A curta deslocação a Salzburgo não seria uma viagem de trabalho comum para Aleksander Ceferin. Inicialmente, o foco estaria na Supertaça europeia, numa noite descontraída e em conversas informais na bancada. No entanto, após o início da luta pelo poder na FIFA, uma questão crucial dominou o primeiro encontro dos líderes do futebol europeu:
Como manter unida a frente contra Gianni Infantino?
Um possível desafiante
O presidente da UEFA, Ceferin, líder da rebelião contra o chefe da FIFA, reuniu pessoalmente, pela primeira vez, os decisores do futebol europeu numa cimeira de crise em pleno clima de resistência. Várias reuniões estavam agendadas nos dias em torno do duelo entre Paris Saint-Germain e Aston Villa. E dificilmente as exigências públicas por reformas profundas na federação mundial passaram despercebidas em Salzburgo.
Segundo o jornal Guardian, a UEFA, juntamente com os seus aliados da Ásia e da América do Norte e Central, já estará a trabalhar num "documento de princípios" para uma nova FIFA. O foco está na função, na estrutura e no futuro modelo de governação da federação mundial. Um aspeto central é também a distribuição dos fundos, que Infantino sempre utilizou como instrumento de poder.

O quadro, refere ainda o jornal britânico, poderá ser adotado por um possível desafiante nas eleições de março de 2027, caso o atual presidente não aceite participar no processo. É um segredo aberto que a UEFA, a CONCACAF e a AFC - que aumentaram a pressão sobre o presidente da FIFA após o fracasso do plano de investidores -, pretendem, sobretudo, a queda de Infantino.
No entanto, para muitos observadores, a destituição do líder absoluto não seria suficiente. Há cada vez mais vozes a exigir uma limitação do poder do presidente, seja quem for a ocupar o cargo.
Ameaças vazias ou grandes mudanças?
O antigo responsável pela ética da FIFA, Hans-Joachim Eckert, que foi afastado pouco depois de Infantino assumir funções, defende, por exemplo, um secretário-geral independente para gerir os assuntos da FIFA, bem como um presidente com funções meramente representativas. Também estão em discussão limites mais rigorosos para os mandatos ou uma presidência rotativa entre as seis confederações continentais a cada quatro anos.
"Já vivemos crises suficientes na FIFA para saber que uma simples mudança no topo não chega", sublinhou Ronan Evain, da Football Supporters Europe.
Andrea Florence, da Sports and Rights Alliance, defende que a crise atual deve "dar novo impulso a reformas há muito necessárias". Sem alterações, teme a organização, poderá voltar a existir "um sistema que tolera a corrupção e encobre irregularidades".
Como poderá ser, em concreto, esse "documento de princípios" do trio da oposição, permanece por agora em aberto. Para Ceferin, contudo, não é o único foco em Salzburgo. O presidente da UEFA continua a exigir uma avaliação independente do plano de investidores de Infantino e precisa de manter a coesão interna, para que o anúncio de boicote dos europeus não se revele uma ameaça vazia já no Mundial feminino de sub-20, que se realiza dentro de menos de um mês.
Com tudo isto, ninguém pensa numa noite de futebol tranquila.
