Paul Magnier, o outro fenómeno do ciclismo francês

Paul Magnier no domingo
Paul Magnier no domingoLUCA BETTINI/AFP

Irresistível no Giro, Paul Magnier é o outro fenómeno de um ciclismo francês em plena ascensão, num registo diferente do de Paul Seixas, mas igualmente impressionante.

Com duas vitórias nas três primeiras etapas, o jovem corredor da Soudal Quick-Step confirma que, com apenas 22 anos, já é um dos melhores sprinters do mundo, com um leque de qualidades que também lhe deve permitir brilhar nas clássicas, complementando na perfeição Paul Seixas, de perfil mais trepador.

Magnier, alto e moreno, com 1,87 m, também foi inicialmente "um bom trepador nos juniores" antes de passar para a categoria dos pesos pesados, devido ao seu apetite e à facilidade em ganhar massa muscular.

Demorou a descobrir-se, também porque este hiperativo começou a praticar ciclismo relativamente tarde, por volta dos 14 anos, experimentando o BTT depois de já ter praticado "10.000 desportos" anteriormente.

Nasceu a 14 de abril de 2004 em Laredo, no Texas, onde os seus pais, Sabine e Laurent, um antigo corredor amador, estavam expatriados, e passou os seus primeiros quatro anos nos Estados Unidos. De regresso a França, jogou primeiro andebol e ténis e esquiou bastante em Grenoble, onde ainda vive com os pais, depois de uma passagem pelo desporto escolar em Voiron e pelo polo França BTT em Besançon.

"O novo Tom Boonen"

Os seus primeiros passos na estrada, que detestava no início, foram dados no clube de Charvieu-Chavagneux, seguindo-se rapidamente uma experiência fora de França, na equipa britânica Trinity, antes de ingressar na formação belga Soudal Quick-Step em 2024.

Desde logo, impressionou os seus colegas de equipa como Tim Merlier, a quem chegou a vencer ao sprint nos treinos logo no primeiro estágio, ou Julian Alaphilippe, que o acolheu sob a sua proteção.

O seu diretor desportivo Tom Steels viu rapidamente nele o "novo Tom Boonen", a lenda dos paralelos, capaz de dominar o Tour das Flandres e a Paris-Roubaix.

"A comparação faz sentido. Um rapaz alto, muito explosivo e com grande resistência. Espera-se muito dele. Pode tornar-se um grande campeão", afirma Yves Lampaert no início de 2025, numa altura em que Magnier já tinha conquistado cinco vitórias logo na sua primeira época como profissional, terminada com um "apagão" no Tour da Grã-Bretanha após uma queda violenta.

Esta profecia esmagaria muitos. Mas Magnier, tão descontraído quanto confiante, nunca fez disso um drama. As antigas glórias, de qualquer forma, pouco ou nada lhe dizem – "conheço melhor o Jul do que o Tom Boonen", afirmou recentemente num documentário de L'Équipe Explore.

Extrovertido

E já que se fala em comparações, gostava de "ter um perfil à Mathieu Van der Poel", seu contemporâneo e outro mago dos paralelos. "A alma das clássicas, das corridas duras, é algo que me assenta bem", explicou à AFP neste inverno.

Por agora, é ao sprint que Magnier se destaca, somando 19 triunfos em 2025 – só Tadej Pogacar fará melhor. Em cada ocasião, impõe a sua potência quase animal, em contraste com a sua personalidade radiante.

Extrovertido, sorridente, muito à vontade em entrevistas, cortês e conversador, mas frequentemente atrasado, o jovem iseriano, que namora com Orlane, uma influenciadora de ciclismo, exibe uma certa descontração e uma frescura genuína nos bastidores.

Mas em cima da bicicleta, garante, é um "grande trabalhador". Já líder da sua equipa, apesar da juventude, após a saída neste inverno de Remco Evenepoel para a Red Bull. E o seu maior sonho é tornar-se um dia campeão do mundo, quando os percursos forem mais planos do que os que têm sido propostos ultimamente.

No Giro, onde alcançou no domingo o seu 28.º triunfo, já recebeu uma mensagem de felicitações de Arnaud Démare, a referência do sprint francês dos últimos anos, que se retirou no final de 2025. "Espero ser a nova geração", diz o grenoblês que, mais do que nunca, já é o presente do ciclismo francês.