“Desfrutei da jornada e, no final, não sabia que ia ganhar até ao último quilómetro. Então, lembrei-me que era Dia da Bastilha e tentei honrar a camisola. Obrigada a todos os fãs que vieram hoje à estrada, foi um ambiente incrível, mesmo que tenha havido uns assobios. A todos os que assobiaram, dão-nos mais força”, revelou na flash-interview após a etapa.
Parte do público parece não estar a gostar do domínio arrasador do esloveno da UAE Emirates na 113.ª edição, na qual soma já três triunfos em etapas e tem 03.36 minutos de vantagem sobre Vingegaard, que é segundo na geral.
No entanto, Pogacar estava mais preocupado hoje em acertar contas com Le Lioran, onde há dois anos foi batido ao sprint pelo dinamarquês da Visma-Lease a Bike, depois de se ter isolado no alto de Puy Mary, que o pelotão também subiu hoje.
“Hoje, estávamos a testar novos rádios, e quando estava muito público, não conseguia ouvir nada. Nos últimos 10 quilómetros, não sabia as diferenças, quem estava a fazer o quê. Só pensava em chegar ao topo. (...) Havia um pouco de dúvida na minha cabeça, porque há dois anos o Jonas veio de trás e eu estava vazio no sprint”, confessou.
O tetracampeão, que hoje igualou os 60 dias de amarelo de Miguel Induráin, e que se prepara para se isolar no terceiro lugar de sempre após a 11.ª etapa, admitiu que este Tour está a ser “perfeito” para si e para a equipa, pelo tipo de tiradas disputadas até ao momento.
“Estou ansioso pelas subidas longas”, desabafou Vingegaard, após ser apenas sétimo na jornada de hoje, a 44 segundos do ciclista que o derrotou nas últimas duas edições da Grande Boucle e em 2021 também.
O campeão em título do Giro e da Vuelta, e vencedor do Tour em 2022 e 2023, assumiu a responsabilidade da perseguição a Pogacar, quando o esloveno atacou no Col de Pertus, e acabou por pagar o esforço, perdendo tempo para os outros candidatos ao pódio.
“Quando atacou, sabia que tinha de encontrar o meu ritmo e que seria um contrarrelógio até ao final. Felizmente, tive ajuda na última subida. Penso que foi um dia ok para nós”, declarou.
Vingegaard tem agora Remco Evenepoel a apenas 30 segundos da sua vice-liderança da geral, com o belga da Red Bull-BORA-hansgrohe a ser segundo no final dos 166,6 quilómetros entre Aurillac e Le Lioran, a 32 segundos de ‘Pogi’, depois de ter chegado a estar descolado na subida que antecedeu a meta.
“É bom recuperar algum tempo, sobretudo com o que temos pela frente no fim de semana”, admitiu o terceiro classificado e melhor jovem do Tour2024, recordando que esta Volta a França está longe de acabar.
O melhor jovem desta edição é agora Juan Ayuso (Lidl-Trek), que garantiu ter feito tudo o que podia para perseguir Pogacar.
“Gostava de ter contribuído mais (no grupo de perseguidores), para aumentar distâncias para quem vinha atrás e encurtar para a frente (Pogacar) mas fiz tudo para simplesmente conseguir manter-me aí”, afirmou.
O espanhol sucedeu a Isaac del Toro (UAE Emirates) na liderança da juventude e subiu ao quarto lugar, a 04.22 minutos do camisola amarela, considerando estar “numa boa posição” e num bom momento de forma para lutar pelo pódio.
“Mas não me quero deixar levar, não quero começar a pensar no que pode acontecer daqui a duas semanas”, quando termine a Volta a França, em 26 de julho, pontuou.
Quinto na geral, após ser hoje terceiro na etapa, o jovem francês Paul Seixas (Decathlon) mostrou-se satisfeito com a sua prestação.
“Nem todos os terceiros lugares têm o mesmo sabor e o de hoje foi difícil de alcançar e é muito bom. O meu objetivo era terminar entre os melhores e consegui”, admitiu o estreante de 19 anos, que chegou a Le Lioran 34 segundos depois de Pogacar.
