O ciclista dinamarquês da EF Education-EasyPost integrou a numerosa fuga do dia e escapou definitivamente aos seus companheiros de jornada à entrada do derradeiro quilómetro dos 202 entre Cassano d'Adda e Andalo, estreando-se a ganhar em grandes Voltas aos 34 anos, após ter superado um verdadeiro calvário.
“Sentia falta disto no meu currículo”, confessou, depois de se impor na 17.ª etapa do Giro, com três segundos de vantagem sobre o norueguês Andreas Leknessund (Uno-X) e seis sobre o italiano Damiano Caruso (Bahrain Victorious), respetivamente segundo e terceiro.
Em junho de 2022, Valgren caiu numa ravina na Route d’Occitanie, tendo fraturado a pélvis e sofrido uma luxação de anca, além de ruturas nos ligamentos e danos no menisco. A queda quase lhe custou a carreira, mas hoje, dois meses após ter regressado às vitórias no Tirreno-Adriático, escreveu a mais bela página de um percurso em que também venceu a Amstel Gold Race (2018).
O dia feliz do corredor da EF Education-EasyPost foi o da tranquilidade do seu compatriota Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike), que chegou integrado no pelotão a 05.15 minutos do vencedor e manteve as diferenças para os perseguidores da geral: tem o austríaco Felix Gall (Decathlon) a 04.03 minutos e o neerlandês Thymen Arensman (Netcompany INEOS) a 04.27.
Afonso Eulálio (Bahrain Victorious) também segue na liderança da classificação da juventude e no quinto lugar da geral, a 05.40 minutos do maglia rosa.
Por ser uma etapa de transição e pela sua elevada quilometragem, esperava-se que a ligação entre Cassano d'Adda e Andalo fosse ideal para o sucesso de uma fuga, mas ela tardou tanto em formar-se que a média da primeira hora de corrida foi de 53,3 km/h.
Apenas na subida ao Passo dei Tre Termini, quando estavam decorridos cerca de 60 quilómetros, a fuga pegou, com uma dezena de ciclistas, entre os quais os crónicos Leknessund, Manuele Tarozzi (Bardiani CSF 7 Saber), Lorenzo Milesi (Movistar), Mattia Bais (Polti VisitMalta), além de Valgren, a ganhar dois minutos de vantagem ao pelotão.
Estes foram perseguidos por outros 18 corredores, com a junção dos grupos a dar-se a 116 quilómetros do final, numa altura em que Rémi Cavagna (Groupama-FDJ) seguia isolado e Giulio Ciccone (Lidl-Trek) trabalhava para alcançar o francês e ser o primeiro a pontuar na terceira categoria de Cocca di Lodrino.
Entre esta multidão estavam Caruso, o incansável companheiro de Afonso Eulálio, Enric Mas e Einer Rubio (Movistar), Florian Stork (Tudor) ou Jhonatan Narváez (UAE Emirates), o vencedor de três etapas nesta edição do Giro que procurava (e conseguiu) destronar Paul Magnier (Soudal Quick-Step) da liderança da classificação por pontos.
A uns 60 quilómetros da meta, Cavagna ainda foi alcançado por David de la Cruz (Pinarello Q36.5), antes de ver a sua iniciativa anulada. Foi aí que começaram as movimentações entre os principais candidatos à etapa, com Caruso a atacar para resposta de Valgren, Leknessund, Juan Pedro López (Movistar) e Gianmarco Garofoli (Soudal Quick-Step).
Aos cinco haviam de se juntar outros ciclistas como Igor Arrieta (UAE Emirates) e Rubio, que se isolou na companhia do dinamarquês da EF Education-EasyPost.
O duo entrou nos derradeiros três quilómetros com uma ligeira vantagem sobre Arrieta, que os alcançou mas nada pôde fazer quando Valgren atacou à entrada do derradeiro quilómetro, para cumprir a etapa em solitário em 04:41.33 horas.
Nelson Oliveira (Movistar) chegou a 14.57 minutos do vencedor, enquanto António Morgado (UAE Emirates) cortou a meta num grupo a 19.15. O primeiro ocupa a 64.ª posição da geral, a 02:22.25 de Vingegaard, e o jovem estreante é 127.º, a quase quatro horas do camisola rosa.
Na quinta-feira, os caçadores de etapas terão uma nova oportunidade nos 171 quilómetros entre Fai della Paganella e Pieve di Soligo, que antecedem duas jornadas de alta montanha.
