Giro: Narváez ganhou a etapa mas foi Ciccone quem concretizou um sonho de criança

Jhonatan Narváez venceu ao sprint
Jhonatan Narváez venceu ao sprintREUTERS

O regressado Jhonatan Narváez deu esta terça-feira uma alegria à dizimada UAE Emirates, ao ganhar a quarta etapa da 109.ª Volta a Itália em bicicleta, agora liderada por um emocionado Giulio Ciccone, que finalmente vestiu a maglia rosa.

De regresso ao pelotão neste Giro, após uma ausência forçada de mais de três meses motivada pela fratura de várias vértebras numa queda no Tour Down Under, o campeão de fundo equatoriano demonstrou que quem sabe não esquece e conquistou a terceira vitória em etapas na prova italiana, contrariando o favoritismo do venezuelano Orluis Aular (Movistar) num sprint em que o português Afonso Eulálio (Bahrain Victorious) foi sexto.

“É muito importante para mim esta vitória”, resumiu Narváez, dedicando o triunfo no final dos 138 quilómetros entre Catanzaro e Cosenza, que cumpriu em 03:08.46 horas, aos seus colegas da UAE Emirates que caíram na segunda etapa e tiveram de abandonar a corsa rosa, nomeadamente Adam Yates, Jay Vine e Marc Soler.

Mais feliz do que o corredor de 29 anos só mesmo Giulio Ciccone, o italiano da Lidl-Trek que foi terceiro na etapa e no sprint intermédio e, graças às bonificações, concretizou um sonho de criança.

“A sensação é fantástica. Sempre sonhei com esta camisola desde pequeno. Comecei nesta modalidade a ambicionar vesti-la”, confessou, depois de chorar ao saber que a maglia rosa era sua e de a beijar no pódio.

Dez anos depois de ganhar pela primeira vez uma etapa no Giro, "Cicco", de 31 anos, fecha o círculo, liderando a geral com quatro segundos de vantagem sobre o suíço Jan Christen (UAE Emirates) e sobre o alemão Florian Stork (Tudor), respetivamente segundo e terceiro.

“Não estava à espera disto hoje, depois de tantos momentos difíceis, especialmente a queda do ano passado”, admitiu.

Marcada pela baixa de Wilco Kelderman (Visma-Lease a Bike), o terceiro classificado em 2020 e escudeiro de Jonas Vingegaard que não sobreviveu às sequelas da queda grave na segunda tirada, a primeira etapa italiana desta edição foi animada por seis fugitivos.

Nas primeiras pedaladas da jornada, Warren Barguil (Picnic PostNL), à procura de completar a trilogia de etapas em grandes Voltas, uniu-se a Martin Marcellusi (Bardiani CSF 7 Saber), Darren Rafferty (EF Education-EasyPost), Mattia Bais (Polti VisitMalta) e Niklas Larsen (Unibet Rose Rockets) na fuga do dia, à qual se juntou posteriormente Johan Jacobs (Groupama-FDJ).

Os homens da frente construíram uma vantagem que superou os 02.30 minutos e que foi controlada à distância pelas equipas dos sprinters, entre os quais já não está Kaden Groves (Alpecin-Premier Tech), vencedor da classificação da regularidade na Volta a Espanha em 2023 e 2024 – o australiano não resistiu às mazelas da queda que sofreu no primeiro dia e desistiu durante a etapa.

Na aproximação a Cozzo Tunno, uma contagem de segunda categoria, a Movistar endureceu o ritmo para eliminar a concorrência de Orluis Aular, uma missão bem-sucedida porque Paul Magnier (Soudal Quick-Step), Jonathan Milan (Lidl-Trek), Dylan Groenewegen (Unibet Rose Rockets) e o próprio ‘maglia rosa’ Thomas Guillermo Silva (XDS Astana) ficaram para trás.

A fuga acabou a 50 quilómetros da meta, pouco antes de Nelson Oliveira entrar ao serviço na equipa espanhola e fazer descolar Egan Bernal (Netcompany INEOS), o campeão de 2021, e Derek Gee (Lidl-Trek), o quarto classificado da passada edição, que só conseguiram reentrar no grupo muito depois.

O ciclista português com mais presenças em grandes Voltas (23) liderou o pelotão durante quatro dezenas de quilómetros, altura escolhida pelo sprinter belga Arnaud de Lie (Lotto Intermarché), que iniciou o Giro doente, para abandonar.

No sprint intermédio, Vingegaard foi o primeiro a lançar-se, mas acabou batido por Jan Christen (UAE Emirates), Giulio Pellizzari (Red Bull-BORA-hansgrohe) e Ciccone, não bonificando.

Já dentro dos derradeiros dois quilómetros atacou Christen; o jovem suíço parecia lançado para a vitória, mas foi apanhado a apenas 300 metros, quando Aular já acelerava. O venezuelano foi, no entanto, ultrapassado no risco por Narváez, num sprint em que se intrometeu Eulálio.

Sexto na etapa, o português da Bahrain Victorious subiu ao 31.º lugar da geral, a 01.11 minutos de Ciccone, enquanto Nelson Oliveira, que perdeu 01.10 no final, é 47.º, a 03.25.

Ainda a recuperar da queda na segunda etapa, António Morgado (UAE Emirates) chegou a 12.16 do seu colega de equipa, e vai partir para a quinta etapa, que liga Praia a Mare a Potenza, no total de 203 quilómetros, na 120.ª posição, a 19.28 minutos do camisola rosa.