Primeiro a terminar 24 grandes Voltas consecutivas sem desistências, após completar a mais recente edição do Tour, em França, no 65.º lugar da classificação geral, o corredor, de 37 anos, tem contrato válido com a Movistar até ao final de 2027 e, habituado a trabalhar para colegas com mais aspirações, espera ainda ganhar uma prova.
“Agora, começa a ser um ano de cada vez. Tenho mais um ano de contrato. Depois, depende de como correr o próximo ano. Se tudo correr bem, tento seguir mais um ano. Quero ganhar uma corrida. Qualquer uma”, assumiu à Lusa, antes da partida da quinta etapa da Volta a Portugal em bicicleta, em Anadia, o concelho onde nasceu e cresceu.
Ciente de que as 24 Voltas consecutivas são “uma recompensa por todo o sacrifício e todo o trabalho” enquanto gregário, já que não é um “ciclista ganhador” nas corridas mais longas, o ciclista de Vilarinho do Bairro visitou a comitiva da Volta a Portugal, prova em que participou em 2010, pela Xacobeo-Galicia, num dia de contrarrelógio, a sua especialidade.
Campeão nacional de ‘crono’ em quatro ocasiões, protagonista de seis classificações no top 10 em campeonatos do mundo, incluindo o quarto lugar de 2017, em Bergen, na Noruega, e detentor de dois diplomas olímpicos, após os sétimos lugares de Rio2016 e de Paris2024, Nélson Oliveira mostrou-se agradado com o protagonismo dado ao Velódromo Nacional de Sangalhos, ponto de partida.
“Faz sentido promover uma estrutura destas, com a ajuda da Volta, para fazer esse reconhecimento ao Velódromo. Saiu daqui o Iúri Leitão, o Rui Oliveira, o Ivo Oliveira. Eu próprio treinei aqui muitas das vezes para preparar os cronos”, frisou.
Anadia é também a sede do Clube de Ciclismo da Bairrada, instituição que Nelson Oliveira preside e que conta com a principal formação júnior em Portugal, a Blackjack-Bairrada, que reúne ciclistas de todo o país e participa em várias corridas no estrangeiro.
“A Bairrada tem atletas de todo o país, e isso faz com que tenhamos melhores resultados. Temos uma boa estrutura. O próprio Centro de Ciclismo da Bairrada vai competir fora do país competir. É preciso apoio do município, como de um sponsor, que, neste caso, é a BlackJack. Faz esse esforço para que tenhamos um bom orçamento”, salienta, a propósito do clube, que, em 2016, acolheu o voltista João Almeida.
O corredor da Movistar salienta que o acesso de corredores portugueses de futuras gerações ao WorldTour, escalão maior do ciclismo de estrada, exige o apoio de empresas e dos pais, “responsáveis por os filhos seguirem o seu ‘sonho’” e “suporte de todo o desporto na formação jovem”, para se garantir uma formação a partir de idades mais jovens.
“Em Anadia, gostava de formar uma escola de ciclismo, dos infantis aos cadetes (11 aos 16 anos), para haver uma continuidade e chamar mais jovens. Era preciso apoio de mais empresas para a formação, para que haja mais procura e surjam mais talentos”, aponta.
A cumprir a 11.ª temporada consecutiva ao serviço da Movistar, o experiente português prepara-se para a Volta a Alemanha, entre 19 e 23 de agosto, antes de rumar ao Canadá, para as clássicas de Quebeque e de Montreal, cidade que acolhe os campeonatos do mundo deste ano, entre 20 e 27 de setembro.
Sem ainda saber o que o espera no final da época, Nelson Oliveira assume o desejo de cumprir, pelo menos, mais uma das grandes voltas, o que lhe pode alargar o recorde, e elege, sem hesitação, o Tour como a mais especial das ‘três grandes’, embora o Giro sobressaia pela beleza natural das Dolomitas, montanhas no nordeste italiano.
“O Tour é aquela prova em que todos estão bem. Ali, não há falhas. Temos de estar no pico de forma. Há uma pressão de fora, dos próprios patrocinadores. É o Tour, transmitido para quase todos os países do mundo. Há uma certa pressão mediática por detrás”, esclarece.
