Giro: Kuss completou a trilogia e Eulálio manteve a camisola branca na etapa rainha

Sepp Kuss no Giro
Sepp Kuss no GiroREUTERS/Jennifer Lorenzini

Sepp Kuss regressou esta sexta-feira finalmente à sua melhor versão para completar a trilogia em grandes Voltas, cumprindo um sonho na etapa rainha do Giro, na qual o ciclista português Afonso Eulálio conservou a liderança da juventude.

Não se via este Sepp Kuss desde que o norte-americano da Visma-Lease a Bike conquistou a Vuelta 2023, mas aquele que outrora foi o melhor gregário do pelotão integrou a bem-sucedida fuga do dia para conquistar a 19.ª etapa, dando uma lição a Giulio Ciccone, o impulsivo italiano da Lidl-Trek que foi apenas terceiro, atrás do seu colega canadiano Derek Gee.

“Para ser honesto, foi algo com que sempre sonhei. Mas todos os anos fica cada vez mais difícil”, confessou Seppy após ter-se estreado a vencer na Volta a Itália e completado a trilogia nas grandes no final dos 151 quilómetros entre Feltre e Piani di Pezzè, que cumpriu em 04:28.33 horas.

Um dos ciclistas mais afáveis e queridos do pelotão, o norte-americano de 31 anos juntou o triunfo desta sexta-feira às duas etapas alcançadas na Vuelta e à do Tour 2021, perante o olhar da mãe, que admitiu, de forma emocionada, ver muito pouco durante a época.

“Não consigo acreditar”, declarou, já depois de ser abraçado pelo seu colega dinamarquês Jonas Vingegaard, o maglia rosa que manteve os 04.03 minutos de diferença para o austríaco Felix Gall (Decathlon) e aumentou a vantagem para o terceiro classificado, que agora é o australiano Jai Hindley (Red Bull-BORA-hansgrohe), a 05.04.

Depois de assumir que “as sensações” não eram as melhores antes do arranque da etapa, Afonso Eulálio (Bahrain Victorious) descolou a apenas 4.000 metros do final e salvou a camisola branca ao ser 16.º, a 02.25 minutos de Kuss, caindo, no entanto, para sexto na geral, a 07.26 de Vingegaard.

O figueirense de 24 anos perdeu também margem para Davide Piganzoli (Visma-Lease a Bike), com o italiano a partir para a última jornada de montanha a apenas 01.03 do maglia bianca.

Numa jornada com 5.000 metros de desnível acumulado, a fuga tardou, formando-se já depois de Jonathan Narváez (UAE Emirates), vencedor de três etapas e então segundo na classificação por pontos, abandonar, após ter caído quando se dirigia ao autocarro no final da etapa anterior.

Apenas quando estavam decorridos mais de 40 quilómetros uma multidão se distanciou do pelotão, com nomes grandes como Kuss, Gee e Ciccone, incansável na demanda pela camisola da montanha, Damiano Caruso (Bahrain Victorious), Giulio Pellizzari (Red Bull-BORA-hansgrohe), a grande deceção deste Giro, ou Michael Storer (Tudor).

Após ter passado por dificuldades na ascensão a Coi, Eulálio cumpriu a subida ao teto deste Giro, o Passo Giau, uma categoria especial situada a 2.305 metros de altitude, no grupo de favoritos, antes de ter de pôr o pé no chão por uma ligeira saída de estrada.

Na frente, a quase três minutos do grupo do maglia rosa, Gee ia subindo virtualmente posições na geral – haveria de ultrapassar apenas o português -, tendo mesmo sprintado para bonificar seis segundos no ‘KM Red Bull’, para desgosto de Einer Rubio (Movistar), o líder desta particular classificação, que, em retaliação, foi roubar pontos na contagem seguinte a Ciccone.

Furioso com a atitude do colombiano, o italiano reagiu por impulso e atacou na descida, ganhando mais de um minuto para os perseguidores, que reagiram na subida final, onde Kuss deixou definitivamente para trás Gee e ainda ultrapassou o novo líder da montanha.

Embora já tivesse conseguido o seu propósito, Cicco decidiu não esperar pelo seu colega canadiano e foi castigado, acabando apenas na terceira posição, a 36 segundos – Gee seguiu ao seu ritmo e foi segundo, a 13.

Enquanto os fugitivos discutiam a etapa, os favoritos lutavam pelo pódio, com Eulálio a descolar a pouco mais de quatro quilómetros do final, pouco antes de Gall atacar, obrigar Vingegaard a reagir e hipotecar o pódio de Thymen Arensman.

O neerlandês da Netcompany INEOS perdeu o terceiro lugar para Jai Hindley, que ainda foi ajudado por Pellizzari para ascender merecidamente ao pódio – o vencedor de 2022 foi mais consistente na montanha e demonstrou querer mais o top 3 do que o fugidio Arensman.

Na primeira de duas jornadas nos Dolomitas, Nelson Oliveira (Movistar) foi 78.º, a 37.52 minutos de Kuss, e manteve a 64.ª posição da geral, já a mais de três horas de Vingegaard.

Já António Morgado (UAE Emirates) teve mais um dia discreto na sua estreia em grandes Voltas, chegando a mais de 43 minutos do vencedor. O jovem de 22 anos é 126.º da geral, a 04:44.33 horas do maglia rosa.

No sábado, a geral e a eventual subida de Eulálio ao pódio final como vencedor da classificação da juventude ficarão definidas no final dos 200 quilómetros entre Gemona del Friuli e Piancavallo, onde a meta coincide com uma das duas contagem de montanha de primeira categoria da jornada.