mundial — a investidores privados", referem no início do comunicado.
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O organismo responsável pelo futebol europeu deixa também duras críticas a Gianni Infantino.
"Quando Gianni Infantino pediu a confiança e os votos das federações-membro da FIFA para ser eleito presidente em 2016, afirmou: 'Claro que temos de ser transparentes. Foi assim que fui nos últimos 15 anos da minha vida na UEFA. Tereis de participar todos os dias na vida da FIFA', antes de dizer às partes interessadas ali presentes: 'O dinheiro da FIFA é o vosso dinheiro. Não é o dinheiro do presidente da FIFA. É o vosso dinheiro. Vós sois as federações nacionais e o dinheiro da FIFA tem de servir para o desenvolvimento do futebol e para mais nada'. Não cumpriu nenhuma destas duas promessas", pode ler-se.
Fica também uma promessa: "Esta é uma vitória para todo o futebol. Mas não deve ser o fim da história. A proposta já foi apresentada. A tarefa de reconstruir a confiança na FIFA está apenas a começar".
Comunicado da UEFA
"A UEFA congratula-se com a decisão da FIFA de retirar o seu plano de vender uma participação nas suas competições — incluindo o Mundial — a investidores privados
A proposta foi rejeitada por unanimidade pelas federações nacionais da UEFA e por muitas outras federações e confederações de todo o mundo, independentemente da sua dimensão, cuja missão é proteger o futebol.
A UEFA agradece a todos os adeptos, ligas, clubes, jogadores, particulares, federações e confederações que se opuseram a este plano, bem como aos numerosos primeiros-ministros, chefes de Estado e comentadores que demonstraram ao presidente da FIFA que o futebol não está à venda.
Não podemos continuar assim, com planos secretos elaborados à pressa por pessoas anónimas e de benefício duvidoso para o desporto. É necessário identificar os responsáveis e exigir-lhes que prestem contas.
É natural que, nos próximos dias e semanas, a UEFA trabalhe com as suas federações e em estreita colaboração com outras confederações para analisar como foi possível isto acontecer e elaborar um plano que garanta que não volte a repetir-se. Essa revisão deve ser exaustiva e profunda. Nenhuma opção deve ser descartada. A atual direção da FIFA não perdeu apenas a confiança da UEFA, mas também a de muitos outros membros da família do futebol.
Quando Gianni Infantino pediu a confiança e os votos das federações-membro da FIFA para ser eleito presidente em 2016, afirmou: 'Claro que temos de ser transparentes. Foi assim que fui nos últimos 15 anos da minha vida na UEFA. Tereis de participar todos os dias na vida da FIFA', antes de dizer às partes interessadas ali presentes: 'O dinheiro da FIFA é o vosso dinheiro. Não é o dinheiro do presidente da FIFA. É o vosso dinheiro. Vós sois as federações nacionais e o dinheiro da FIFA tem de servir para o desenvolvimento do futebol e para mais nada'.
Não cumpriu nenhuma destas duas promessas. O acordo duvidoso, negociado à porta fechada e de forma opaca, que arquitetou e tentou impor, foi tudo menos transparente. E, com reservas superiores a 5 000 milhões de dólares, também não utilizou o dinheiro das federações em benefício do futebol.
A UEFA vai começar de imediato a trabalhar com parceiros e partes interessadas de todo o mundo e de todos os setores do futebol para propor uma nova forma de distribuir os recursos através do programa FIFA Forward já existente.
Temos de começar a utilizar parte desse dinheiro que permanece inativo na conta bancária da FIFA para dar o impulso inicial de que o futebol de formação e o desporto em geral necessitam em cada um dos 211 países da FIFA. Mas não é necessário vender as joias da família para o conseguir.
Esta é uma vitória para todo o futebol. Mas não deve ser o fim da história. A proposta já foi apresentada. A tarefa de reconstruir a confiança na FIFA está apenas a começar".
