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Tour: Soren Waerenskjold estreia-se a ganhar na prova na 11.ª etapa

Soren Waerenskjold estreia-se a ganhar na prova na 11.ª etapa
Soren Waerenskjold estreia-se a ganhar na prova na 11.ª etapaREUTERS/Stephanie Lecocq

Soren Waerenskjold entrou esta quarta-feira na história da Volta a França, ao ganhar a etapa em linha mais rápida das 113 edições da prova, para cuja média contribuiu decisivamente o ciclista português Nelson Oliveira.

Aos 26 anos, o norueguês da Uno-X estreou-se a vencer no Tour, à quarta participação, surpreendendo os favoritos no final dos 161,3 quilómetros entre Vichy e Nevers, percorridos a uma média de 50,91 km/h, a mais rápida de sempre numa etapa em linha da Grande Boucle.

“Esta é a minha maior vitória até ao momento. Como disse quando vim para cá (Volta a França), sabia que havia dois ou três ciclistas que são mais rápidos do que eu, mas se tivesse sorte e fizesse um bom sprint, como hoje, era possível”, lembrou um ainda incrédulo Waerenskjold.

O ciclista da Uno-X aproveitou um erro de cálculo de Cees Bol, que lançou o seu companheiro Olav Kooij (Decathlon) sem o ter na roda, e isolou-se para não mais ser apanhado, nem mesmo pelo neerlandês, que foi segundo com as mesmas 03:10.06 horas do vencedor.

O terceiro a cortar a meta foi Jasper Philipsen (Alpecin-Premier Tech), mas o belga voltou à sua versão Disaster e foi relegado para o último lugar do pelotão, onde chegou o seu amigo e camisola amarela Tadej Pogacar (UAE Emirates), por ter dado um encosto a um ciclista da Picnic PostNL a 400 metros do risco.

Assim, foi o também belga Milan Fretin (Cofidis) a fechar o pódio da etapa em linha mais rápida de sempre no Tour, com o novo recorde de velocidade a superar os 50,356 km/h a que se correu a quarta etapa da edição de 1999, ganha pelo italiano Mario Cipollini.

Para esta histórica média muito contribuiu Nelson Oliveira (Movistar), o português que andou mais de 140 quilómetros em fuga e foi apanhado a apenas 6.000 metros da meta, acabando por perder 36 segundos numa jornada em que Pogacar se isolou no terceiro lugar do ranking de mais dias de amarelo na Grande Boucle (61), deixando para trás Miguel Induráin após já ter feito o mesmo com Chris Froome.

À 11.ª jornada, o calor tórrido finalmente deu descanso aos ciclistas, que iniciaram os 161,3 quilómetros desde Vichy, cidade que apareceu pela segunda vez no percurso do Tour 74 anos depois da estreia, sob uma chuva miudinha.

Com o sprint intermédio nem 30 quilómetros depois da partida, a Lidl-Trek tentou anular todas as iniciativas para que Mads Pedersen alcançasse o maior número de pontos na defesa da camisola verde, mas não conseguiu evitar que Oliveira fugisse na companhia de Julian Alaphilippe (Tudor), Anthon Charmig (Uno-X) e Mathis Le Berre (TotalEnergies).

Liam Slock (Lotto Intermarché) ainda tentou alcançar o quarteto que se destacou ao quilómetro 13, mas acabou por desistir, numa altura em que a fuga tinha menos de dois minutos de vantagem para o pelotão, a diferença máxima que alcançou.

O recordista nacional de participações em grandes Voltas (24) esteve pela terceira vez em fuga neste Tour, resistindo na frente na companhia de Charmig e Le Berre até aos derradeiros 6.000 metros.

Esta quarta-feira, falharam Tim Merlier (Soudal Quick-Step), o vencedor de duas etapas que nem ficou entre os 10 primeiros, e novamente Philipsen e Biniam Girmay (NSN), com Waerenskjold a aproveitar a hesitação dos principais sprinters após a precipitação de Bol para somar a 19.ª vitória da carreira e a mais importante de um currículo onde constam a Omloop Nieuwsblad (2025) e um título mundial de contrarrelógio em sub-23 (2022).

“Às vezes, tenho confiança e acredito em mim, mas há muitas vezes em que me sinto supercansado e que é impossível ganhar aqui. É de loucos que tenha acontecido hoje. (...) Tenho que absorver isto e, depois, provavelmente devo ficar mais feliz do que pareço agora. Mas é uma grande surpresa para mim”, confessou o norueguês.

Após a 11.ª etapa, Pogacar manteve intactas as diferenças para os perseguidores na geral, nomeadamente para o dinamarquês Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike), segundo a 03.36 minutos, e para o belga Remco Evenepoel (Red Bull-BORA-hansgrohe), terceiro a 04.06, mas não se livrou de um susto.

“Houve um momento, em que um bidon caiu à frente da minha roda e quase caí. Assustei-me ali, já me via no chão, mas felizmente consegui manter-me na bicicleta”, descreveu o líder da geral, na qual Oliveira é 83.º, a mais de duas horas.

Na quinta-feira, os sprinters têm uma última oportunidade para brilhar antes do regresso da montanha, nos 179,1 quilómetros entre o circuito automobilístico de Magny-Cours e Chalon-sur-Saône.