Cerca de três horas após encerradas as urnas no Pavilhão Desportivo Unidade Vimaranense, na noite de sábado, o presidente em exercício da Mesa da Assembleia-Geral (MAG), João Henrique Faria, informou que a lista D, liderada por Rui Rodrigues, recolheu 2.028 votos e a lista C, de Viriato Sampaio, 2.026, num sufrágio que incluiu ainda de Belmiro Pinto dos Santos e Júlio Vieira de Castro, o terceiro e quarto candidatos mais votados, respetivamente.
Em conferência de imprensa, o candidato à presidência do emblema da Liga Portugal considera que o presidente da MAG “não esclareceu as questões e dúvidas colocadas relativamente aos votos recebidos por correspondência”, vincando que as informações transmitidas à lista apontam para a contabilização de 33 votos por correspondência entre 120 pedidos de sócios nessa condição.
“Torna-se indispensável que o Vitória esclareça quantos sócios solicitaram o exercício do voto por correspondência, quantos boletins de voto foram enviados a esses sócios, quantos boletins de voto foram recebidos pelo Vitória até ao início do ato eleitoral, solicitando evidência da hora do último levantamento nos CTT e quantos boletins de voto foram expedidos pelos sócios até 11 de junho e que possam ainda chegar ao Vitória até amanhã (segunda-feira)".
Se se demonstrar que “pelo menos dois sócios do Vitória manifestaram interesse em votar por correspondência e que o clube não procedeu ao envio dos respetivos boletins de voto”, que o Vitória “não levantou pelo menos dois boletins de voto enviados por sócios” ou “pelo menos dois boletins de voto cheguem ao Vitória até amanhã (segunda-feira)", Viriato Sampaio defende que o Conselho de Jurisdição deve “declarar a nulidade do ato eleitoral” e determinar a sua repetição.
“Porquanto, mesmo que não se apure uma alteração da lista vencedora em resultado da consideração destes votos, a mera possibilidade de influência no resultado eleitoral constitui fundamento bastante para a apreciação da validade do ato”, referiu.
A lista C considerou ainda que o facto de o presidente da MAG não impor uma recontagem no sábado demonstrou falta de “bom senso” e defendeu que as assinaturas das atas pelos elementos das quatro listas em cada uma das sete mesas de voto deveriam ter sido realizadas após conhecida a contagem global.
“Se quem estava na presidência de cada mesa tivesse consciência que, no final, ia haver uma diferença de dois votos, quer os elementos de cada mesa e o presidente da mesa iriam solicitar uma recontagem, não estando a dizer que a contagem teve problemas. Estou a dizer que o bom senso manda fazer isso. Faria mais sentido assinar as atas após estar realizada a contagem total”, disse.
O sócio número 1.994 defendeu ainda que o Conselho de Jurisdição analise a situação eleitoral, embora possa haver uma condicionante nesse sentido, porque a presidente do Conselho de Jurisdição em exercício, Ana Margarida Teixeira, é a presidente eleita para esse órgão na lista de Rui Rodrigues, o que pode prefigurar ação em “causa própria”.
As eleições do Vitória SC para o triénio entre 2026 e 2029 realizaram-se após a demissão do presidente ainda em funções, António Miguel Cardoso, e reuniram 6.642 votos, num emblema em que os estatutos atribuem um voto a cada sócio e em que não está prevista a realização de segunda volta em atos eleitorais.
