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FIFA encara modelo de comercialização como oportunidade em vez de obrigação

FIFA encara modelo de comercialização como oportunidade em vez de obrigação
FIFA encara modelo de comercialização como oportunidade em vez de obrigaçãoREUTERS/Brian Snyder

O modelo de comercialização dos Mundiais proposto pela FIFA e criticado por algumas entidades futebolísticas e políticas é uma oportunidade para as federações-membro, mas não uma obrigação, admitiu esta quarta-feira o presidente do organismo, o ítalo-suíço Gianni Infantino.

Na verdade, é uma proposta. Faz parte de um processo democrático, de consulta, e, acima de tudo, é uma oportunidade, não uma obrigação”, afirmou o dirigente, num vídeo publicado no sítio oficial da FIFA na Internet.

Na terça-feira, o organismo regulador do futebol mundial revelou a intenção de angariar até 4,2 mil milhões de dólares com a venda de participações dos campeonatos do mundo a privados, mas a UEFA criticou esse plano por duas vezes, falando hoje numa “oposição significativa e crescente”.

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Os Clubes Europeus de Futebol (EFC), a Associação de Ligas Europeias (EL) e algumas federações também manifestaram preocupações e críticas ao projeto da FIFA, a exemplo do primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, e do comissário europeu Glenn Micaleff, entre outros políticos.

A FIFA sofreu uma transformação na última década, com amplas reformas de governação e uma grande expansão do desenvolvimento e das competições. O reforço do lado comercial do futebol é o próximo passo natural nesta evolução. Por isso, acreditamos que a proposta desbloqueará o potencial da modalidade em todos os cantos do mundo”, expôs Infantino.

O organismo quer aumentar nos próximos anos o financiamento destinado ao desenvolvimento do futebol para mais de 10 mil milhões de dólares, através de uma nova estrutura comercial, cuja criação depende da aprovação da maioria do Conselho e das 211 federações-membro.

A proposta passa pela criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), integralmente detida pela FIFA e que reunirá os direitos comerciais do organismo, vendendo participações minoritárias a investidores privados, que não vão ter papel operacional na subsidiária, avaliada inicialmente em 20 mil milhões de dólares.

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Assim, vamos desbloquear um valor comercial até então inexplorado. Uma parcela muito pequena do crescente valor comercial do futebol chega às partes que mais precisam. Capturá-lo exige perícia e conhecimento adicionais”, observou Infantino, reiterando as promessas feitas pela FIFA.

A operação permitirá reforçar o programa FIFA Forward e vai aumentar o financiamento de desenvolvimento por federação dos atuais oito para 20 milhões de dólares no ciclo 2027-2030, de 22 milhões entre 2031 e 2034 e para 24 milhões de 2035 a 2038.

É uma oportunidade de ouro para impulsionar o desenvolvimento do futebol a nível global. Mas, mais uma vez, é apenas uma oferta, não uma obrigação. Temos o dever de estar aqui para discutir o assunto com todos”, assumiu Infantino, garantindo aos adeptos que o futebol “não vai mudar”.

A FIFA assegura que vai manter o controlo exclusivo sobre a governação do futebol, as competições, o calendário internacional e todas as decisões regulamentares e desportivas, num plano revelado depois do Mundial-2026, que foi coorganizado por Estados Unidos, México e Canadá e atingiu recordes de público e audiência na história do principal torneio de seleções.

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Os benefícios dos investimentos contínuos já são visíveis: uma década de apoio através do FIFA Forward ajudou países como Cabo Verde, Curaçau, Jordânia e Uzbequistão a chegar ao Campeonato do Mundo pela primeira vez. Queremos ajudar a criar os próximos ‘Cabo Verdes’”, notou Infantino.

O jornal britânico The Times avançou hoje que o presidente da FIFA deu um prazo de 53 dias às 211 federações-membro, entre as quais a Federação Portuguesa de Futebol (FPF), para aceitarem o modelo, a troco de alguns milhões de euros.

Para operacionalizar o projeto, a FIFA está a trabalhar com o banco J.P. Morgan, surgindo entre os potenciais investidores a Thrive Capital, fundada por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, que é genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.