Râguebi: Federação Neozelandesa recusa-se a abandonar os Moana Pasifika

Os jogadores dos Moana Pasifika reúnem-se após uma derrota no North Harbour Stadium
Os jogadores dos Moana Pasifika reúnem-se após uma derrota no North Harbour StadiumHagen Hopkins / Getty Images via AFP

O Super Rugby Pacific prepara-se para perder a sua segunda equipa em três anos e passar a uma competição com dez equipas em 2027, após a decisão dos proprietários dos Moana Pasifika de dissolver a franquia em dificuldades no final da presente época.

A direção dos Moana Pasifika anunciou esta quarta-feira que já não era possível continuar o projeto da franquia sediada em Auckland, que tinha entrado no Super Rugby em 2022 com o objetivo de abrir portas para o râguebi internacional aos jogadores de origem oceânica.

"Esta decisão resulta de uma análise aprofundada das realidades financeiras, operacionais e estratégicas que a franquia e o râguebi profissional na Nova Zelândia enfrentam", referiu a equipa em comunicado.

O anúncio surge após o desaparecimento dos Melbourne Rebels, fortemente endividados, em 2024, deixando a segunda maior cidade da Austrália sem uma equipa profissional de râguebi de quinze.

A Federação Neozelandesa de Râguebi afirmou estar consciente de que alguns intervenientes podem considerar soluções "viáveis e sustentáveis do ponto de vista financeiro" para os Moana, mostrando-se aberta a discutir o tema.

No entanto, a entidade dirigente não quis adiantar mais pormenores.

"A NZR mantém-se fiel à visão dos Moana Pasifika, que pretende criar pontes a partir do Pacífico, e lamenta as dificuldades que o clube atravessa", lê-se ainda no comunicado.

Os Moana Pasifika integraram o Super Rugby ao mesmo tempo que a formação fijiana Fijian Drua em 2022, contando com o apoio da World Rugby e de subsídios do governo neozelandês.

O projeto de instalar a equipa no Pacífico nunca se concretizou e a franquia acabou por atuar como a sexta equipa neozelandesa do Super Rugby, a segunda em Auckland, em concorrência direta com os Blues.

Com o fim progressivo dos apoios da World Rugby e do governo, as dificuldades financeiras agravaram-se para uma franquia que tem dificuldade em fidelizar adeptos e atrair patrocinadores.

Os Moana conseguiram um excelente reforço no mercado de transferências ao contratar o terceira linha Ardie Savea no ano passado, e o internacional dos All Blacks permitiu à equipa terminar na sétima posição da tabela, a sua melhor época de sempre.

No entanto, a franquia teve dificuldades em atrair outros jogadores de topo e, com Savea a jogar no Japão esta época numa pausa sabática, os Moana treinados por Tana Umaga ocupam o último lugar, com apenas uma vitória em oito jogos.

Enquanto Umaga prepara-se para deixar os Moana no final da época para assumir o cargo de treinador da defesa dos All Blacks, o futuro de dezenas de jogadores e membros da equipa técnica permanece incerto, incluindo Savea, que deveria regressar em 2027.

O desaparecimento dos Moana representa mais um duro golpe para o Super Rugby, que chegou a contar com 18 equipas depois do seu lançamento em 1996 com 12 formações.

A competição provincial nunca recuperou verdadeiramente das perturbações causadas pela pandemia de COVID-19, com a saída das equipas sul-africanas a reduzir o torneio a um confronto essencialmente entre equipas australianas e neozelandesas.