A presença do neerlandês no 113.º Tour esteve em dúvida até ao último momento, após o ciclista de 24 anos ter iniciado a época apenas no final de maio, devido a um vírus, mas hoje Kooij retribuiu a confiança dos diretores da Decathlon, oferecendo à equipa francesa a sua primeira vitória na prova desde que Felix Gall, o vice-campeão do Giro2026, se impôs na 17.ª etapa da edição de 2023.
“Ter a primeira oportunidade de sprintar nesta Volta a França e conseguir ganhar é inacreditável. Significa muito, depois de uma primavera muito difícil”, reconheceu o corredor que trocou a Visma-Lease a Bike pela Decathlon apenas para poder estrear-se na Grande Boucle, uma aposta que hoje se revelou bem-sucedida.
Já vencedor de três etapas no Giro, em 2024 e 2025, Kooij bateu, no final dos 158,3 quilómetros entre Lannemezan e Pau, o alemão Max Kanter (XDS Astana) e Tim Merlier (Soudal Quick-Step), outro dos grandes favoritos, que foi terceiro com as mesmas 03:29.07 horas.
Uma queda a 5,6 quilómetros da meta deixou o belga sem lançadores e desorganizou a preparação do sprint, provocando também um corte no pelotão, com os candidatos à geral, incluindo Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike), que ficou envolvido na mesma, e o camisola amarela Torstein Traeen (Uno-X) a chegarem a 14 segundos do neerlandês da Decathlon.
Além da discussão pela etapa, foi esse o outro momento emocionante de uma jornada que o pelotão encarou com tranquilidade na véspera da primeira incursão na alta montanha, que inclui passagens nos emblemáticos Aspin e Tourmalet, na ligação de 186,2 quilómetros entre Pau e Gavarnie-Gèdre, onde a meta coincide com uma contagem de segunda categoria.
Depois de ter passado dois penosos dias como guarda de honra de Arnaud de Lie, antes de o belga desistir na parte final da terceira etapa, Baptiste Veistroffer teve a sua oportunidade, atacando logo nos primeiros metros.
Não havia mais ninguém interessado em ir para a fuga, dado o desgaste acumulado, devido à dureza mas, sobretudo, ao calor, nos quatro primeiros dias, e também porque metade das equipas tinha sprinters para lutar pela vitória hoje.
Assim, o francês da Lotto Intermarché seguiu em solitário, e com um máximo de três minutos de vantagem, numa missão suicida que lhe valeu apenas o prémio de mais combativo da quinta etapa.
Após o trabalho inicial da Uno-X, foram a Alpecin-Premier Tech e a Soudal Quick-Step a assumir a perseguição, com a equipa de Merlier a lançar mesmo Valentin Paret-Peintre quando Fred Wright (Pinarello Q36.5) resolveu atacar no Côte de Baleix, a única contagem de montanha da jornada, a uns 25 quilómetros da meta.
Aos dois uniu-se ainda Kasper Asgreen (EF Education-EasyPost), mas os perseguidores não conseguiram chegar a Veistroffer, sendo absorvidos oito quilómetros depois, momentos antes de também o francês ver a sua grande aventura terminar após 144 quilómetros.
A menos de seis quilómetros da meta, uma queda apanhou Vingegaard, Abel Balderstone e Alex Molenaar (Caja Rural), Michael Matthews (Jayco AlUla) e o bloco de lançadores da Soudal Quick-Step, com o pelotão a ficar cortado e as diferenças a contarem na meta – hoje, a zona segura começava 600 metros mais à frente.
Após receber emprestada a bicicleta do colega Victor Campenaerts, o dinamarquês da Visma-Lease a Bike chegou, no entanto, integrado no grande grupo que cortou a meta a 14 segundos do vencedor e que tinha Tadej Pogacar (UAE Emirates) como primeiro representante.
O esloveno e Vingegaard, que são respetivamente quarto e quinto na geral, continuam a 07.53 minutos do norueguês da Uno-X, que manteve igualmente as diferenças para os seus mais próximos perseguidores, o norte-americano Sean Quinn (EF Education-EasyPost), que é segundo, a 28 segundos, e o checo Mathias Vacek (Lidl-Trek), terceiro, a 03.50 minutos.
Nelson Oliveira gastou mais 47 segundos e é 64.º na geral, a mais de 35 minutos de Torstein Traeen.
