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Volta: As declarações dos protagonistas após o final da 9.ª etapa

Alexis Guérin, vencedor da etapa e líder da classificação geral
Alexis Guérin, vencedor da etapa e líder da classificação geralMiguel Lemos / Zuma Press / Profimedia

Declarações no final da nona etapa da 87.ª Volta a Portugal em bicicleta, decorrida este sábado entre Paredes e o alto da Senhora da Graça (Mondim de Basto), ao longo de 142,3 quilómetros.

Alexis Guérin (vencedor da etapa e líder da classificação geral):

“Não sou o vencedor da Volta a Portugal. Serei o vencedor quando terminar amanhã, como vencedor da classificação geral. Falta uma etapa. Ganhei na Senhora da Graça, mas, ontem um jovem perdeu a vida. Correr com a camisola negra é uma homenagem. Ganhei com a camisola negra. Esta vitória é para a família do Finlay Tarling.

Ontem, pedi ao Rúben (Pereira) para colocar algo negro na camisola, mas ele disse que a organização preferia que eu corresse com uma camisola negra, embora não soubesse se eu queria correr com ela, por causa do calor. Disse que era um dia especial e que ia prender gelo e água à camisola para fazer a corrida com a camisola negra.

O objetivo era o Artem (Nych) ganhar a etapa. Trabalhei no 'sterrato' e na subida da Senhora da Graça para o Artem, mas, no último quilómetro, disse-me que não tinha pernas para ser mais rápido do que o Neves. Na rádio, o Rúben Pereira disse-me para ganhar na Senhora da Graça, numa etapa histórica. Preparei a minha temporada para a Volta a Portugal. No ano passado, ganhei seis corridas e cheguei à Volta a Portugal com muito cansaço. Senti isso na última etapa do ano passado. No ano passado, cheguei mais fresco, com melhores sensações, com mais energia. Fiz uma boa preparação em altitude para a Torre e para a Senhora da Graça.

Amanhã teremos o Montmartre de Portugal. A etapa tem empedrado. Preciso de ter cuidado. Tenho uma vantagem de um minuto. É muito, mas não é nada. No 'pavé', podemos perder tempo. Espero ganhar a Volta. É o meu último objetivo do ano. Depois desta corrida, vou trabalhar para o meu colega para o ajudar a ganhar”.

José Neves (segundo na etapa e quarto na classificação geral):

“O objetivo era conseguir um lugar no top-10 e ganhar uma etapa. Na primeira semana, conseguimos realizar o objetivo, passando para terceiro na Torre, no 'crono' para quarto, no início da semana para quinto. Hoje, tínhamos a oportunidade de disputar a etapa. Quando vi que os adversários fraquejaram um pouco, tentei a 'sorte' a quatro quilómetros. Tentei tirar o máximo de tempo possível para tentar entrar no pódio. É um bocado frustrante perder (o lugar no pódio) daquela forma.

Não queria muito falar sobre isso (suspensão de três anos no âmbito do caso de doping da W52-FC Porto). É uma alegria estar na Volta e desfrutar do ciclismo, modalidade de que tanto gosto, e das paisagens que a Volta nos proporcionou, tal como hoje, com o 'sterrato'. Foi uma etapa muito interessante, como a etapa do Gerês. A Volta foi muito bem desenhada. Amanhã (domingo), esperamos ter muito público no Porto.

Não vai ser possível (lutar pelo terceiro lugar), porque o Pedro (Silva) é um homem rápido. Não me vou pôr nessa 'guerra', porque sei que não vou conseguir.

Vínhamos para disputar uma etapa e de colocar um homem no 'top-10'. Conseguimos colocar três homens no 'top-15'. Foi bastante bom. Estamos no primeiro lugar por equipas (a GI Group Holding-Simoldes-UDO). Na reunião da manhã, falámos que queríamos manter o segundo lugar por equipas. Subimos à liderança. A nossa Volta está feita”.

Pedro Silva (sexto da etapa e terceiro na classificação geral):

“Saímos com o objetivo de atacar o pódio. Esperava ter uma margem maior. Seis segundos é muito curto. Amanhã vamos ter uma etapa em que teremos de estar atentos às metas volantes, mas saio com o trabalho cumprido.

A equipa esteve em bom plano. Todos cumpriram com o objetivo proposto pelo André. Endurececemos a corrida. O (Oscar) esteve magnífico, a puxar. No final, quebrei muito. Cheguei a acreditar que não seria possível o pódio, mas hoje tive uma 'estrelinha' do meu lado. Durante a época, tive vários azares. Acabo por estar em terceiro, com apenas seis segundos de vantagem. É um terceiro lugar que quero defender com tudo.

Tenho consciência de que é um terceiro lugar, mas com muitos minutos de atraso para os primeiros, mas, no futuro, com o trabalho, com mais experiência, até porque sou um ciclista de 'sangue quente' e gasto energia onde não devo, acredito que, um dia, posso discutir a vitória na Volta a Portugal”.

Adrià Pericas (líder da classificação da juventude e quinto na geral):

“Foi um dia de 'má sorte'. Vínhamos com o objetivo de recuperar posições na (classificação) geral e de tentar salvar o pódio. Sofri o furo no pior momento da etapa. Foi num ponto em que os carros estavam muito atrás, porque era uma zona muito estreita. Com o muito público, não se via bem. 

Lutámos muito, mostrámos que somos fortes. É uma boa quinta posição, mas é pena perder o pódio. Se perdesse o pódio por falta de pernas, não estaria tão dececionado, mas perder por um furo é azar.

Foi uma Volta a Portugal muito boa, tirando essa situação trágica de ontem (sexta-feira, com a morte Finlay Tarling). O público deslocou-se em massa hoje. Parecia o Alpe d'Huez, com muita gente a animar. Agradeço a Portugal, à organização da Volta, à equipa e a todos os que nos apoiaram”.

Rui Oliveira (líder da classificação por pontos):

“Foi um dia de luto para todos. Era difícil sair e estar com a cabeça focada na etapa. Perdemos um colega de estrada. A melhor maneira de homenageá-lo foi correndo. Toda a gente tinha o Finlay (Tarling) no coração hoje. Toda a gente tentou dignificar ao máximo o seu nome.

O foco é recuperar. Amanhã estamos atentos à etapa. Obviamente, é especial (a Volta acabar no Porto). Não era nestas condições que queria chegar, mas a vida tem de seguir. Temos todos de ser fortes. É um dia muito especial em casa. Vou tentar aproveitar dentro do que posso para discutir a etapa”.