Já vencedor da sétima e oitava etapas, o belga da Soudal Quick-Step demonstrou estar num patamar acima dos outros, esquivando uma queda ocorrida nos 450 metros finais dos 179,1 quilómetros entre Magny-Cours e Chalon-sur-Saône para impor-se na 12.ª tirada, diante da mulher e do filho Jules.
Aos 33 anos, Merlier festejou o sexto triunfo na Grande Boucle, e o terceiro desta edição em cinco chegadas ao sprint, batendo o jovem neerlandês Olav Kooij (Decathlon) e o compatriota Jasper Philipsen (Alpecin-Premier Tech), que vê escassearem as oportunidades para não falhar neste Tour.
“Dá-me motivação extra ganhar por eles (mulher e filho). Esta (vitória) é especial, porque eles estavam cá hoje. Não é fácil ganhar precisamente no dia em que eles estão de visita”, admitiu o sprinter belga, que é companheiro da filha do emblemático Frank Vandenbroucke, que morreu em 2009 com apenas 34 anos.
A vitória categórica de Merlier aconteceu já depois de um queda deixar o pelotão cortado – e o colombiano Fernando Gaviria (Caja Rural) e o francês Dorian Godon (Netcompany INEOS) tão maltratados que tiveram de desistir da prova -, sem que as diferenças registadas na meta contassem, por terem acontecido dentro dos cinco quilómetros de segurança.
Assim, Tadej Pogacar (UAE Emirates) manteve a amarela e as diferenças da geral na véspera de uma etapa, a mais longa desta edição, que definiu como “estranha” e que vai levar os ciclistas a percorrerem 205,8 quilómetros entre Dole e Belfort, que incluem uma subida ao Ballon d'Alsace, de primeira categoria, situada a três dezenas de quilómetros da meta.
O esloveno, que foi creditado com as mesmas 03:38.53 horas do vencedor, tem 03.36 minutos de vantagem sobre o seu eterno rival, o dinamarquês Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike), com o belga Remco Evenepoel (Red Bull-BORA-hansgrohe) a fechar o pódio, a 04.06.
Hoje, foram várias as tentativas de fuga após a inédita saída do circuito automobilístico de Magny-Cours, mas foi o francês Baptiste Veistroffer (Lotto Intermarché), o grande animador da quinta etapa, o primeiro a ganhar uma diferença considerável para o pelotão.
O francês fugiu ao quilómetro 27 e recebeu a companhia do veterano italiano Damiano Caruso (Bahrain Victorious), a despedir-se do Tour, assim como dos compatriotas Ewen Costiou (Groupama-FDJ United) e Mattéo Vercher (TotalEnergies) três dezenas de quilómetros depois.
Antes de os fugitivos se juntarem, Mads Pedersen (Lidl-Trek) foi segundo, de forma aparentemente irregular, no sprint intermédio, mas os comissários foram benevolentes com o dinamarquês da Lidl-Trek, que reforçou a sua camisola verde.
O quarteto nunca conseguiu mais de dois minutos de vantagem para o pelotão, comandado novamente pela Soudal Quick-Step e pela Alpecin-Premier Tech, desta vez com a colaboração da NSN, de Biniam Girmay.
Antes da entrada nos últimos 50 quilómetros, Vingegaard furou, mudou de bicicleta e teve de perseguir o pelotão, já depois de Caruso e Vercher terem descolado da frente de corrida.
Veistroffer foi o último dos fugitivos a ser alcançado, a uns 33 quilómetros da meta, quando Quinn Simmons (Lidl-Trek) promoveu um ataque seguido por mais de uma dezena de corredores, entre os quais o seu colega Mathias Vacek, Filippo Ganna (Netcompany INEOS), Fred Wright (Pinarello Q36.5) ou Davide Ballerini (XDS Astana).
A contagem de montanha de quarta categoria situada a menos 20 quilómetros da meta inspirou o grupo a tentar a sua sorte, mas a fuga, apesar da qualidade dos seus componentes, não ganhou mais de 20 segundos da vantagem e foi anulada.
Numa estratégia ousada da Lidl-Trek, Derek Gee e Toms Skujins também atacaram e Simmons e Vacek voltaram a tentar, numa tentativa de eliminar a concorrência de Pedersen. Apesar dos vários ataques na parte final, a etapa disputou-se mesmo ao sprint, com o camisola verde a ser apenas nono, e a ver Girmay aproximar-se graças ao quarto lugar – estão separados por 40 pontos nesta classificação.
O português Nelson Oliveira (Movistar) chegou integrado no pelotão e é 83.ª da geral, após uma jornada em que Jules, o filho de Tim Merlier, subiu ao pódio com o pai e ainda recebeu um autógrafo de Pogacar.
“Ele ainda é pequeno, mas penso que se lembrará (do momento) e que lhe poderemos mostrar as imagens mais tarde”, salientou o belga.
