O percurso recente de Éder Militão ficou marcado por um antes e um depois desde aquela grave lesão no joelho. O central do Real Madrid sofreu uma rotura do ligamento cruzado anterior, que não só o afastou dos relvados durante vários meses, como também alterou profundamente a sua relação com o próprio corpo. Num desporto em que a explosividade, a confiança e a continuidade são fundamentais, este tipo de lesão deixa marcas que vão muito além do físico.
O processo de recuperação de um cruzado é longo, exigente e mentalmente desgastante. No caso de Militão, o regresso não foi linear: o brasileiro rompeu o ligamento cruzado anterior da outra perna e, além disso, já teve recaídas.
Apesar de ter mostrado momentos do seu melhor nível, a sensação de fragilidade esteve sempre presente, tanto no seu rendimento como na perceção externa. Cada sprint, cada mudança brusca de direção ou cada salto transformam-se em pequenos testes de resistência psicológica, em que o receio de voltar a lesionar-se pesa tanto como a exigência competitiva.
Os seus números confirmam-no: ao serviço do Real Madrid, participou em 21 jogos, um registo bastante baixo tendo em conta a sua importância dentro de campo e no balneário.

Uma lesão inicial complicada
Além disso, o seu caso tem um aspeto particular: a acumulação de contratempos após a lesão inicial. Quando um jogador não consegue manter a continuidade depois de uma recuperação tão delicada, o corpo entra num ciclo de readaptações constantes. Isto afeta o ritmo, a confiança e a sintonia com a equipa. Num clube como o Real Madrid, onde o erro não tem margem, esta instabilidade torna-se um desafio acrescido.

Do ponto de vista tático, a ausência ou irregularidade de Militão também obrigou a equipa a reinventar-se defensivamente. O seu perfil — rápido, agressivo no corte e dominante nos duelos — é difícil de substituir. Além disso, até ao momento, apenas Rüdiger destacou-se pela regularidade. Huijsen teve dificuldades de adaptação. As constantes lesões de Alaba e Raúl Asencio impediram-nos de consolidar um lugar no onze inicial do Real Madrid. Para lá do coletivo, o verdadeiro drama é individual: o de um futebolista que sabe que a sua melhor versão existe, mas que luta por recuperá-la em plena incerteza física.
Ainda assim, a história de Militão não terminou. Muitos jogadores conseguiram regressar ao seu nível após lesões graves, mesmo que o caminho seja longo e repleto de dúvidas. A chave estará na gestão das cargas, na paciência e no acompanhamento médico e psicológico. Porque, nestes casos, recuperar não é apenas voltar a jogar, mas voltar a confiar plenamente num corpo que, durante algum tempo, deixou de responder como antes.
