A desmedida ambição do esloveno da UAE Emirates levou-o festejar o quarto triunfo nesta edição do Tour, e o 25.º na prova francesa – aos 27 anos, já só está a 10 vitórias do recordista Mark Cavendish -, depois de atacar no Col du Haag, a mais de sete quilómetros da meta instalada em Le Markstein, onde já tinha vencido há três anos.
“Foi um dia verdadeiramente perfeito, tínhamos marcado esta etapa desde o início”, descreveu o vencedor, que cumpriu os 155,3 quilómetros desde Mulhouse em 4:00.07 horas
Com o triunfo final entregue a Pogacar, que só não igualará o recorde de cinco vitórias na geral da Grande Boucle se tiver um azar, é a luta pelo pódio que tem animado esta edição, com Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike) a ver o seu estatuto de vice ser novamente questionado, perante a exibição de Seixas, terceiro atrás do mexicano Isaac del Toro, também da UAE Emirates.
Os dois jovens gastaram mais 38 segundos do que o camisola amarela, enquanto o vencedor das edições de 2022 e 2023 perdeu 44 e está já a 4:30 do esloveno, após uma jornada em que o resiliente Remco Evenepoel (Red Bull-BORA-hansgrohe) protagonizou outra recuperação impossível para salvar o seu lugar no pódio.
A curta, mas intensa, 14.ª etapa começou debaixo de um dilúvio, desincentivando qualquer ataque antes do sprint intermédio, em que Jasper Philipsen (Alpecin-Premier Tech) foi o primeiro, à frente do camisola verde Mads Pedersen (Lidl-Trek).
No Grand Ballon, a primeira das três contagens de primeira categoria da jornada, Thomas Pidcock (Pinarello Q36.5) voltou a atacar, integrando um numeroso grupo com mais de três dezenas de corredores, no qual também estavam Egan Bernal (Netcompany INEOS), Tobias e Anders Halland Johannessen (Uno-X), Richard Carapaz e Ben Healy (EF Education-EasyPost) ou Matteo Jorgenson (Visma-Lease a Bike).
Devido aos nomes presentes na fuga, a UAE Emirates nunca deixou a vantagem dos fugitivos ir além dos dois minutos, a diferença registada quando Carapaz e Healy, Valentin Paret-Peintre (Soudal Quick-Step) e os gémeos Johannessen passaram pela primeira vez na meta.
Com Pidcock atrasado, a equipa do camisola amarela deu mais margem aos homens da frente, que foram, depois, alcançados por Einer Rubio (Movistar), com o sexteto a coroar em conjunto o Ballon d'Alsace.
A ascensão ao Col du Haag eliminou progressivamente os fugitivos, mas também o britânico da Pinarello Q36.5, que acabou por sucumbir ao ritmo imposto pela Decathlon de Seixas, após ter sido demasiado ambicioso ao estar em fuga pelo segundo dia consecutivo – desceu cinco posições na geral, sendo agora nono.
O incansável Carapaz isolou-se a 14,5 quilómetros do final, sem que Tobias Halland Johannessen o conseguisse acompanhar de imediato, enquanto no grupo de favoritos eram Florian Lipowitz (Red Bull-BORA-hansgrohe) e o prodígio francês de 19 anos os primeiros a atacar.
Vingegaard assumiu a dianteira do grupo, com Evenepoel a perder mesmo o contacto com os demais favoritos, que apanharam os fugitivos a 8.300 metros da meta.
Faltavam 7,5 quilómetros quando o tetracampeão atacou para reforçar a sua amarela, com o seu eterno rival a ser aquele que primeiro respondeu, recebendo, depois, a companhia de Seixas e Del Toro, num momento que pode significar uma passagem de testemunho entre gerações.
Os dois jovens bateram o experiente líder da Visma na luta pelo top 3 da etapa, com o mexicano da UAE Emirates, de 22 anos, a superiorizar-se ao francês, perante a incredulidade de Vingegaard, quarto a 44 segundos.
Evenepoel foi igual a si próprio: veio de trás para alcançar o colega Lipowitz e Juan Ayuso (Lidl-Trek) e perdeu apenas quatro segundos para o dinamarquês, segurando o último lugar do pódio, a 5.04 de Pogacar.
Novo líder da classificação da juventude, por troca com Ayuso, Seixas subiu à quarta posição, tendo apenas 15 segundos de desvantagem para o duplo campeão olímpico, após uma etapa em que, pela primeira vez, esteve verdadeiramente ao ataque.
O português Nelson Oliveira (Movistar) foi 89.º, a mais de 34 minutos do vencedor, numa jornada em que, apesar das mexidas provocadas pela queda de Pidcock, os integrantes do top 10 se mantiveram, ocupando agora o 81.º posto da geral.
No domingo, antes de cumprirem o segundo dia de descanso da 113.ª edição, os ciclistas enfrentam nova jornada de alta montanha, nos 183,9 quilómetros entre Champagnole e Plateau de Solaison, onde a meta coincide com uma contagem de categoria especial.
