Com domínio absoluto, como se esperava no início da ‘corsa rosa’, o ciclista da Visma-Lease a bike voltou a avançar a solo para a quinta vitória em etapas, cimentando ainda mais a liderança, que vai festejar em Roma, no domingo, nos 130 quilómetros finais do 109.º Giro.
“Sou um ciclista, gosto de ganhar, quero ganhar o mais possível. Decidimos tentar hoje (sábado) de novo, era a última etapa de montanha. Seria tudo decidido hoje. Decidimos ir com tudo para a etapa de hoje (sábado). Os rapazes estiveram de novo muito bem, eu também tive um grande dia hoje. Ganhar cinco etapas aqui e ter uma vantagem boa para amanhã (no domingo) é especial para mim”, assumiu.
No final dos 200 quilómetros da 20.ª e penúltima etapa, entre Gemona del Friuli e Piancavallo, Vingegaard venceu em 5:03.55 horas, menos 1.15 minutos do que o austríaco Felix Gall (Decathlon) e do que o australiano Jay Hindley (Red Bull-BORA-hansgrohe).
Se a vantagem na geral já era grande, este sábado tornou-se ainda maior, com o dinamarquês, que vai completar a trilogia de triunfos nas três grandes Voltas, a passar a ter 5.22 minutos sobre Gall e 6.25 sobre Hindley, com Afonso Eulálio (Bahrain-Victorius) a ocupar o sexto posto, a 9.39.
Muitas vezes criticado por ser um ciclista defensivo, Vingegaard, talvez por não ter tido um adversário que o tenha verdadeiramente ameaçado, atacou antes dos 10 quilómetros finais da subida a Piancavallo, a segunda contagem de montanha de primeira categoria do dia e que coincidia com a meta.
“Tivemos de improvisar um pouco. O Sepp (Kuss) disse que não estava nos melhores dias. O plano era ir mais tarde, mas tivemos de mudar os planos e ir um pouco mais cedo”, assumiu.
O ataque do dinamarquês voltou a ter apenas resposta de Gall, como aconteceu nas outras vitórias, mas o austríaco da Decathlon aguentou apenas alguns metros na roda do ciclista da Visma-Lease a Bike, que partiu sozinho para mais um trinfo, ultrapassando o espanhol Igor Arrieta (UAE) e o italiano Ludovico Crescioli (Polti VisitMalta), os últimos resistentes da fuga, antes de voltar a beijar a foto da mulher no guiador e festejar mais um triunfo.
Atrás ia-se lutando pelos lugares do pódio, com Gall a ser apanhado à entrada para os cinco quilómetros final por Hindley e pelo canadiano Derek Gee (Lidl-Trek), que tentava roubar o quarto lugar ao neerlandês Thymen Arensman, mas não conseguiu graças a um grande trabalho do colombiano Egan Bernal, vencedor do Giro em 2021, que rebocou o seu companheiro da Netcompany INEOS até ao segundo grupo.
Depois de ter apresentado algumas dificuldades na penúltima subida do dia, a camisola branca de Afonso Eulálio podia estar em perigo na última subida, mas o italiano Davide Piganzoli (Visma-Lease a bike) descolou primeiro do que o português, deixando o mais tranquilo na defesa da classificação da juventude.
A sete quilómetros do final, Piganzoli ainda apanhou Eulálio e tentou aumentar o ritmo, mas o esforço do jovem transalpino foi em vão, com o português a pôr um ponto final na luta pela camisola branca com um ataque dentro dos dois quilómetros finais, passando a ter 1.13 minutos de avanço sobre o companheiro de equipa de Vingegaard.
O português Nelson Oliveira (Movistar) vai terminar pela 23.ª vez uma grande Volta e, com uma etapa por correr, está na 66.ª posição, a 3:38.31 horas, enquanto o estreante António Morgado (UAE Emirates) é 126.º, a 5:26.00.
