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Gianni Infantino, de imbatível a vacilante

Gianni Infantino já não consegue sorrir tanto como fazia durante o Mundial
Gianni Infantino já não consegue sorrir tanto como fazia durante o MundialREUTERS/Dylan Martínez

No comando da FIFA há 10 anos, Gianni Infantino parecia ter o poder nas suas mãos até ao anúncio, na semana passada, de abrir os eventos da entidade ao investimento privado, um projeto que acabou por ser abortado e pelo qual o dirigente poderá ter queimado as asas.

Visto como praticamente indestronável, o italo-suíço de 56 anos, que também tem nacionalidade libanesa, está agora sob o olhar atento da UEFA, que considera o seu projeto "medíocre", e da CONCACAF, que vê nessa proposta "o reflexo de uma liderança que deixou de colocar o futebol em primeiro lugar".

No entanto, apesar de o dirigente poliglota ter recuado, os seus detratores não abrandaram a pressão.

Na segunda-feira, a federação galesa e a sueca anunciaram que não iriam apoiar Infantino nas próximas eleições para a presidência da FIFA, que terão lugar em Marrocos no próximo mês de março e para as quais, até ao momento, é o único candidato.

Posicionamentos inéditos e impensáveis há menos de duas semanas, após "o melhor Mundial da história", nas palavras do próprio Infantino, que parecia ter reforçado o seu domínio sobre o futebol mundial, do qual pretende "libertar o potencial comercial".

Chegado discretamente à liderança da FIFA em 2016, o ex-secretário-geral da UEFA consolidou rapidamente o seu poder, sendo reeleito sem oposição em 2019 e 2023.

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Excessos

"Restaurar a imagem da FIFA" e "tornar o futebol verdadeiramente mundial": a ambição do italo-suíço resume-se nestas duas frases, pelas quais pretendia tornar-se garante da integridade e da igualdade de oportunidades no desporto mais popular do mundo.

Sem os escândalos que derrubaram, no final de 2015, o seu antecessor Sepp Blatter e o ex-presidente da UEFA Michel Platini, que parecia ter o caminho aberto para suceder a Blatter, poucos especialistas teriam apostado neste jurista sem passado desportivo para liderar a entidade sediada em Zurique.

De mover-se nas sombras a perder o receio dos holofotes, roçando a extravagância, seja afastando as críticas sobre Direitos Humanos antes do Mundial-2022 no Catar, evocando ter sido "discriminado" em criança por ser italiano no cantão suíço do Valais, ou dizendo ter-se "inspirado", durante a intensa campanha eleitoral da FIFA em 2016, "na forma como o Ruanda se reergueu" após o genocídio de 1994.

No passado mês de dezembro, chegou mesmo a substituir a fundação Nobel, tirando da cartola um Prémio da Paz da FIFA para homenagear Donald Trump.

Os seus laços com o presidente norte-americano foram alvo de críticas, sobretudo depois de a FIFA ter levantado a suspensão ao avançado Folarin Balogun nos oitavos de final do Mundial-2026, uma decisão na qual Trump se gabou de ter intervindo.

"Populista"

Curiosamente, Infantino não pareceu fragilizar-se com esse escândalo nem com as restantes polémicas surgidas ao longo do Mundial, como a imposição das pausas de hidratação, com grande impacto económico para os patrocinadores.

Mas o anúncio, na passada terça-feira, de querer abrir as portas a investidores privados parece ter sido um ponto de viragem que ameaça agora derrubar quem parecia intocável até há pouco tempo.

A oposição não parou de crescer, até mesmo no seu círculo mais próximo, como demonstrou a demissão do seu principal conselheiro, Carlos Cordeiro.

A UEFA recorreu à sua arma máxima: uma ameaça de boicote ao próximo Mundial. O esloveno Aleksander Ceferin, presidente da UEFA, mantém uma relação fria com Infantino e classificou de "populista" a forma como o líder da FIFA se vangloriou do seu projeto de Mundial a cada dois anos em 2021, ideia que foi abandonada poucos meses depois.

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Este é um dos poucos projetos aos quais Infantino renunciou por completo, depois de ter conseguido alargar o Mundial de 32 para 48 equipas, não em 2022 como desejava, mas sim na edição de 2026.

Infantino pretende ir mais longe, aumentando para 64 equipas em 2034. E no ano passado inaugurou o tão aguardado Mundial de Clubes com 32 equipas.

As competições alargadas permitem à FIFA aumentar consideravelmente as suas receitas. Na sua vontade de "tornar o futebol verdadeiramente mundial", Infantino redistribui parte dessas receitas pelas federações nacionais, sobretudo pelas mais pobres, outra forma de consolidar o seu lugar à frente da FIFA.

Resta saber se esses apoios serão suficientes para que mantenha o seu cargo, já que Infantino nunca pareceu tão fragilizado no trono do futebol mundial.