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Tour: Pogacar concretizou a sua vingança em dia de derrotas para Vingegaard no Tour

Tadej Pogacar festeja vitória na 10.ª etapa
Tadej Pogacar festeja vitória na 10.ª etapaCor Vos/Pool/GodingImages / Alamy / Profimedia

Tadej Pogacar cumpriu esta terça-feira a sua vingança, ao impor-se em Lioran, devolvendo a Jonas Vingegaard a humilhação sofrida há dois anos, com o ciclista dinamarquês a perder tempo para outros candidatos ao pódio do Tour na 10.ª etapa.

O esloveno de 27 anos atacou no Col de Pertus e cumpriu os 166,6 quilómetros desde Aurillac isolado, somando a terceira vitória na 113.ª edição e a 24.ª na Volta a França, numa jornada em que o seu arquirrival dinamarquês chegou a 44 segundos, pagando caro o facto de ter assumido as despesas da perseguição ao vencedor.

“Tínhamos esta etapa na mira há muito tempo. Há dois anos, o Jonas bateu-me no sprint. (...) Havia um pouco de dúvida na minha cabeça, porque há dois anos o Jonas veio de trás e eu estava vazio no sprint. Obviamente, tinha isso em mente até aos últimos metros”, assumiu o líder da UAE Emirates, que cortou a meta com o tempo de 03:58.08 horas

Na etapa em que igualou os 60 dias de Miguel Induráin, cinco vezes vencedor, na liderança do Tour, deixando para trás Chris Froome, o outro tetracampeão da prova, Pogacar ampliou as diferenças na geral para Vingegaard, que já está a 03.36 minutos, e para Remco Evenepoel, que foi segundo na etapa, a 32 segundos.

O belga da Red Bull-BORA-hansgrohe chegou a estar atrasado, mas recuperou a tempo de bater Paul Seixas (Decathlon) na chegada a Lioran, onde o jovem francês foi terceiro, a 34 segundos de Pogacar, e de ganhar tempo a Vingegaard, de quem dista apenas 30 segundos na geral.

Em Dia da Bastilha, feriado nacional em França, e depois do primeiro dia de descanso, foram muitos os ciclistas a tentar integrar a fuga, que só ‘pegou’ ao quilómetro 50, quando uma multidão de três dezenas de corredores conseguiu finalmente destacar-se do pelotão.

Entre eles estavam Mathieu van der Poel (Alpecin-Premier Tech), Alex Baudin e Ben Healy (EF Education-EasyPost), Thymen Arensman e Kévin Vauquelin (Netcompany INEOS), Sergio Higuita (XDS Astana), Valentin Paret-Peintre (Soudal Quick-Step), Ben O’Connor (Jayco AlUla) ou Jordan Jegat (TotalEnergies).

A UAE Emirates estabilizou a diferença em um minuto e meio e a contagem de segunda categoria do Col de la Griffoul fragmentou a fuga, com Javier Romo (Movistar) a ficar isolado na frente até aos últimos 38 quilómetros.

Mal o espanhol foi alcançado, Richard Carapaz (EF Education-EasyPost) atacou, ganhando rapidamente 30 segundos ao grupo de favoritos, antes de Thomas Pidcock (Pinarello Q36.5) e Matteo Jorgenson (Visma-Lease a Bike) caírem na descida que se seguiu ao alto de Puy Mary, de primeira categoria.

Terceiro na edição de 2021 e ‘rei da montanha’ há dois anos, o campeão do Giro2019 aumentou a diferença a descer, iniciando os pouco mais de quatro quilómetros de ascensão ao Col de Pertus, igualmente de primeira, com um minuto de vantagem para os perseguidores.

Após tanto trabalho, a UAE Emirates deu mostras de debilidade, o que foi aproveitado por Davide Piganzoli (Visma-Lease a Bike) para endurecer o ritmo, uma missão falhada perante o fulminante ataque de Pogacar a uns 16 quilómetros do final.

Ninguém conseguiu responder ao esloveno, nem mesmo o seu companheiro Isaac del Toro, o grande derrotado da jornada de hoje a par de Vingegaard – o mexicano foi oitavo, a 01.31 minutos, e perdeu a camisola da juventude para Juan Ayuso (Lidl-Trek), o novo quarto da geral.

O tetracampeão apanhou Carapaz ainda antes do alto e seguiu impassível para concretizar a sua vingança, dois anos depois de ter sido batido por Vingegaard ao sprint em Le Lioran – o esloveno atacou em Puy Mary, teve uma vantagem confortável, mas o dinamarquês acabou por alcançá-lo.

Hoje, o líder da Visma-Lease a Bike teve a ajuda de Florian Lipowitz e Remco Evenepoel, terceiros classificados das últimas duas edições e líderes da Red Bull-BORA-hansgrohe, de Seixas e em menor proporção dos homens da Lidl-Trek Juan Ayuso e Mattias Skjelmose, com o sexteto a colaborar para manter Pogi a apenas 20 segundos até ao início do Col de Font-de-Cère.

A cadência imposta por Vingegaard na contagem de terceira categoria que antecedia a meta fez descolar Evenepoel, mas o duplo campeão olímpico demonstrou hoje novamente quão persistente é, acabando por reintegrar o grupo para ser segundo no final.

Desgastado por ter assumido a perseguição nas subidas, o campeão em título do Giro e da Vuelta cedeu nos metros finais, sendo apenas sétimo, a 44 segundos, atrás de todos os candidatos que seguiram consigo no grupo, nomeadamente dos homens da Lidl-Trek, que continuam a beneficiar do trabalho de outros para subir na geral.

Campeão do Tour em 2022 e 2023 e vice em 2021, 2024 e 2025, o dinamarquês parece ter o estatuto de segundo melhor voltista do pelotão em risco neste Tour, no qual o português Nelson Oliveira (Movistar) é 86.º da geral, a mais de duas horas de Pogacar.

Na quarta-feira, os candidatos ao pódio final deverão ter um dia calmo nos 161,3 quilómetros essencialmente planos que ligam Vichy a Nevers.