“A equipa fez um trabalho incrível. Certamente, todos os meus companheiros sofreram mais do que eu hoje. Não lhes podia pedir mais nada e, no final, foi só rematar o trabalho deles e chegar mais um dia com a camisola”, destacou, em declarações à assessoria de imprensa da Bahrain Victorious.
Afonso Eulálio surpreendeu ao acelerar na rampa final da oitava etapa, mas acabou por perder dois segundos para Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike), que é vice na geral, a 03.15 minutos do português.
"(A etapa) era como os Mundiais, uma verdadeira clássica no final, e era mais fácil salvar o dia. Amanhã (no domingo), sabemos que vai ser muito mais difícil, no crono, quase impossível, mas, acima de tudo, é agradecer à equipa. Ver todos, todos, todos a trabalharem para mim, a acreditarem em mim, ciclistas, staffs, diretores, é incrível. E isso dá-me mais força ainda”, admitiu.
Eulálio foi 26.º, e o terceiro dos homens da geral a concluir a etapa, a 01.53 minutos do equatoriano Jhonatan Narváez (UAE Emirates), que bisou nesta 109.ª edição da prova italiana, no final dos 156 quilómetros entre Chieti e Fermo.
“Eles (os colegas) estão a fazer isso por mim, basicamente. Eles no final chegam a 20 minutos, 30. (...) Ver todo o sacrifício que eles fazem por mim acaba por me dar mais força no final e é isso que me motiva mesmo muito”, insistiu.
O figueirense de 24 anos tem no domingo um novo teste à sua liderança, nos 184 quilómetros entre Cervia e Corno alle Scale, onde a meta coincide com uma contagem de montanha de primeira categoria, e nos quais vai cumprir o seu quarto dia vestido de rosa.
“É tentar sobreviver e manter a camisola até ao dia de descanso”, reiterou, referindo-se à segunda pausa programada neste Giro, que começou em 08 de maio, em Nessebar (Bulgária), e termina no dia 31, em Roma.
Agendado para terça-feira está o contrarrelógio de 42 quilómetros que será um dos momentos decisivos para definir a geral da 109.ª edição e que pode custar a liderança a Eulálio, um ciclista que não é especialista na luta contra o cronómetro.
“É dar o meu melhor, mas sabemos que vai ser provavelmente a despedida” da camisola rosa, antecipou.
Para já, o luso da Bahrain Victorious tem uma margem ainda confortável para os perseguidores da geral, nomeadamente para o austríaco Felix Gall (Decathlon), que é terceiro a 03.34 minutos.
