Análise: Quem protege as alas francesas? O quebra-cabeças com várias incógnitas de Deschamps

Lucas Digne no treino de França
Lucas Digne no treino de FrançaREUTERS/Peter Cziborra

Esta terça-feira à noite, a França inicia o seu Mundial ao defrontar o Senegal. Apesar de ser favorita, a seleção francesa terá de avançar com robustez, algo que dependerá em grande parte das suas alas, da sua defesa e dos seus laterais.

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"O treinador colocou-me a lateral esquerdo no último treino, disse que não havia qualquer problema." As palavras de Warren Zaïre-Emery em conferência de imprensa no domingo surpreenderam. Mesmo quando a França está prestes a iniciar o seu Mundial frente ao Senegal, parece que ainda há várias combinações em aberto. Se nem Théo Hernandez, nem Lucas Digne – dois titulares de peso que contam com a confiança de Didier Deschamps – têm lugar garantido no onze inicial, os Bleus ainda têm muito trabalho pela frente.

A ala esquerda: uma experiência que se mantém

Em quatro anos, nada mudou no lado esquerdo. Théo Hernandez, apesar de ter baixado de rendimento, mantém-se no lugar. Quando não é ele, Lucas Digne é o escolhido. Os dois laterais disputam assim a titularidade, sem que surja outro concorrente. E mesmo que este ano as épocas de Adrien Truffert (Bournemouth) e de Matthieu Udol (Lens) pudessem ter motivado o selecionador francês a convocá-los, a realidade é clara: aposta nos mais experientes.

Sim, mas... Será mesmo uma boa opção? Nos jogos de preparação, Hernandez começou frente à Costa do Marfim, antes de dar lugar a Digne (ao intervalo). Contra a Irlanda do Norte, repetiu-se a troca (aos 62 minutos). Embora seja fundamental dar minutos aos jogadores antes de uma competição como o Mundial, isso também pode ser visto como sinal de fragilidade. E se Deschamps não estivesse assim tão seguro das suas escolhas?

Digne foi ultrapassado nos dois golos marcados pelos Elefantes em Nantes (2-1). Também teve culpas no único golo sofrido frente à Irlanda do Norte (3-1). Por isso, não deverá ser titular esta terça-feira.

Deschamps terá então apenas uma opção: confiar no outro lateral. Mesmo que o seu rendimento não seja brilhante. Ou então... optará por uma solução diferente. Foi aparentemente isso que aconteceu no treino da semana passada, com a colocação inédita de Zaïre-Emery nessa posição.

Lateral direito ocasional no Paris Saint-Germain, nunca desempenhou esse papel na seleção, muito menos à esquerda. Além disso, o selecionador francês tinha afirmado publicamente em março de 2026 que o via sobretudo como "médio". Parece, portanto, que mudou de opinião.

"No clube, quando sou lateral direito, posso entrar para o meio e acabo por jogar como médio. É uma posição onde tenho mesmo essa liberdade para fazer um pouco o que quero. O único aspeto que muda é a parte defensiva. Mas penso que tenho qualidade para colocar muita intensidade, ganhar os meus duelos e recuperar muitas bolas", sublinhou o parisiense em conferência.

Embora seja pouco provável que Zaïre-Emery seja realmente utilizado como lateral esquerdo no início da competição, poderá assumir o lugar caso os seus colegas não estejam à altura durante o torneio.

Isso, no entanto, evidenciaria uma das maiores fragilidades da equipa de França: a sua ala esquerda.

Koundé, a única certeza à direita?

À direita, Jules Koundé também é titular indiscutível há vários anos. O jogador do Barcelona fez um bom Euro-2022 e manteve o nível, tanto no clube como na seleção. No entanto, o tempo passou e a sua época nos Blaugranas não foi das mais convincentes. Apesar de continuar a ser indiscutível pela experiência no lado direito dos Bleus, começa a sentir concorrência.

Frente ao Senegal, é praticamente certo que será titular. Malo Gusto, por sua vez, poderá ter oportunidade de jogar mais tarde na competição.

O lateral direito do Chelsea conseguiu elevar o seu nível para lutar por este lugar. Sólido no clube e sempre fiável quando é chamado à equipa de França, representa uma boa alternativa.

Seja como for, a concorrência deverá motivar ambos os laterais direitos. Mas a falta de certezas em relação aos dois flancos franceses pode dificultar bastante o percurso dos Bleus nesta competição.

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