O presidente da FIFA, Gianni Infantino, tem estado sob constante escrutínio depois de o organismo máximo do futebol mundial ter tentado vender participações do Mundial da FIFA a investidores individuais para angariar 20 mil milhões de dólares. A proposta foi arquivada no início de agosto, mas está a custar apoio a Infantino antes das eleições presidenciais do próximo ano.
Com o anúncio da FIFA, na quarta-feira, de que a proposta falhada 'FIFA Forward Enterprise' será apresentada ao Conselho da FIFA, a vice-presidente Debbie Hewitt apelou a Infantino para divulgar todos os documentos relacionados com os planos de venda antes de 15 de outubro, segundo Martyn Ziegler, do The Times.

Hewitt fez o pedido numa carta enviada a Infantino e ao secretário-geral da FIFA, Mattias Grafstrom, que se manifestou publicamente contra Infantino devido ao esquema de venda. Hewitt, que também preside à Federação Inglesa, manifestou a sua desilusão pelo facto de Infantino não ter contactado o Conselho da FIFA, o órgão máximo de decisão da organização, desde que anunciou a retirada dos planos 'FFE' a 5 de agosto.
Hewitt apelou ainda a uma revisão independente da proposta 'FFE' — algo que a UEFA, a CONCACAF e a AFC também solicitaram numa carta conjunta que pedia a demissão de Infantino.
Além dos ficheiros relativos ao 'FFE', Hewitt exigiu igualmente a divulgação dos documentos relacionados com a suspensão do avançado dos EUA, Folarin Balogun, antes do jogo dos oitavos de final da seleção norte-americana frente à Bélgica no Mundial-2026.
Balogun foi expulso por jogo violento no encontro dos 16 avos de final frente à Bósnia e Herzegovina, mas a FIFA retirou-lhe o cartão vermelho e a suspensão após um telefonema do presidente dos EUA, Donald Trump. Infantino defendeu a decisão na altura, afirmando que resultou de "órgãos judiciais independentes".
Perda de apoio
Gianni Infantino tem vindo a perder apoio de forma constante devido ao escândalo do FIFA Forward Enterprise, com a UEFA, a CONCACAF e a AFC a exigirem em conjunto a demissão do dirigente suíço.
Várias federações de futebol também retiraram o seu apoio, incluindo a FA de Hewitt e a KNVB neerlandesa, que apelou à realização de uma cimeira global para discutir uma reforma profunda na FIFA.
No final de agosto, a UEFA pediu a um tribunal federal dos EUA autorização para obter depoimentos e documentos de entidades da FIFA na Florida para serem usados numa queixa-crime planeada. O organismo europeu está a ponderar avançar com processos criminais contra Infantino, a quem acusa de ter contornado os processos de governação da FIFA e de não ter consultado o Conselho da FIFA, as confederações ou as federações-membro.
As federações francesa e grega juntaram-se ao grupo de federações que retiraram o apoio a Infantino nas últimas semanas, enquanto o presidente da DFB alemã, Bernd Neuendorf, afirmou ser "importante pôr fim a este sistema Infantino".
