Poucos podem dizer que ganharam um Grande Prémio de Fórmula 1. Daniel Ricciardo é um desses eleitos. De facto, o australiano terminou em primeiro em oito ocasiões entre 2011 e 2024 e acumulou um total de 24 pódios.
No entanto, uma temporada dececionante com a Racing Bulls no seu último ano acabou por pôr termo à sua carreira no Grande Circo. Foi algo que lhe pesou durante muito tempo, mas com que parece já não ter tantos problemas.
Pelo menos, é essa a conclusão que se retira da sua participação no Beyond the Grid, o podcast da F1: "Acho que a minha perceção era de que estava a falhar, de que não estava a render ao nível que me era exigido naquele momento ou de que não era capaz de terminar a temporada, ou fosse o que fosse. Então surge uma sensação de humilhação, como se tivesse falhado e não tivesse feito aquilo de que antes era capaz. Ao tentar lidar com os meses que se seguiram, apercebi-me de que, na realidade, só estava a esconder-me da humilhação", analisou, a propósito do que o levou a deixar a competição.
"As pessoas viam-me em público. Divertia-me, bebia um copo ou fazia o que quer que fosse, mas, na realidade, só estava a esconder-me daquilo que sentia no mais profundo do meu ser: muita dor e tristeza. Sabes, antes era aquele rapaz que esperava, no mínimo, lutar por um título mundial e, obviamente, ganhar corridas ou fosse o que fosse, mas agora é como se... bem, tivesse desaparecido", acrescentou.
No entanto, reconhece que a passagem do tempo o foi ajudando a sarar, ao olhar para a sua carreira com maior perspetiva: "Ganhei corridas. Refletir sobre isso pode ser avassalador. Mas agora que me encontro, digamos, num bom momento, com os pés assentes na terra, sinto-me muito orgulhoso e, em muitos sentidos, surpreende-me que tudo isto tenha acontecido", concluiu.
