Desengane-se quem pensa que o prodígio de 19 anos será uma séria ameaça ao reinado do esloveno, pelo menos nesta edição; na estreia em grandes Voltas, Seixas participará mais para aprender do que para ganhar, com o degrau mais baixo do pódio, salvo azares dos dois vencedores das últimas seis edições, a ser o máximo a que pode aspirar.
Falta experiência, mas também equipa, àquela que é a maior esperança francesa em décadas de voltar a triunfar no Tour - há 41 anos que um ciclista nacional não vence a prova - para rivalizar com os dois principais voltistas do pelotão, sendo certo que o miúdo da Decathlon também terá de lidar com a euforia da imprensa e dos fãs locais.
Pelo sexto ano consecutivo, a luta será entre Pogi e o dinamarquês, com o quatro vezes campeão a ser, inevitavelmente, mais favorito, até porque o líder da Visma-Lease a Bike chega ao Tour com o desgaste acumulado de um Giro em que só precisou de estar a 70/80% para ganhar com autoridade.
Aos 27 anos, o líder da UAE Emirates tem praticamente um pleno de vitórias esta temporada, em que só foi derrotado no Paris-Roubaix por Wout van Aert (Visma-Lease a Bike), o grande ausente (por lesão) da 113.ª edição.
Mais uma vez, o esloveno elegeu cirurgicamente o calendário, completando as lacunas na demanda para ser o melhor ciclista de sempre – ganhou a Milão-Sanremo e as Voltas à Romandia e Suíça -, e chega ao Tour com a missão de conquistar o seu quinto cetro, que lhe permitirá igualar Jacques Anquetil, Eddy Merckx, Bernard Hinault e Miguel Induráin.
Dificilmente, Pogacar, vencedor em 2020, 2021, 2024 e 2025, não se sagrará campeão da edição que arranca no sábado, em Barcelona (Espanha), até por ter entre os seus escudeiros o jovem mexicano Isaac del Toro, vice do Giro-2025 e vencedor, esta temporada, do Tour Auvergne-Rhône-Alpes (ex-Critério do Dauphiné) e do Tirreno-Adriático.
O líder da UAE Emirates é, com diferença, o melhor corredor da atualidade – e na história só rivaliza com Merckx -, e Vingegaard, apesar de todas as declarações públicas, só pode aspirar a ser vice do esloveno pela quarta vez.
Após ter vencido as edições de 2022 e 2023, o campeão em título do Giro e da Vuelta alinhará com uma Visma-Leasa a Bike mais débil sem a presença de WVA, mas com o precioso apoio dos norte-americanos Sepp Kuss e Matteo Jorgenson, que serão decisivos nas etapas de montanha.
Com os dois primeiros lugares aparentemente entregues, a lista de pretendentes a ocupar o último degrau no pódio, em 26 de julho, em Paris, é longa, a começar pelo duo de líderes da Red Bull-BORA-hansgrohe.
Florian Lipowitz e o ‘estelar’ Remco Evenepoel têm em comum o facto de terem sido terceiros e melhores jovens das últimas duas edições do Tour, sendo expectável que a formação alemã comece por proteger o duplo campeão olímpico em Paris-2024, que foi contratar à Soudal Quick-Step, este ano privada do veterano Mikel Landa, ausente desta edição por lesão.
No entanto, a avaliar pelos resultados desta época e atendendo ao facto de o belga não competir desde finais de abril, Lipo será a mais segura aposta da Red Bull-BORA-hansgrohe para estar no top 3 final.
Entre os inúmeros candidatos ao pódio estão também o equatoriano Richard Carapaz (EF Education-EasyPost), o terceiro da edição de 2021, e o espanhol Juan Ayuso (Lidl-Trek), que pela primeira vez chega ao Tour na condição de chefe de fila.
Embora tenha o bloco mais homogéneo, apesar da ausência do dececionante espanhol Carlos Rodríguez e do britânico Oscar Onley, o quarto no Tour-2025 a recuperar de lesão, a Netcompany INEOS não apresenta um real candidato ao top 3, uma vez que nem o antigo campeão Egan Bernal (2019), o francês Kévin Vauquelin, sétimo no ano passado, ou o neerlandês Thymen Arensman, quarto no Giro-2026, dão garantias.
O francês Lenny Martinez e o italiano Antonio Tiberi são candidatos ao top 10, em representação da Bahrain Victorious, tal como o australiano Ben O'Connor (Jayco AlUla), o norueguês Tobias Halland Johannessen (Uno-X), o britânico Tom Pidcock (Pinarello Q36.5) ou o belga Cian Uijtdebroeks, novo companheiro de Nelson Oliveira na Movistar.
Depois de ter igualado, no Giro-2026, o recorde do polaco Sylwester Szmyd de 23 grandes Voltas sem desistências, o corredor luso de 37 anos pode agora isolar-se caso conclua a 113.ª edição da Grande Boucle, que vai para a estrada no sábado, em Barcelona (Espanha), e termina em 26 de julho, em Paris.
As etapas:
04 jul: 1.ª etapa, Barcelona (Espanha) – Barcelona (Espanha), 19,6 km (CRE).
05 jul: 2.ª etapa, Tarragona (Espanha) – Barcelona (Espanha), 168,5 km.
06 jul: 3.ª etapa, Granollers (Espanha) – Les Angles, 195,9 km.
07 jul: 4.ª etapa, Carcassonne - Foix, 181,9 km.
08 jul: 5.ª etapa, Lannemezan – Pau, 158,3 km.
09 jul: 6.ª etapa, Pau - Gavarnie-Gèdre, 186,2 km.
10 jul: 7.ª etapa, Hagetmau - Bordéus, 175,1 km.
11 jul: 8.ª etapa, Périgueux - Bergerac, 180,4 km.
12 jul: 9.ª etapa, Malemort - Ussel, 185,5 km.
13 jul: Dia de descanso.
14 jul: 10.ª etapa, Aurillac – Le Lioran, 166,6 km.
15 jul: 11.ª etapa, Vichy - Nevers, 161,3 km.
16 jul: 12.ª etapa, Magny-Cours - Chalon-sur-Saône, 179,1 km.
17 jul: 13.ª etapa, Dole - Belfort, 205,8 km.
18 jul: 14.ª etapa, Mulhouse - Le Markstein, 155,3 km.
19 jul: 15.ª etapa, Champagnole - Plateau de Solaison, 183,9 km.
20 jul: Dia de descanso.
21 jul: 16.ª etapa, Évian Les-Bains - Thonon Les-Bains, 26,1 km (CRI).
22 jul: 17.ª etapa, Chambéry - Voiron, 174,7 km.
23 jul: 18.ª etapa, Voiron - Orcières Merlette, 185,2 km.
24 jul: 19.ª etapa, Gap – Alpe d’Huez, 127,9 km.
25 jul: 20.ª etapa, Le Bourg d'Oisans - Alpe d’Huez, 170,9 km.
26 jul: 21.ª etapa, Thoiry – Paris, 133 km.
As 23 equipas inscritas:
França (4): Cofidis, Decathlon, Groupama-FDJ, TotalEnergies.
Bélgica (3): Alpecin-Premier Tech, Lotto Intermarché, Soudal Quick-Step.
Suíça (3): Pinarello Q36.5, NSN, Tudor.
Alemanha (2): Lidl-Trek, Red Bull-BORA-hansgrohe.
Espanha (2): Caja Rural, Movistar.
Países Baixos (2): Picnic PostNL, Visma-Lease a Bike.
Austrália (1): Jayco AlUla.
Bahrain (1): Bahrain Victorious.
Cazaquistão (1): XDS Astana.
Emirados Árabes Unidos (1): UAE Emirates.
Estados Unidos (1): EF Education-EasyPost.
Grã-Bretanha (1): Netcompany INEOS.
Noruega (1): Uno-X.
