Giro: Afonso Eulálio ainda tem uma aposta para cumprir, mas já sabe que é incrível vestir-se de rosa

Afonso Eulálio com a camisola rosa na Volta a Itália
Afonso Eulálio com a camisola rosa na Volta a ItáliaČTK / imago sportfotodienst / Fotoreporter Sirotti Stefano

Afonso Eulálio sente-se “incrível” por ser o camisola rosa na Volta a Itália em bicicleta, após ter sido segundo na quinta etapa, mas assume que ainda lhe falta ‘saldar’ a aposta que tem com Damiano Caruso.

Ainda não sei como me sinto, ainda não acredito. É incrível para mim vestir a camisola rosa. Todo o dia de hoje foi de loucos, temos de ver o que fazer nos próximos dias”, confessou o jovem português de 24 anos aos microfones da Eurosport.

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O figueirense da Bahrain Victorious, a participar apenas pela segunda vez numa grande Volta, tornou-se hoje no terceiro português a liderar o Giro, depois de Acácio da Silva (1989) e João Almeida (2020).

Na subida íngreme, a 50 quilómetros, acreditei (que podia chegar à liderança) e fui ‘all in’ para isto, mas também para a etapa. Queria mesmo ganhar a etapa, porque tenho uma aposta com Damiano Caruso (seu colega) de que se vencer duas tiradas (neste Giro) me oferecem mais um ano de contrato. Não ganhei, mas há mais oportunidades”, revelou.

Seis anos depois de Almeida, ausente desta Volta a Itália por não estar a 100%, Afonso Eulálio subiu hoje ao pódio, em Potenza, envergando a maglia rosa, que conquistou ao integrar a fuga da quinta etapa.

Sem o Santiago (Buitrago) abriram-se oportunidades. Este dia também é para o Santiago, que não está aqui connosco”, declarou, referindo-se àquele que era o líder da Bahrain Victorious neste Giro, mas que desistiu por ter estado envolvido na queda grave da segunda etapa.

Hoje, o português esteve em fuga 180 dos 203 quilómetros entre Praia a Mare e Potenza, isolou-se com Igor Arrieta na subida à Montagna Grande di Viggiano, sofreu uma queda na parte final e beneficiou de um engano do espanhol para entrar sozinho nos derradeiros 300 metros, mas acabou por ser superado pelo ciclista da UAE Emirates perto do risco, sendo segundo a dois segundos do vencedor.

No final, se tivesse conseguido chegar sem a queda seria melhor, mas foi um dia super, superdifícil, com as subidas, a meteorologia. Em alguns momentos, senti que não estava no meu melhor, mas penso que todos (os fugitivos) sentiram o mesmo e, no final, senti-me bastante bem”, resumiu.

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O luso tem 02.51 minutos de vantagem sobre o vencedor do dia, que cumpriu a tirada em 05:07.51 horas, e 03.34 sobre o italiano Christian Scaroni (XDS Astana), que é terceiro.

Tenho dias muito, muito bons. Tento trabalhar com a equipa para ser mais consistente, e não ter tantos altos e baixos. Trabalhamos duro para isto”, assumiu, prevendo uma “boa” festa na Figueira da Foz.

Antigo campeão nacional de fundo de sub-23 (2022), o nono classificado dos últimos Mundiais prometeu que vai tentar o seu melhor nos próximos dias para defender a liderança da geral.

Depois de se ter estreado no Giro no ano passado, desistindo na 19.ª etapa, Afonso Eulálio chegou à maglia rosa na sua segunda participação na prova italiana e vai vestir o símbolo mais emblemático da corrida na quinta-feira, na sexta etapa, que vai ligar Paestum a Napóles em 142 quilómetros essencialmente planos.