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Em eliminatórias desta dimensão, os guarda-redes costumam assumir um papel decisivo. Uma defesa no momento certo, um erro evitado por centímetros ou um penálti travado no instante crucial podem mudar o rumo de uma época e até da história do clube.
O Friburgo já fez algo inédito ao chegar até esta fase, mas ainda sonha com a presença em Istambul. Para isso, contará com Noah Atubolu. Do outro lado, o SC Braga tem em Hornicek um dos pilares da temporada.
Além do duelo entre alemães e portugueses, esta partida coloca frente a frente dois guarda-redes em ascensão, já determinantes no percurso europeu das respetivas equipas.
Atubolu, a promessa alemã que brilha nos penáltis
Nascido e formado em Friburgo, Noah Atubolu, que completa este mês 24 anos, estreou-se pela equipa principal com apenas 20, ainda como suplente do internacional neerlandês Mark Flekken.
A saída do guarda-redes para o Brentford abriu as portas da titularidade a Atubolu e, desde então, o lugar pertenceu ao jovem guardião, que participou em 45 jogos do Friburgo e foi totalista na Bundesliga e na Liga Europa.

Numa altura de transição na baliza da seleção alemã, após a saída de Manuel Neuer e os problemas físicos de Marc-André ter Stegen, o internacional sub-21 começa a entrar nas contas da equipa principal.
"Teve a oportunidade de se afirmar muito jovem e, por isso, já tem muita experiência para a idade que tem", analisou Claas Becker, jornalista do Flashscore.
Aos 23 anos e titular nas meias-finais da Liga Europa, Atubolu pode ambicionar a voos mais altos, como a Premier League, da qual já se confessou um fã: "O objetivo de qualquer jogador é chegar ao topo", disse no ano passado ao Bild.

Avaliado em 19 milhões de euros pelo Flashscore, o guardião termina contrato com o Friburgo em junho de 2027 e já chamou a atenção de vários clubes europeus.
"É um guarda-redes muito moderno, peça fulcral na construção de jogo do Friburgo e, consequentemente, muito forte com os pés", explicou Claas Becker.
Apesar de ter demonstrado "alguns problemas esta época", Atubolu promete ser uma barreira difícil de ultrapassar na Floresta Negra e há uma estatística que deve servir de alerta para Carlos Vicens caso a eliminatória seja decidida nas grandes penalidades: o guardião do Friburgo defendeu seis dos últimos sete penáltis contra a sua equipa!
Hornicek, o muro da Pedreira
Do outro lado vai estar uma das grandes referências da temporada do SC Braga. Em Portugal, os elogios para Lukas Hornicek começam a escassear e só mesmo Diogo Costa, titular da seleção e capitão do FC Porto, impede o checo de ser considerado o melhor guarda-redes a jogar em solo nacional.
Contratado por apenas 1 milhão de euros pelo SC Braga, em 2020/21, beneficiou da saída de Matheus Magalhães, durante anos titularíssimo na Pedreira, e não voltou a olhar para trás.
"Cheguei a pensar que ia ser emprestado, porque achei que ia ser difícil render o Matheus. É uma lenda do clube e é sempre complicado tirar o lugar a um jogador que deu tanto e representa muito do que é o SC Braga. Não é fácil", reconheceu o checo posteriormente, ao podcast Nxt.

Se a época passada foi apenas uma revelação, em 2025/26 Hornicek não só confirmou o estatuto de titular como é, aos dias de hoje, uma das grandes referências do SC Braga, ao lado de nomes como Ricardo Horta e Rodrigo Zalazar.
Ligeiramente mais alto do que Atubolu, Hornicek também completa 24 anos em breve (13 de julho) e apresenta já potencial para se tornar no próximo grande encaixe do clube, apesar de ainda não contar com uma internacionalização pela República Checa, algo que deve mudar em breve, até porque já foi convocado.
O palco da Liga Europa tem sido decisivo para o crescimento de Hornicek e para a própria afirmação no panorama internacional do guardião, que terminou sete dos 13 jogos realizados na prova sem qualquer golo sofrido, o que faz com que o arsenalista apresente o melhor registo da competição.
"Sinto que tenho um melhor domínio de bola. Seja com as mãos ou com os pés. Tenho uma perceção do futebol diferente da que tinha na altura. Pode dizer-se que o meu QI futebolístico mudou. Tecnicamente, cresci muito", afirmou, em 2024, em entrevista ao Flashscore, sobre a evolução desde a chegada a Braga.
Tal como Atubolu, Hornicek é um guarda-redes moderno, completo e crucial no futebol de posse da equipa de Carlos Vicens. Frio com a bola nos pés, é entre os postes que vai brilhando, não apenas devido aos reflexos apurados na linha de golo, mas, tal como o colega de posição, também nas grandes penalidades - defendeu três esta temporada.
Numa eliminatória que promete ser decidida nos detalhes, o protagonismo pode não estar apenas nos pés, mas nas mãos. Em Friburgo, Atubolu e Hornicek não lutam só por um lugar na final de Istambul, mas também por um momento que pode definir uma carreira e, quem sabe, motivar o próximo passo.

