Mundial-2026: Désiré Doué, o 4.º homem de um ataque tricolor de classe

Désiré Doué deverá ser titular durante o Mundial
Désiré Doué deverá ser titular durante o MundialREUTERS

Há apenas alguns meses, o seu nome surgia apenas como uma promessa entre outras no organigrama ofensivo dos Bleus. Hoje, Désiré Doué impõe-se como o titular designado na ala esquerda da seleção francesa e, potencialmente, uma das armas mais temíveis do Mundial-2026. Um percurso fulgurante, forjado na adversidade e impulsionado por uma época que mudou a sua dimensão.

Esta época 2025/2026, no entanto, começou de forma dolorosa para Désiré Doué: lesões sucessivas na coxa e na barriga da perna afastaram-no dos relvados durante várias semanas, numa altura em que o PSG, esgotado por uma longa época 2024/2025, contava as suas forças. Quando regressa, ainda é a medo, à procura de recuperar o ritmo.

"Há diferentes momentos ao longo de uma época, altos e baixos, e o Désiré Doué mostrou toda a sua mentalidade nesta fase menos positiva", reconheceria Luis Enrique após o seu regresso. A sua disciplina na vida privada, a obsessão pelo futebol e pela sua condição física permitem-lhe, pouco a pouco, voltar ao seu melhor nível.

O relançamento chega em março, durante a digressão americana dos Bleus: um bis frente à Colômbia em Washington, os seus dois primeiros golos pela seleção em seis jogos. Logo a seguir, o PSG aproveita: nos quartos de final da Liga dos Campeões frente ao Liverpool, abre o marcador logo aos 11 minutos no Parque dos Príncipes, numa vitória por 2-0 que lança a epopeia parisiense. Depois chega o dia 28 de abril e o duelo com o Bayern: neste 5-4 de antologia na primeira mão das meias-finais, Doué está no centro do jogo ofensivo parisiense, assinando, entre outros momentos, uma assistência de rara destreza no quarto golo do PSG. No total desta época, soma 13 golos em 39 jogos em todas as competições pelo PSG.

Números de Doué
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Um papel feito à medida para o Mundial

No grupo dos 26 escolhidos por Deschamps para o Mundial-2026, Mbappé e o Bola de Ouro Ousmane Dembélé são as principais referências, com Olise e Doué a apoiar, num setor ofensivo excecionalmente recheado, com nove avançados convocados. Mas, se a hierarquia permanece teoricamente por definir, as circunstâncias falam por si. Bradley Barcola tem dificuldade em reencontrar o nível do início da época. Marcus Thuram mostrou as suas limitações na ala esquerda na derrota frente à Costa do Marfim. Hugo Ekitike foi obrigado a abdicar do Mundial devido a uma rotura do tendão de Aquiles. O corredor esquerdo está livre e Doué assume-o.

Deschamps está convencido: "É um jogador muito jovem, acabou de festejar os seus 21 anos connosco. Está pronto, é decisivo no clube e também connosco. Pode jogar em três posições, tem capacidade para eliminar, driblar, criar desequilíbrios, tem um grande volume de jogo. Nem sempre é assim no plano ofensivo. É bom tê-lo entre nós, é mais uma arma".

Uma complementaridade assumida com Barcola

A relação Doué-Barcola é menos uma rivalidade e mais uma partilha de funções. "O Bradley explora mais facilmente a profundidade com a sua velocidade. O Désiré é capaz de eliminar em espaços curtos, é eficaz à frente da baliza", resume Adrien Rabiot, o seu colega de meio-campo. Um para abrir os jogos, o outro para os fechar.

No PSG esta época, Doué ocupa o segundo lugar no ranking de dribles bem-sucedidos por jogo, apenas atrás de Khvicha Kvaratskhelia, confirmando que a sua capacidade de driblar em espaços curtos não é apenas uma perceção, mas um dado mensurável. Num ataque francês capaz de virar qualquer jogo, representa aquele extra de alma técnica que as grandes equipas procuram nos momentos decisivos. Para já, tanto em Paris como de azul, Doué leva vantagem.

Calendário de França
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