Após ver o camisola amarela negar-lhe o triunfo em duas etapas, o combativo equatoriano da EF Education-Easy Post juntou-se à fuga para vencer no Tour, no alto de Orcières Merlette, depois de deixar para trás os companheiros de jornada a 3.500 metros do alto.
"(Vencer) Foi algo que me custou muito, muito. (...) Tinha tentado várias vezes, mas foi impossível chegar (à vitória). Hoje, foi um dia muito duro e estive muito atento”, salientou o terceiro classificado da edição de 2021 e rei da montanha em 2024, que subiu também ao 10.º lugar da geral.
Este é o segundo triunfo de Carapaz no Tour e o nono em grandes Voltas, com o corredor de 33 anos a derrotar o suíço Mauro Schmid (Jayco AlUla) e o norte-americano Matteo Jorgenson (Visma-Lease a Bike), respetivamente segundo e terceiro, a 45 segundos do vencedor, que cumpriu a etapa em 04:26.21 horas.
Na primeira jornada do tríptico alpino, a outra grande nota de destaque foi a inexplicável debilidade dos homens da UAE Emirates, com Tim Wellens e Brandon McNulty a descolarem ainda antes do sprinter Jasper Philipsen (Alpecin Premier-Tech) no Côte d’Engins, a contagem de primeira categoria em que Pogacar também perdeu Florian Vermeersch.
A primeira dificuldade da etapa atrasou a fuga, constituída por Jorgenson, Thymen Arensman (Netcompany INEOS), Félix Engelhardt (Jayco AlUla), Tobias Hallland Johannessen (Uno-X), Pablo Castrillo (Movistar) e Nicolas Breuillard (TotalEnergies) e ainda pelo omnipresente camisola verde Mads Pedersen (Lidl-Trek), à procura de distanciar-se de Philipsen na luta da classificação por pontos.
Na longa descida, Romain Grégoire (Groupama-FDJ) juntou-se aos sete da frente, que foram perseguidos por Carapaz, Schmid, Valentin Paret-Peintre (Soudal Quick-Step), Mathias Vacek (Lidl-Trek), Raúl García Pierna e Egan Bernal (Netcompany INEOS), o campeão de 2019.
A junção deu-se antes da Côte de Monteynard, a segunda categoria onde Paret-Peintre foi primeiro à frente de Carapaz, na luta por uma camisola da montanha que, atendendo às próximas duas etapas, deve manter-se até domingo no corpo de Pogacar.
A canibal UAE Emirates resolveu hoje entregar a vitória na etapa aos fugitivos, uma benevolência anunciada pelo camisola amarela antes do arranque dos 185,2 quilómetros entre Voiron e Orcières Merlette.
Pedersen conseguiu o objetivo de somar 25 pontos no sprint intermédio, para aumentar para 32 a distância para Philipsen, e imediatamente descaiu ao pelotão, quando na frente seguiam os três primeiros e Paret-Peintre, Pierna e Johannessen, sexto na passada edição, que no início da subida final tinham aproximadamente três minutos de vantagem para os perseguidores e seis para o grupo dos favoritos.
A razia na equipa de Pogacar continuou, com Adam Yates a descolar ainda antes de Nils Politt e McNulty a abandonar, numa abrupta queda de rendimento da UAE Emirates após o segundo dia de descanso.
A 3.500 metros do alto, Carapaz atacou e ninguém conseguiu seguir o vencedor do Giro2019. Com a vitória da etapa entregue, estranhamente nenhum dos candidatos ao pódio final ousou atacar, mesmo atendendo às dificuldades exibidas pelos UAE Emirates, com o top 10 a chegar unido à meta, a 04.35 minutos do campeão olímpico de fundo de Tóquio2020.
Nem mesmo a Decathlon, que chegou com três ciclistas no grupo de favoritos, tentou assaltar o terceiro lugar e a liderança da juventude de Isaac Del Toro (UAE Emirates), que parte para a 19.ª etapa com apenas 20 segundos de vantagem sobre o francês Paul Seixas
Assim, Pogacar irá enfrentar a primeira de duas etapas com final no emblemático Alpe d’Huez – a de sexta-feira começa em Gap e percorre 127,9 quilómetros que incluem ainda o Col du Noyer, de primeira categoria – com os mesmos 04.32 minutos de vantagem sobre o belga Remco Evenepoel (Red Bull-BORA-hansgrohe) e 06.51 sobre o seu colega mexicano.
Nelson Oliveira (Movistar) foi 70.º na jornada de hoje e está cada vez mais perto de completar a sua 24.ª grande Volta, ocupando o 73.º lugar da geral.

