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MMA quer lugar olímpico após estreia nos Jogos Asiáticos

Behruz Khurshedzoda, do Tajiquistão (vermelho), e Yryskeldi Duisheev, do Quirguizistão
Behruz Khurshedzoda, do Tajiquistão (vermelho), e Yryskeldi Duisheev, do QuirguizistãoMOHD RASFAN / AFP

Um desporto que já foi proibido em grande parte dos Estados Unidos, e que ficou famoso por ser apelidado de "luta de galos humana" por um político de destaque, está agora a fazer uma aposta ambiciosa nos Jogos Olímpicos.

As Artes Marciais Mistas, mais conhecidas como MMA, estreiam-se esta semana nos Jogos Asiáticos, no Japão – um marco que lutadores e organizadores esperam que um dia conduza a um prémio ainda maior.

Galastein Tan, diretor-geral da Federação Internacional de Artes Marciais Mistas, afirmou que estar presente nos Jogos Asiáticos foi "um grande passo".

"Tal como em qualquer desporto, a inclusão nos jogos continentais é fundamental", disse à AFP em Nagoia.

"Obviamente, a inclusão significa que já existe uma boa estrutura de governação, há membros e atletas suficientes para competir, o regulamento está definido, os oficiais estão prontos e, por isso, é algo muito significativo", acrescentou.

Numa academia compacta, semelhante a um pavilhão escolar, homens e mulheres disputam combates em categorias separadas perante um público modesto, mas entusiasta.

Muitos dos competidores vêm de países com tradições fortes em desportos de combate – como a Tailândia, o Cazaquistão, as Filipinas e o anfitrião Japão, só para citar alguns.

A inspirar uma geração

Para os adeptos do Ultimate Fighting Championship (UFC), o promotor de MMA que se tornou sinónimo do desporto, há uma diferença imediata.

No UFC, que em junho realizou um evento no relvado sul da Casa Branca, os combates decorrem dentro de um octógono cercado.

Nos Jogos Asiáticos, os atletas combatem num tapete branco e cinzento, mas não estão cercados por grades.

Uma vista da mão de Dooho Choi, da Coreia do Sul, durante o seu combate frente a Patrício Pitbull
Uma vista da mão de Dooho Choi, da Coreia do Sul, durante o seu combate frente a Patrício PitbullLuke Hales/Getty Images/AFP

Para os praticantes habituados a lutar numa jaula, isto exige alguma adaptação – uma vedação "não está realmente alinhada com os valores olímpicos", afirmou Tan.

Conseguir que todos concordem com as regras da competição, incluindo os movimentos permitidos, é um dos grandes obstáculos para o MMA chegar aos Jogos Olímpicos.

Teo Hui Hoon, de Singapura, que já garantiu pelo menos a medalha de prata, disse que o reconhecimento nos Jogos Asiáticos e Olímpicos vai incentivar uma geração a praticar o desporto.

"Acho que vai aumentar muito o número de talentos", afirmou.

"Vai motivar mais crianças e adolescentes a praticar o desporto e a levá-lo a sério. Porque agora existe um percurso claro, certo? Pode-se integrar uma equipa nacional e, depois, o passo seguinte é ir aos Jogos Olímpicos", acrescentou.

"Estamos prontos"

O MMA não é o único desporto a estrear-se no principal evento desportivo da Ásia e a ambicionar um dia chegar aos Jogos Olímpicos.

Também o teqball – uma mistura entre futebol e ténis de mesa – e ainda o padel, um desporto de raquete em rápido crescimento, estão presentes.

O campo é assim bastante concorrido, e há muitos outros desportos com ambições olímpicas.

Se o MMA quiser lá chegar, ainda há muito trabalho árduo e lobby político pela frente.

"Temos mantido conversações com o COI e outros intervenientes relevantes que têm influência ou poder de decisão sobre o reconhecimento", afirmou um Tan otimista.

O desporto conta com Dana White do seu lado – o chefe do UFC apoia abertamente a inclusão olímpica.

Entre as outras questões no longo caminho para o reconhecimento olímpico, há quem veja o MMA como demasiado violento.

No entanto, impulsionado pelo sucesso fenomenal do UFC, o MMA é hoje mainstream – bem diferente dos anos 90, quando o senador norte-americano John McCain comparou as primeiras versões do desporto a lutas de galos.

Unir todo o universo do MMA sob uma única entidade reguladora é também essencial para que um dia haja lugar nos Jogos Olímpicos.

Los Angeles em 2028 é demasiado cedo, seguindo-se depois Brisbane, quatro anos mais tarde.

"Nada é impossível", disse Tan.

"Esperamos que o MMA seja um desporto que os Jogos Olímpicos considerem relevante e que consiga cativar tanto adultos como jovens. (É) um desporto com apelo global e que está pronto e apto a integrar o calendário de uma grande competição. Portanto, se o COI ou LA28 vierem perguntar se o MMA quer ser modalidade de medalha ou de demonstração, estamos prontos", assegurou.

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