“A FTP apela a uma revisão urgente e estrutural do mecanismo de repartição das receitas das apostas desportivas que recupere o espírito da Lei de 2015: a criação de um sistema que sirva todas as modalidades, sem exceção”, exortou.
Em comunicado, o organismo recorda que o futebol monopoliza quase 80% das receitas e critica o sistema que, repetidamente, classifica de “injusto”.
“O triatlo, modalidade olímpica com crescente número de praticantes, resultados internacionais de relevo e organizadora de eventos de nível mundial, não recebeu até hoje um único euro proveniente do mecanismo de distribuição de receitas das apostas desportivas. Este facto não só é injusto, como representa também uma clara ausência de reconhecimento da realidade desportiva plural existente em Portugal”, lamenta a FTP.
Em 2025, segundo a grelha de distribuição das receitas das apostas pelo setor do desporto, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) mantém-se destacadamente como a principal beneficiada, com 38,78 ME, seguida da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), com 16,24 ME, da Federação Portuguesa de Ténis (FPT), com 11,49 ME, e da Federação Portuguesa de Basquetebol (FPB), com 4,64 ME.
De acordo com os dados da grelha, a FTP reforça a sua “profunda preocupação perante a injustiça estrutural do modelo em vigor”, considerando que, em 2015, o legislador deste mecanismo de apoio ao desporto “não antecipava que o sistema se tornasse tão desequilibrado e incapaz de apoiar de forma justa a diversidade desportiva nacional”.
Na verdade, nestes 11 anos de aplicação do mecanismo, a FPF amealhou 302,54 ME e a LPFP 106,38 ME, enquanto as restantes entidades, entre as quais se incluem as outras federações, arrecadaram 112,8 ME: mais de metade ficou no bolso da Federação Portuguesa de Ténis (57,4 ME) e quase um terço na Federação Portuguesa de Basquetebol (36,5 ME).
A Federação Portuguesa de Desportos de Inverno (FDI-Portugal) também conseguiu uma relevante fatia destes valores, com 7,36 ME desde 2015, restando, portanto, 11,5 ME entregues às outras federações, nestes 11 anos.
O Orçamento do Estado do Governo para 2025 incluía uma verba de 58,7 ME para o desporto, um valor abaixo do distribuído por este mecanismo.
Além de nunca ter recebido qualquer montante proveniente das receitas das apostas desportivas, a FTP recorda que atualmente funciona com “menos 30% de financiamento público real (via IPDJ) do que há 10 anos (descontado o efeito inflação), quando tem mais 26% de atletas”.
De igual modo, revela que o apoio direto do Estado reflete-se em somente 152 euros anuais por atleta, valor que considera “totalmente desajustado às necessidades reais da modalidade”, que em 2019 recebia quase mais 100 euros.
“Como se assegura a preparação de atletas de alto rendimento, o desenvolvimento de clubes, a formação de treinadores, a organização de eventos e a capilaridade territorial quando o financiamento diminui e os mecanismos criados para apoiar o desporto simplesmente ignoram modalidades inteiras?”, pergunta o triatlo, que coloca o problema ao nível de uma questão de sobrevivência.
