Lista B apresenta-se para dar inovação à arbitragem no basquetebol

Valdemar Cabral tem reunido com as associações
Valdemar Cabral tem reunido com as associaçõesAB Viseu

A Lista B às eleições à Federação Portuguesa de Basquetebol (FPB) candidata-se apenas ao Conselho de Arbitragem (CA), encabeçada por Valdemar Cabral, que acredita que o setor precisa de inovação.

Em entrevista à agência Lusa, Valdemar Cabral revelou que a ideia de avançar com a candidatura independente ao CA surgiu “em final de outubro, novembro”, depois de ver a proposta do até à altura único candidato assumido à presidência, João Carvalho – Carlos Barroca avançou mais tarde –, considerando que era “uma opção de voltar aos anos 90, pelas ideias e pelas pessoas”.

“Lendo o manifesto, (...) não se tira nenhuma ideia nova, não há um pingo de novidade, um pingo de arrojo, um pingo de qualquer iniciativa. (...) Garantimos-lhe logo a ele (João Carvalho) que nós íamos apresentar como independentes só para o Conselho de Arbitragem, porque entendíamos que o basquetebol e arbitragem precisavam de uma inovação, de uma reformulação e de gente nova que viesse com outras competências para o processo”, afirmou.

Salientando nomes como de Fernando Rocha e Nuno Monteiro, que estavam afastados das decisões da arbitragem nacional, Valdemar Cabral garante manter um diálogo cordial com as outras duas listas, que “já assumiram que não é para qualquer um deles problema se a lista para o Conselho de Arbitragem que vier a vencer não for a lista por eles proposta”.

“Um dos problemas é a falta de apoio aos Conselhos de Arbitragem Distritais (CAD) para a captação e, acima de tudo, para o acompanhamento dos juízes. Há uma grande distância entre a federação e os Conselhos de Arbitragem. Posso-lhe dizer que nos últimos três anos houve duas reuniões do Conselho de Arbitragem com os Conselhos de Arbitragem Distritais, não é possível fazer uma planificação da arbitragem nacional sem ter em conta o desenvolvimento da arbitragem regional”, afirmou.

O presidente do CAD da Associação de Basquetebol do Porto (ABP) avança com a proposta de “um programa de mentoria, de acompanhamento dos juízes a nível regional”.

“Passa por identificar um quadro nacional de jovens árbitros, que serão, a nível regional, tutorados por um mentor formado por nós e que fará o diálogo entre nós, (CA) central, com o tutor e os árbitros regionais de mais potencial. Para quê? Para que nós possamos ir acompanhando esse desenvolvimento e, acima de tudo, que o desenvolvimento da arbitragem se faça de uma forma equilibrada ao nível de todas as regiões”, afirmou.

Valdemar Cabral fala em desequilíbrio regional e falta de pensamento estruturado no setor, dando o exemplo do basquetebol em cadeiras de rodas, em que não há árbitros em Leiria e no Porto, apesar de existirem equipas nesses distritos, sendo também “necessário desenvolver a arbitragem em zonas interiores e nas regiões autónomas da Madeira e dos Açores”.

Por outro lado, Valdemar Cabral entende que não se pode “continuar a ter uma arbitragem que se desenvolve quase de costas voltadas para a competição”, para os clubes e os treinadores.

“Uma das propostas que queremos apresentar à Federação é que seja criada uma comissão de acompanhamento, formada entre clubes e arbitragem e coordenada pela Federação, que faça acompanhamento transversal da questão da arbitragem ao nível dessas competições e que se criem fóruns onde se possam ir melhorando as estratégias, os critérios”, afirmou.

Para Valdemar Cabral, “a arbitragem atravessa um momento que não é dos melhores em termos de competências”, porque “há excelentes árbitros, mas é manifesto que o número de excelentes árbitros é insuficiente para o número de excelentes arbitragens” necessárias nas competições.

Além da necessidade do desenvolvimento da arbitragem regional e do apoio à arbitragem regional e de se apostar na formação e no acompanhamento dos árbitros, Valdemar Cabral aponta ainda um problema de comunicação, que tem de ser feita “entre o conselho de arbitragem e treinadores”.

“Não há diálogo permanente treinadores-juízes, não há diálogo permanente arbitragem-clubes, não há diálogo permanente arbitragem central-arbitragem distrital. (...) Tudo aquilo que defendemos e pugnamos, já tentámos implementar e implementámos a nível setorial e regional, onde temos tido alguma influência ou temos tido alguma intervenção. Portanto, não se trata aqui de vir agora com ideias novas, trata-se aqui de consolidar projetos, executá-los”, assumiu.

O antigo árbitro internacional comprometeu-se ainda com a criação de uma avaliação das várias propostas, garantindo que, “no final da época, qualquer um dos agentes desportivos pode verificar se foram cumpridas”.

Outra das questões levantadas por Valdemar Cabral é o orçamento apresentado aos clubes com as despesas da arbitragem, que “tem de ser cumprido”.

“Nós queremos, no início da época, discutir os custos com os clubes, com a federação, e, a partir daí, esses custos que têm de ser escrupulosamente cumpridos. Aí só pode acontecer uma coisa, é gastar-se menos do que o que estava orçamentado. Mais nunca se poderá gastar”, assegurou.

A Lista B candidata-se apenas ao CA nas eleições de 25 de abril, com João Carvalho (Lista A) e Carlos Barroca (Lista C) a apresentarem elencos completos a escrutínio.