“Há um passado do qual não nos podemos dissociar. Há muita coisa bem feita, baseada em boas práticas empresariais e quem vier vai ter de aproveitar o que há de positivo. Como secretário-geral tive intervenção direta em muitos projetos de modernização da FPB, mas há muito a mudar e há que ter poder para o fazer. E como não gosto do negativismo da palavra rotura, prefiro chamar-lhe uma candidatura de evolução, baseada numa liderança transformacional, em que os vários agentes da modalidade são também eles parte integrante dessa evolução”, assumiu.
Em entrevista à agência Lusa, João Carvalho diz conhecer o que foi feito e que tem “uma visão clara sobre o que é preciso mudar”, sobretudo “na organização, no modelo de geração de receitas, na proximidade com os vários agentes” e na forma como se “vai preparar o futuro da modalidade e em que a tecnologia terá um papel muito relevante”.
O atual secretário-geral decidiu avançar com esta candidatura porque acredita que “o basquetebol português pode dar um salto qualitativo nos próximos anos”, com a sua “formação académica em gestão, a experiência profissional e o percurso de aprendizagem na federação”.
“Senti que este era o momento certo para dar um passo em frente e colocar esse conhecimento ao serviço de um projeto que não se limita a gerir o presente, mas que constrói o futuro com ambição e responsabilidade. A equipa que consegui reunir e os apoios manifestados por diversos agentes da modalidade foram, igualmente, fatores preponderantes na decisão que tomei”, referiu.
Para o quadriénio 2026-2030, João Carvalho destaca três grandes prioridades, colocando em primeiro lugar “a sustentabilidade financeira, com um plano estruturado de diversificação de receitas e de controlo de gastos, e onde o projeto Casa das Seleções é um objetivo estratégico”.
O candidato aposta também na “modernização da Federação, com uma forte aposta na transformação digital e na simplificação de processos” e no “desenvolvimento da base da modalidade, com maior responsabilização das Associações Distritais neste processo (...), com foco na formação, na captação de jovens a partir do espaço escolar, na valorização dos vários agentes, incluindo a arbitragem e também na redução das assimetrias regionais”.
Para João Carvalho, “as seleções constituem o propósito principal da atuação da FPB” e para que Portugal continue a estar nas grandes competições “é necessário reforçar o investimento na formação e criar melhores condições de preparação para as seleções”, sendo “fundamental garantir alinhamento entre os clubes, as associações e a Federação, para que o desenvolvimento do talento seja consistente e sustentado”.
“Os clubes são a primeira fonte de deteção de desenvolvimento de talentos. As Associações secundarizam os clubes e à FPB cabe ter a capacidade para desenvolver a nata da nata, transformando-os em jogadores capazes de representar o nosso país ao mais alto nível. Para tal há que criar sistemas de apoio financeiro para que os clubes e as Associações se sintam motivados e recompensados por desempenharem esse papel”, considerou.
A presença nos Europeus masculino e feminino em 2025 “é sempre fruto de trabalho de qualidade desenvolvido pelos clubes, pelas Associações e pela FPB”, com o candidato a não acreditar que se deveu apenas ao aumento do número de apurados, que já tinha acontecido há mais tempo – em 2011 para os masculinos e em 2007 para os femininos.
“Parece-me inequívoco que, nesta perspetiva, o trabalho realizado nos escalões de formação e as condições proporcionadas nos escalões seniores ao longo dos últimos anos teve um papel decisivo. O desafio agora é consolidar essa presença, correndo o risco desejável de vulgarizá-la nos próximos anos”, referiu.
Considerando que “o basquetebol continua a ter uma base muito sólida, que evoluiu muitíssimo no pós-pandemia”, João Carvalho considera que “não há uma solução única” para garantir o financiamento, “mas há um caminho claro: diversificar receitas”.
“A Federação não pode depender excessivamente de uma única fonte, seja ela qual for. É necessário desenvolver uma estratégia comercial, atrair parceiros, valorizar os ativos da modalidade e criar novos modelos de financiamento. Isso exige profissionalização e visão de longo prazo”, assumiu.
Para o candidato, organizar uma grande competição em Portugal “é possível, mas exige planeamento, credibilidade institucional e capacidade de mobilização de parceiros que tenham uma dimensão internacional”, alertando ainda para “a inexistência de instalações desportivas com capacidade para oito a 10 mil espetadores”.
“Em Portugal chegou a pensar-se na organização conjunta com Espanha de uma fase do Eurobasket feminino, mas o risco financeiro era elevadíssimo (estamos a falar de alguns milhões de euros), sem garantia de financiamento necessário, e o retorno desportivo incerto. Acreditamos que temos condições para organizar uma fase final, mas temos de preparar esse caminho com tempo, estratégia e sem colocar em causa a solidez financeira da federação. Será sempre um projeto com um horizonte temporal de longo-prazo”, afirmou.
João Carvalho elogiou ainda Neemias Queta, único português na NBA, que considera “uma referência extraordinária e um exemplo inspirador, não apenas pela capacidade técnica e física que tem, mas sobretudo pela persistência que tem demonstrado em dar passos sólidos que o projetam para dimensões superiores, fruto de muito trabalho e de uma força mental tremenda”.
“Queremos explorar a referência Neemias, mas sabemos que não é uma tarefa fácil, pois há contratos de publicidade que têm de ser respeitados e que condicionam a utilização da sua imagem. Importa também ter presente que esse impacto só se concretiza se houver capacidade de o transformar em ação: programas de captação, presença nas escolas, conteúdos digitais e iniciativas que aproximem os jovens da modalidade. O talento inspira, mas é preciso estrutura para o captar e depois para o manter”, concluiu.
João Carvalho lidera a Lista A às eleições de 25 de abril, com Carlos Barroca a ser o candidato da Lista B, sendo que a Lista C, encabeçada por Valdemar Cabral, concorre apenas ao Conselho de Arbitragem.
