Em entrevista à agência Lusa, o técnico, que somou o 22.º título da carreira, sublinhou que o feito “já pertence ao museu”, mas reforça o estatuto do clube no panorama nacional.
“É uma época positiva, é uma época de sucesso, uma época em que se conquista o título nacional – a Liga – é forçosamente sempre uma boa época”, salientou, lembrando que o Benfica conquistou o Campeonato, a Taça de Portugal e a Taça da Federação, apenas falhando a Supertaça.
O Benfica sagrou-se, na passada quinta-feira, tricampeão nacional feminino de basquetebol após ter derrotado o Quinta dos Lombos (77-67), no quinto e decisivo jogo pela atribuição do título no qual se destacou a partir do segundo período.
As duas equipas defrontaram-se na Linha de Cascais empatadas após quatro jogos, com o desempate a pender para as encarnadas, que alcançaram o terceiro campeonato nacional consecutivo graças a um segundo período muito bem conseguido.
Eugénio Rodrigues destacou que a temporada começou com uma dificuldade estrutural: a renovação de metade do plantel.
“Tivemos que trocar seis jogadoras. E quando se trocam seis jogadoras de uma equipa que já era campeã nacional ou bicampeã nacional, não é uma tarefa fácil”, realçou.
À Lusa, o treinador, de 56 anos, lamentou “questões de calendarização” fora do seu domínio, com a Supertaça disputada apenas a quatro semanas após o início dos trabalhos e a participação na Eurocup.
“Pouco tempo para a época, necessidade de reconstruir o plantel e um acumular de jogos, muitos deles com um índice de dificuldade máxima (…) foi o problema maior até dezembro”, disse.
As longas viagens e jogos consecutivos “à quarta na Polónia e ao domingo nas Ilhas” criaram algum desgaste.
“Tivemos duas jogadoras paradas, uma no início da época, a Emanuely Oliveira, e depois outra a meio, a Maria João Bettencourt, com várias semanas de paragem. Aliado a isso tivemos algumas lesões na final da Taça (de Portugal), que nos condicionaram todo play-off para a frente. Esta foi uma gestão muito complicada”, afirmou.
O técnico identificou ainda vários pontos de viragem competitiva, sublinhado que a vitória sobre a Quinta dos Lombos, após dois prolongamentos, foi um marco.
“É um dos nossos maiores adversários no campeonato. Foi um clique importante para percebermos que estávamos no bom caminho e que tínhamos ultrapassado a fase inicial com todos aqueles condicionalismos”, descreveu.
Também a Final Four da Taça de Portugal, vencida de “forma convincente”, reforçou a confiança, mas houve alertas internos, como a derrota com o CAB Madeira “acabou por ser um gatilho importante”.
A estabilidade emocional e competitiva foi construída com metas faseadas.
“Tínhamos objetivos intermédios (…), que, em alguns casos, passavam por qualificações, (…) que nos permitiam estar sempre focados naquilo que era importante, dar um foco importante também, mas com equilíbrio, entre a necessidade de continuarmos a trabalhar, termos objetivos que iam para além do microciclo da semana”, indicou.
Com a época 2025/26 a chegar ao fim, Eugénio Rodrigues definiu três pilares para futuro: “profissionalismo, resiliência e compromisso”.
“O compromisso é algo inegociável. Para quem está neste clube, independentemente do que há de acontecer na próxima época, o compromisso é um fator inegociável, (…) sem esse compromisso não é possível trabalhar num clube como o Benfica”, considerou.
O técnico disse ainda quer continuar a vencer, mas sem viver do passado.
“Estar muito mais projetado para a frente e menos para trás e é assim que os projetos se tornam claros, que os grupos ganham forma – ir à procura de vencer, de continuar a vencer”, acrescentou.
