Lisboeta, de 30 anos, André Almeida chegou a Berlim há três anos para tentar concretizar o sonho de viver exclusivamente do basquetebol, depois de uma década a conciliar os treinos em Portugal com o trabalho como designer na Federação Portuguesa de Basquetebol.
“Cheguei com uma mochila, marquei hotel para uma semana e fui bater à porta de clubes, entregar currículos e dar treinos”, recordou.
Depois de passagens pelo Sport Algés e Dafundo, SIMECQ e Sporting, acabou por escolher o Berliner SC devido à “direção jovem e com ideias novas”. Agora, termina a ligação ao clube com o primeiro título da carreira.
“A nível pessoal, significa o meu primeiro título como treinador e não poderia estar mais orgulhoso e feliz”, frisou.
A equipa orientada pelo técnico português compete na Landesliga, a segunda divisão regional de Berlim, mas conseguiu eliminar três equipas da Oberliga, o principal escalão regional, nos quartos-de-final, meias-finais e final da competição.
“Como treinador tenho de ser o primeiro a acreditar. É muito difícil enganar os jogadores”, sublinhou, admitindo que a equipa enfrentou lesões e várias ausências nas últimas semanas da época.
“O único que tínhamos a fazer era deixar tudo em campo e sair vazios de energia, mas cheios de orgulho. E assim foi”, acrescentou.
O treinador considerou que o momento decisivo aconteceu nos quartos-de-final, quando eliminaram pela primeira vez uma equipa de divisão superior.
“Foi importante para os atletas perceberem que era possível chegar longe e quebrar essa barreira mental”, sustentou.
Ainda assim, admitiu que o momento mais marcante foi levantar o troféu no último jogo ao serviço do clube berlinense.
“Os jogadores tinham muita vontade de me dar este troféu quase como agradecimento por estes três anos e eu tinha muita vontade de os ajudar a ganhar esta competição (…) Esta história só poderia terminar desta forma”, realçou.
Durante os três anos no Berliner SC, André Almeida treinou vários escalões, dos sub-11 aos seniores, masculinos e femininos, numa experiência que descreveu como intensa e transformadora.
“Houve fins de semana com três ou quatro jogos em escalões completamente diferentes. Tive de aprender rapidamente a adaptar-me”, contou.
O técnico destacou a subida de divisão dos seniores logo na primeira época, a qualificação dos sub-18 para a principal divisão regional e a integração de jogadoras nas seleções de Berlim e até na seleção nacional alemã.
A adaptação à Alemanha, admitiu, foi inicialmente difícil.
“No início foi muito complicado. Estava sozinho, longe do centro de Berlim, sem conhecer ninguém e com o inverno a aproximar-se”, recordou.
“O que mais me custou nestes três anos foi não ter sol e não poder olhar para o mar em alguns momentos”, confessou o treinador.
Apesar das dificuldades, garante não se arrepender da decisão tomada.
“Tudo se torna mais leve quando sei que tenho o privilégio de fazer o que amo”, sublinhou.
