Além do dinamarquês, vencedor do prólogo, em Lisboa, e do contrarrelógio individual, entre Anadia e Águeda, também o italiano Luca Giaimi e o espanhol Marcos Freire concluíram a tirada entre Vieira do Minho e a vila do Gerês, de 153 quilómetros, a 39.23 minutos do vencedor, o colega Adrià Pericas, fora do fecho de controlo.
Embora as informações distribuídas às equipas antes da corrida indicassem que o fecho de controlo para a etapa em questão se desse quando a diferença dos vários corredores para o vencedor atingisse 20% do tempo do primeiro a cruzar a meta, a organização da Volta a Portugal alterou o limite para 15% e comunicou-o a todos os elementos da corrida após o prólogo, em 05 de agosto.
“Em primeiro lugar, foi um erro nosso. No roadbook indicava 20%, mas a organização alterou a regra, enviando essa informação no comunicado do primeiro dia da corrida. Todos os dias recebemos informação importante sobre o desenrolar da corrida”, admitiu o diretor desportivo da UAE Emirates na Volta, o italiano Giacomo Notari.
O responsável admitiu que essa mesma informação estava no comunicado de quarta-feira, dia que antecedeu a etapa do Parque Nacional da Peneda-Gerês, curiosamente vencida por outro elemento da equipa, o espanhol Adrià Pericas, terceiro classificado da geral, mas que alguns corredores fixaram a informação do roadbook.
Embora considere que a organização poderia ter lembrado a alteração através da Rádio Volta, Giacomo Notari reconheceu que os corredores estavam muito atrás na corrida e que “não há desculpas” para a desclassificação que deixa a sua equipa com quatro elementos: Pericas, Rui Oliveira, líder da classificação por pontos, Abdulla Jasim Al-Ali e Jaime Torres.
Presente na primeira fuga de quinta-feira, Julius Johansen assumiu, em comunicado, ter decidido “correr em segurança” após cair numa das descidas de uma etapa de montanha muito dura, em que estava previsto o limite de controlo dos corredores equivaler a uma diferença para o vencedor até 20% do tempo da tirada.
O grupo constituído pelo nórdico, Giaimi, Marcos Freire, Santiago Mesa (Anicolor-Campicarn), vencedor da segunda etapa, em Albufeira, Pedro Andrade (Feirense-Beeceler) e Andrey André (GI Group Holding-Simoldes-UDO) calculou que o limite para fechar a etapa estaria acima dos 45 minutos de diferença para o vencedor.
“Pensávamos que tudo estava bem, até nos ser dito na meta que o limite de tempo fora mudado para 15%. Nenhum dos corredores, nem dos diretores desportivos foi alertado sobre esta mudança, nem mesmo durante a reunião dos diretores desportivos que antecedeu a etapa”, escreveu o nórdico, de 26 anos, na página oficial na rede social Instagram.
O dinamarquês assumiu ser “incrivelmente frustrante e desapontante deixar a corrida assim”, especialmente após uma etapa onde a UAE Emirates realizou uma “corrida incrível”, com a vitória de Pericas, e quando sentia que tinha “muito mais para dar”.
A etapa de quinta-feira, marcada pelas contagens de montanha de primeira categoria na Mata da Albergaria e no Alto de Germil, foi a que causou maior razia no pelotão, verificando-se o abandono de seis corredores além do grupo que terminou além do fecho de controlo.
Carson Miles (Anicolor-Campicarn), que sofrera uma aparatosa queda na etapa entre Santa Maria da Feira e Peso da Régua, mas ainda alinhou na quinta-feira, Jambaljamts Sainbayar (Burgos-Burpellet-BH), Itamar Einhorn (NSN Development Team), João Rossi (Localiza Meoo-Swift Pro Cycling), Jose Gutierrez (Óbidos Cycling Team) e Joshua Lebo (Meridian Racing p/b de La Uz) desistiram.
Após iniciar a Volta a Portugal com 119 corredores, o pelotão arrancou hoje com 96 elementos para a oitava e antepenúltima etapa, entre Melgaço e Fafe, ao longo de 166,8 quilómetros, estando a camisola amarela na posse de Alexis Guérin (Anicolor-Campicarn).
