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Lionel Messi, mais uma final aos 39 anos e ainda tanto futebol para dar

Lionel Messi voltou a brilhar
Lionel Messi voltou a brilharReuters

Lionel Messi voltou a oferecer duas assistências esta quarta-feira à noite frente à Inglaterra, numa altura em que a Argentina parecia novamente encostada às cordas. Mas, investido de uma missão após o golo inaugural de Anthony Gordon, o capitão da Albiceleste fez tudo para levar a Scaloneta a mais uma final do Mundial.

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O destino, por vezes, tem destas ironias simpáticas. Um pouco menos de 19 anos depois daquela mítica fotografia entre Lionel Messi e Lamine Yamal, em que o atual capitão da Argentina dá banho àquele que é visto como o seu legítimo herdeiro no Barcelona, os dois vão defrontar-se na final do Mundial. Será mesmo a terceira final da competição para Messi, que fez tudo para garantir o seu lugar na festa, mesmo que Anthony Gordon se tenha colocado no seu caminho e no de milhões de argentinos que sonham, desde 2022, com um segundo título consecutivo, impulsionados por um coletivo com ADN único.

21%: foi esta a posse de bola dos ingleses após o golo do novo jogador do Barcelona pela Inglaterra, com os argentinos, feridos no orgulho, a decidirem fazer tudo para, mais uma vez neste Mundial, virar o jogo. E os homens de Scaloni puderam contar com a sua bússola: Lionel Messi. Aos 39 anos, o astro argentino realizou mais uma exibição absolutamente incrível, com estatísticas históricas: nove dribles e duas assistências em 90 minutos, um feito nunca antes alcançado desde que a Opta analisa a competição (1966).

Messi leva oito golos no Mundial
Messi leva oito golos no MundialREUTERS/Carlos Barria/Opta by Stats Perform

Prova da sua omnipresença em todos os setores do jogo, foi também quem venceu mais duelos no solo, com 12, quem criou mais grandes oportunidades (2), mais passes-chave (4), mais toques na área adversária (7)... Mais uma masterclass para quem, graças às duas novas assistências, é o 1.º jogador a estar envolvido em 12 golos (8 golos, 4 assistências) numa edição do Mundial desde Gerd Muller com a Alemanha em 1970 (13 – 10 golos, 3 assistências).

Outro recorde de que o argentino se pode orgulhar: foi decisivo em cada um dos seus últimos 11 jogos no Mundial (13 golos, 5 assistências). Messi soma agora 12 assistências em Mundiais, das quais 10 foram feitas nas fases a eliminar. Nenhum outro jogador, desde 1966, conseguiu mais de oito nas fases finais. A estatística mais reveladora da sua influência no jogo é, sem dúvida, esta: com 0,86 expected assist, gerou mais xA do que toda a equipa de Inglaterra junta.

Messi é um dos melhores assistentes do Mundial
Messi é um dos melhores assistentes do MundialIMAGN IMAGES via Reuters/Brett Davis/Opta by Stats Perform

"Pelas Malvinas, pelo Diego e pela última do Leo"

A Argentina sabia, desde o apito inicial deste Mundial-2026, que apostaria todas as fichas em Lionel Messi, para quem este é o último Mundial depois daquele conquistado em 2022. Os jogadores cantaram-no, Scaloni confirmou-o taticamente e isso quase pregou partidas ao conjunto da Scaloneta, que durante muito tempo se apoiou no seu génio para vencer jogos, tanto na fase de grupos como nas eliminatórias. Com dificuldades no jogo, gostando de se pôr à prova, a Albiceleste tem sempre nas suas fileiras um seguro contra todos os riscos, um Deus a invocar quando o destino parece escurecer e a perspetiva de regressar a casa significa também o fim de Lionel Messi com a camisola azul e branca.

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Um final triste, pouco do agrado de Messi e dos seus companheiros, que a cada oportunidade entoam que querem fazer o "back-to-back" "pelas Malvinas, pelo Diego e pela última do Leo", numa versão adaptada de "Muchachos". Unidos em torno de um líder discreto, mas que é indiscutivelmente o melhor jogador da Argentina (e até deste Mundial-2026?), nesta busca pela 4.ª estrela, a Albiceleste encontrou no seu número 10 o "guia", o "equilíbrio" e o "líder", como enumerou Lautaro Martinez depois de terem eliminado o Egito nos oitavos de final.

Impulsionada por este espírito entre a camaradagem e a adoração que se reserva a um Deus, a Argentina habituou-se a ir buscar forças ao fundo de si mesma para conquistar, uma e outra vez, mais uma oportunidade de ver o seu génio brilhar perante o mundo inteiro. Todos prometeram "dar tudo" por aquele que, a cada jogo, é um pouco mais o seu salvador. Dar tudo para lhe oferecer uma segunda estrela consecutiva, algo que nenhuma equipa conseguiu desde o Brasil de Pelé e Garrincha em 1962, naquele que deverá ser o último jogo da sua carreira com a camisola branca e azul.

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O Mundial-2026 de Lionel Messi não tem nada de torneio de exibição ou de uma "Last Dance" simbólica para se promover uma última vez junto dos seus adeptos. É um lembrete para aqueles que pensaram em enviá-lo para a reforma quando escolheu Palm Beach e a MLS, de que ainda hoje, aos 39 anos, pode ser considerado nos debates sobre o título de melhor jogador do mundo.

Mundial-2026

O Campeonato do Mundo de 2026 tem lugar de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções nacionais e é disputado em 16 estádios modernos.

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