“Desde Paris-2024 que não faço o K1 500. Achei que depois desses Jogos iria estar numa equipa, em K2 e K4, mas a época estava a ser realmente bastante desafiante nessas embarcações e decidi treinar sozinha para estar mais tranquila e focar-me mais em mim. Competir no K1 significa que realmente os resultados não tiveram aquela consistência desejada”, assumiu.
Em declarações à Lusa, a melhor canoísta lusa de sempre reconheceu que os desempenhos de equipa nos Europeus e nas três Taças do Mundo não estiveram de acordo com as suas expectativas, nunca tendo atingido as finais, o seu lugar natural.
“No K1 já é impossível classificar-me, por ranking, para Los Angeles-2028, pois já foram realizadas muitas provas e há um número muito reduzido de vagas. O meu objetivo aqui não é fazer pontos, mas tentar sentir-me bem. É mais o desfrutar e sentir que ainda gosto de competir, mais do que propriamente o resultado, e sinto que pode ser importante essa sensação do ‘ainda gosto disto’”, sublinhou.
O processo de qualificação olímpico decorre em 2026 e 2027, com o somatório dos quatro melhores desempenhos em cinco provas, nomeadamente os Mundiais, que valem 1.500 pontos para os vencedores, os Europeus (e restantes provas continentais) e as três Taças do Mundo, com majoração de 1.000.
A serenidade de Teresa Portela advém do facto de em 2028 haver ainda a fase de apuramento continental, na qual a Europa atribui ainda duas vagas para os Jogos Olímpicos, sendo nessas que a atleta de Esposende tem de se fixar.
Apesar dessa oportunidade, a desportista de 38 anos assume que não é de “planos a longo prazo” nem de “tomar decisões num momento menos bom”, pelo que deixará para momento oportuno uma “decisão ponderada” sobre o rumo a dar à sua carreira.
Há dois anos sem competir em K1 500, Teresa Portela trabalhou agora cinco semanas especificamente nesta tripulação, preparando-se na Noruega com um grupo de trabalho dirigido por um antigo treinador.
Poznan é a pista onde Teresa Portela obteve o seu melhor desempenho de K1 500 em Mundiais, com o quarto lugar em 2010, além de outros resultados de mérito em Europeus e Taças do Mundo.
“Não estou propriamente a pensar num resultado, mas obviamente que, a atingir a final, me daria a sensação de dever cumprido. Quero mesmo é sentir que estou e me sinto competitiva. É o que procuro nesta prova”, confessou.
No Lago Malta, Portugal vai estar representado por 16 canoístas, sendo 13 na velocidade (cinco no caiaque masculino e seis no feminino, bem como duas na canoa feminina) e três atletas na paracanoagem.
Os Mundiais de Poznan reúnem 854 atletas de 77 países.
