Giro: António Morgado estreia-se em grandes Voltas com "zero pressão"

António Morgado vai participar no Giro
António Morgado vai participar no GiroHRISTO RUSEV / NURPHOTO / NURPHOTO VIA AFP

António Morgado vai estrear-se na Volta a Itália sem “pressão nenhuma” ou nervosismo, com o jovem ciclista português da UAE Emirates a garantir que se tiver uma oportunidade de lutar por uma etapa não a irá desperdiçar.

Em entrevista à agência Lusa, Morgado disse sentir-se “normal” na véspera da estreia em grandes Voltas, rejeitando qualquer tipo de nervosismo antes do arranque da 109.ª edição da corsa rosa na sexta-feira, em Nessebar, na Bulgária.

“Para as clássicas e assim, em que tenho que preparar a performance e tenho que estar nos grupos da frente, sim tenho pressão, mas aqui tenho zero pressão. Vou tentar aproveitar a corrida”, explicou.

Por ser a sua primeira vez numa grande, o ciclista de 22 anos vai partir para esta Volta a Itália, que termina em 31 de maio, em Roma, sem “pressão nenhuma”.

Vencedor da Clássica da Figueira – onde defendeu o cetro conquistado no ano passado – e do Troféu Calvià no início desta temporada, Morgado admite que chega ao Giro com uma preparação que “não foi muito boa”, após ter integrado o esquadrão do estelar Tadej Pogacar na Volta a Flandres e no Paris-Roubaix.

“Não tive muito tempo para recuperar e para conseguir fazer um bloco grande de treinos. Acabei Roubaix e tinha três semanas até aqui. A preparação não foi a melhor, mas também não estou para ganhar, nem nada disso. Então, estou muito feliz por estar à partida”, confessou à Lusa.

O bicampeão nacional de contrarrelógio sabe que o seu papel neste Giro será o de ajudar a equipa, mais concretamente os “dois líderes”, o britânico Adam Yates e o suíço Jan Christen, por isso prefere não traçar objetivos pessoais.

“Vou tentar ver como é que me estou a sentir. Claro que se tiver uma oportunidade, não a vou desperdiçar”, admitiu sobre a possibilidade de entrar e fugas e lutar por etapas.

Questionado sobre as declarações do compatriota Afonso Eulálio, que em entrevista à agência Lusa reconheceu que seria “engraçado” estar em fuga com o estreante, Morgado riu-se antes de lembrar que as suas “não são o mesmo tipo de etapas, de certeza” do corredor luso da Bahrain Victorious.

“Se tivermos (UAE Emirates) de controlar a corrida, claro que não vou entrar em fugas, vou estar junto dos meus líderes o mais possível. Mas sim, se me conseguir juntar numa fuga, vai ser super positivo e vou tentar fazer o meu melhor”, pontuou.

Sobre as perspetivas da sua equipa na 109.ª edição, o ciclista de Salir do Porto (Caldas da Rainha) disse que a UAE Emirates “talvez” se vá dividir entre a luta pela geral e a disputa por etapas.

“Nós tínhamos o João (Almeida) para vir cá, era um líder mais consolidado. Agora, temos dois líderes que estão muito fortes neste momento. Vamos ver como é que a corrida se desenrola. Se tivermos que controlar, vai ser complicado entrar em fuga, ou mesmo impossível, e não é do nosso interesse”, antecipou.

Amigo e vizinho do melhor voltista português da atualidade, que vai falhar o Giro por não estar a 100% depois de ter estado doente, Morgado confessou à Lusa ter ficado desiludido por não poder estrear-se em grandes Voltas a trabalhar para Almeida.

“Gostava que a primeira vez fosse com um português do gabarito do João, mas sei que o melhor para ele é estar em casa, neste momento, e recuperar para as próximas corridas”, salientou.

O promissor ciclista luso reconheceu ainda que a UAE Emirates teria mais hipóteses de derrotar o dinamarquês Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike) se o vice-campeão da Vuelta estivesse presente.

“O João já demonstrou que consegue estar três semanas perto dele e acho que era um grande embate. Mas pronto, se não há, acho que os dois atletas que estão aqui estão superfortes também. E seguramente vamos tentar”, prometeu.

No entanto, Morgado concede que o dinamarquês, campeão da Vuelta 2025 e do Tour em 2022 e 2023, é o claro favorito ao triunfo neste Giro.

“Ele está super forte, mas vamos ver como vai correr. Se há uma equipa que o consegue bater, somos nós. Já o batemos – eu não, mas a equipa. Mas sim, claramente ele é o favorito número um, com grande espaço. Vai ser toda a gente para o derrotar”, reforçou, destacando ainda que Vingegaard tem uma “equipa super forte ao redor dele” e que “vai ser mesmo muito complicado fazer alguma coisa” para contrariar o seu ascendente.

O jovem caldense mostrou-se, por fim, satisfeito por ter a companhia de Eulálio e de Nelson Oliveira (Movistar), o recordista português em grandes Voltas – vai para a 23.ª participação – no pelotão desta 109.ª edição da corsa rosa.

Gosto sempre de ter portugueses a correr comigo. Para mim, a corrida que eu mais gosto (de fazer) o ano todo é a Volta ao Algarve. Posso ir a falar com portugueses o dia todo para desenjoar um bocado de falar outras línguas e poder falar o nosso idioma. Para mim, é sempre bom”, concluiu.